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Mercados

Atenção dos mercados se divide entre balanços e giro no discurso do BCE

Bolsas europeias abriram positivas, mas viraram com mudança de tom do BCE; nos EUA, futuros de índices, que também começaram no azul, tinham variações mistas

As variáveis que orientarão os mercados
04 de Fevereiro, 2022 | 08:41 am
Tempo de leitura: 3 minutos

Barcelona, Espanha — Depois da derrocada de ontem, os mercados de renda variável transitam entre os campos positivo e negativo. Nos primeiros negócios da manhã, a alta prevalecia entre os futuros de índices dos Estados Unidos, ainda que os contratos indexados ao Dow Jones e o S&P 500 foram perdendo o fôlego. Um impulso de alta vem dos caçadores de barganhas e da Amazon, que superou amplamente as expectativas com seu balanço e anunciou um aumento de preços das assinaturas Prime. Porém, a política de juros dos bancos centrais ainda deixam dúvidas sobre que caminho seguir.

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Na Europa, as bolsas abriram positivas, mas mudaram de rumo com a avaliação dos investidores sobre o tom mais agressivo do Banco Central Europeu (BCE) e o aumento dos prêmios dos bônus do governo alemão. Enquanto isso, o yield dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano retrocedia ligeiramente e o dólar recuava com discrição, dirigindo-se a uma depreciação de 1,4% esta semana. O petróleo seguia firme em sua alta, com o WTI já superando os US$ 92 por barril.

O que move o mercado

Algumas variáveis importantes movem os mercados. A primeira são os resultados financeiros das empresas, sobretudo as de tecnologia, que ontem arrastaram bruscamente as bolsas, interrompendo uma sequência de quatro altas sucessivas.

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💸 Balanços decepcionantes como os da Meta, dona do Facebook, chacoalharam as bolsas e levaram a fortuna de Mark Zuckerberg a desabar US$ 31 bilhões em um único dia.📈 Também balizam as negociações as previsões de que os principais bancos centrais elevem o custo do dinheiro. O Federal Reserve (Fed) já deixou claro que esta será sua arma contra a inflação. Ontem, o Banco da Inglaterra elevou sua taxa de juros e sinalizou que começaria a reduzir o balanço patrimonial com títulos.

Pouca convicção

Enquanto isso, o BCE manteve inalteradas as suas taxas na reunião de ontem, conforme o esperado pelos analistas, e disse que as compras líquidas sob seu programa de apoio emergencial terminarão em março. Porém, a presidente Christine Lagarde mostrou uma mudança de tom em seu discurso, vista como mais agressiva pelo mercado. Ela evitou afirmar de modo incisivo, como o fez em dezembro, que elevações dos juros são improváveis em 2022.

🧐 A dirigente deixou de defender a transitoriedade da inflação, admitindo que há risco de alta dos preços, embora tenha observado que o cenário central do BCE é de que, no decorrer do ano, os preços se orientem à meta, ajudados pela melhora do custo da energia e também dos gargalos nas cadeias de abastecimento.

🆙 O discurso pouco convincente, com um viés mais “hawkish”, levou os preços dos títulos do Tesouro alemão a subirem com força – os prêmios dos bônus de cinco anos ficaram positivos pela primeira vez desde 2018.

👷🏻‍♀️ Por último, os investidores aguardam o informe oficial de emprego dos EUA, que dará pistas sobre a situação salarial dos norte-americanos. Se estes dados apontarem para uma desaceleração, podem levar os operadores a esperar uma atitude menos enérgica do Fed no ajuste das taxas de juros, ao menos momentaneamente.

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Uma instantânea dos principais mercadosdfd

🟢 As bolsas ontem: Dow (-1,45%), S&P 500 (-2,44%), Nasdaq (-3,74%), Stoxx 600 (-0,55%), Ibovespa (-0,18%)

Uma debandada das ações de tecnologia fez desabar os índices de ações dos EUA, interrompendo uma sequência de recuperação de quatro dias. As perdas ocorreram enquanto os investidores também digeriram as preocupações sobre a inflação persistentemente alta do Banco Central Europeu com comentários mais agressivos de Christine Lagarde.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

• Bolsa fechada na China pelo Ano Novo Lunar.

Bancos centrais: Pronunciamentos de Broadbent e Pill, do Banco da Inglaterra

Ao redor do globo: Indicadores de Serviços e PMIs compostos (Alemanha e Reino Unido)

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EUA: Variação nas folhas de pagamento não-agrícolas (Jan), Taxa de Desemprego, Média de ganhos por hora

Europa: Zona do euro (Vendas no varejo/Dez), Alemanha (Encomendas à Indústria/Dez), França (Produção Industrial/Dez), Espanha (Confiança do Consumidor)

Balanços do dia: Bristol Myers Squibb, Sanofi, Aon

América Latina: México (Investimento Fixo Bruto/Nov)

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-- Com informações de Bloomberg News

Michelly Teixeira

Michelly Teixeira

Jornalista com mais de 20 anos como editora e repórter. Em seus 12 anos de Espanha, trabalhou na Radio Nacional de España/RNE e colaborou com a agência REDD Intelligence. No Brasil, passou pelas redações do Valor, Agência Estado e Gazeta Mercantil. Tem um MBA em Finanças, é pós-graduada em Marketing e cursa um mestrado em Digital Business na Esade.