Principal do dia: exterior em dúvida sobre variante delta; Brasil olha para inflação, voto impresso

No BREAKFAST: IPCA e ata do Copom ditam humor dos mercados brasileiros; política esquenta com desfile de blindados em Brasília, novo Bolsa Família

Exterior segue misto à espera de mais sinais sobre disseminação da variante delta da Covid-19 no mundo
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São Paulo — As ações europeias e os futuros americanos operavam mistos nesta terça-feira (10), seguindo o movimento de vai-e-volta dos mercados em relação às preocupações com a variante delta da Covid-19, que segue se alastrando pelo planeta e ameaça impor novas restrições de mobilidade na Ásia, Europa e EUA. Por aqui, a agenda econômica cheia, com IPCA de julho e a ata do último Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divide espaço com polêmicas em torno do voto impresso.

  • Futuros americanos: Dow Jones (-0,06%), S&P 500 (-0,02%) e Nasdaq (+0,11%).
  • Índices europeus: DAX (+0,13%), CAC (+0,08%) e FTSE (-0,17%). O índice de confiança econômica ZEW veio bem abaixo do esperado na Alemanha, com leitura de 40,4 contra consenso de 55, enfraquecendo o euro por temores com o vírus.
  • Tóquio/Nikkei 225 (+0,24%), Xangai (+1,01%) e Hong Kong/Hang Seng (+1,23%). As ações asiáticas se recuperaram de um tombo na véspera, de olho no aumento de casos de Covid-19 na China, que desafia a política de zero contaminações implementada pelo governo do país.
  • Petróleo: Brent (+1,28%) e WTI (+0,96%) voltaram a subir após um início de semana em forte queda, com investidores calculando se o crescimento econômico mundial deste ano será o suficiente para absorver qualquer tipo de aumento da produção.
  • Por aqui, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,17%, pressionado pelas perdas nas ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4). Na outra ponta, alta dos bancos e frigoríficos, que foram impulsionadas pelos bons resultados da Tyson Foods nos EUA. O dólar fechou em alta de 0,01%, a R$ 5,234.

Direto de Brasília (e outros lugares)

O presidente Jair Bolsonaro encaminhou nesta segunda-feira (9) ao Congresso Nacional uma nova medida provisória (MP) que reajusta o programa Bolsa Família, que será renomeado como Auxílio Brasil, mas sem um valor definido. Também foi encaminhada a proposta de emenda constitucional (PEC) que cria o chamado fundo de passivos da União, constituído com recursos de privatizações e imóveis do governo e que prevê o parcelamento do pagamento de precatórios.

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  • Nos jornais, o destaque vai para a expectativa de análise da proposta que estabelece o voto impresso no país nesta terça-feira, matéria que, segundo o próprio presidente, em entrevista à rádio Brado, da Bahia, deverá ser rejeitada no Plenário da Câmara.
  • Hoje também acontece um desfile de blindados, que passará em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, e, segundo a Marinha, marca a entrega a Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto, um convite para um tradicional exercício que acontece desde 1988.
  • O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), declarou que a realização do desfile junto às discussões sobre o voto é uma “coincidência trágica”.
  • Ontem de manhã, Bolsonaro confirmou que a nova versão do Bolsa Família virá com um reajuste mínimo de 50% nos benefícios. O ajuste deve passar de 16 milhões de pessoas atendidas, acima dos 14,6 milhões atuais.
  • O Brasil registrou 12.085 novos casos de Covid-19 e 411 mortes em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde.

Manchetes dos jornais:

  • Lira diz que desfile de tanques blindados no dia da votação do voto impresso é “trágica coincidência” (Valor)
  • Câmara enfrenta pressão sobre voto impresso, e Bolsonaro exalta militares após discurso de derrota (Folha de S.Paulo)
  • Tragédia climática pode criar ‘refugiados’ ambientais e dar prejuízos ao agronegócio, diz relatório da ONU (O Globo)
  • Planeta esquentará 1,5°C até 2040, com forte efeito no Brasil (O Estado de S.Paulo)
  • Senate Is Poised to Pass Infrastructure Deal, Then Turn to Democratic Budget (New York Times)
  • SoftBank Posts Lower Profit as Tech Rally Cools (Wall Street Journal)
  • Delta variant is derailing plans for normalcy as schools reopen (Washington Post)

Enquanto você dormia

Minerva Foods: Companhia reportou um lucro líquido de R$ 116,7 milhões no segundo trimestre do ano. O resultado representa uma queda de 54% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a companhia registrou R$ 253,4 milhões.

São Martinho: O grupo sucroenergético reportou um lucro líquido de R$ 190,1 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal de 2022, que corresponde ao ciclo de produção da cana-de-açúcar. O resultado representa um crescimento de 64,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando a companhia registrou um lucro de R$ 115,7 milhões.

Sequoia: Lucro líquido ajustado de R$ 17,6 milhões no segundo trimestre

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Alupar: Lucro líquido de R$ 332,3 milhões no segundo trimestre

Na Bloomberg Línea

Agenda do dia

  • Balanços pré-mercado: BTG Pactual e Klabin
  • Balanço pós-mercado: Allied, C&A, Marfrig, ModalMais, Porto Seguro e RaiaDrogasil
  • Indicadores: IPC-Fipe (5h), ata do Copom (8h), IPCA (9h)
  • Indicadores EUA: Estoques de Petróleo Bruto Semanal API (17h30)
  • Jair Bolsonaro: Reuniões com deputado Arthur Oliveira Maia (DEM/BA); Pedro Cesar Sousa, Subchefe para Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência; com Anderson Torres, Ministro da Justiça e Segurança Pública.
  • Paulo Guedes (Economia): Reuniões com o secretário especial da Receita Federal, José Tostes; com o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD-SP).
  • Roberto Campos Neto (BC): Reunião, por videoconferência, com representantes do Banco Santander; cerimônia de abertura da 33ª edição do Congresso Nacional Abrasel.

Pra não ficar de fora

Membros veem chance de nova alta da Selic em setembro

A evolução da variante delta da Covid-19 adiciona risco à recuperação da economia global e, a despeito dos movimentos recentes nas curvas de juros, ainda há risco relevante de aumento da inflação nas economias centrais, escreveram os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira (10). Segundo eles, a assimetria do balanço de riscos no país o justificou a alta de 1% da taxa básica de juros (Selic) e prevê outro ajuste da mesma magnitude na próxima, em setembro.

  • Segundo o texto, ainda assim, o ambiente para países emergentes segue favorável com os estímulos monetários de longa duração, os programas fiscais e a reabertura das principais economias.
  • Em relação à atividade econômica brasileira, os membros escreveram que indicadores recentes “continuam mostrando evolução positiva e não ensejam mudança relevante para o cenário prospectivo, o qual contempla recuperação robusta do crescimento econômico ao longo do segundo semestre”.