Bloomberg — A alta de US$ 570 bilhões no valor de mercado da Apple neste verão elevou as expectativas em torno do novo CEO, John Ternus, às vésperas do evento mais aguardado da empresa nos últimos anos: o lançamento do iPhone dobrável, nesta quarta-feira (9).
As ações subiram 15% desde 25 de junho, quando a empresa anunciou que aumentaria os preços de muitos de seus produtos, levando as ações a seu pior dia em mais de um ano.
Desde então, uma parte significativa dos ganhos tem sido impulsionada pelo entusiasmo em torno da nova linha de dispositivos, especialmente o celular dobrável. No entanto, as ações continuam cerca de 7% abaixo de sua máxima histórica, registrada em 28 de julho.
A Apple ainda é considerada uma empresa atrasada em relação à inteligência artificial, o que representa um problema fundamental de longo prazo para os investidores.
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Mas, no futuro imediato, o desempenho das ações provavelmente dependerá da recepção dos novos iPhones, da capacidade da empresa de lidar com os custos crescentes de memória e do desempenho de Ternus, que assumiu o cargo do ex-CEO Tim Cook em 1º de setembro.
O lançamento dos produtos da Apple está programado para começar às 10h, horário do Pacífico, na sede da empresa em Cupertino, Califórnia.

“Esses eventos são importantes todos os anos, mas este tem um nível de importância ainda maior”, afirmou Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, que detém ações da Apple.
“Estamos entrando no que, acredito, muitos esperam e prevêem que seja um ciclo de vendas realmente muito bom. Eles precisam cumprir essa expectativa.”
Espera-se que a receita da Apple aumente 15% no ano fiscal de 2026, que termina em setembro. Esse seria o ritmo de crescimento mais rápido desde 2021, quando as medidas de confinamento durante a pandemia fizeram as vendas de dispositivos dispararem.
As ações também se beneficiaram da reputação da empresa como um porto seguro em meio aos pesados gastos com IA, que estão pesando sobre outras gigantes da tecnologia, como a Alphabet e a Microsoft, que comprometeram centenas de bilhões de dólares para desenvolver a tecnologia.
Em um ano em que Wall Street está cada vez mais apreensiva quanto ao momento em que esses gastos de capital trarão retornos significativos, a Apple é a segunda empresa com melhor desempenho entre os “Sete Magníficos” gigantes da tecnologia.
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O problema, no entanto, é que os investidores da Apple são notoriamente difíceis de impressionar no dia dos eventos do iPhone.
As ações caíram em cinco dos últimos oito dias em que novas versões dos aparelhos foram apresentadas. A boa notícia? A ação registra, em média, um ganho de 10% nos seis meses seguintes ao lançamento do iPhone, de acordo com dados compilados pela Bloomberg desde 2007.

Estima-se que o iPhone dobrável tenha um preço inicial entre US$ 2.300 e US$ 2.500, de acordo com analistas do Morgan Stanley liderados por Erik Woodring.
Eles estimam que as remessas totalizarão cerca de 6,5 milhões de unidades no primeiro trimestre fiscal da Apple, que termina em dezembro, o que se traduz em vendas de aproximadamente US$ 14 bilhões, ou cerca de 16% da receita total do iPhone esperada para o trimestre.
Além do iPhone dobrável, espera-se que a Apple também revele novos modelos do iPhone Pro e Pro Max, AirPods e relógios.
A grande questão será se a empresa conseguirá aumentar os preços para acompanhar os custos crescentes de memória e manter as margens de lucro sem afugentar os clientes.
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“A política de preços continua sendo a principal incógnita e, em nossa opinião, a variável mais provável de impulsionar a reação das ações”, escreveu o analista do JPMorgan, Samik Chatterjee, em nota aos clientes na semana passada.
“Os investidores esperam aumentos de preço que ajudem a empresa a encontrar o equilíbrio certo entre limitar o impacto da elasticidade de preço nos volumes e evitar uma moderação ainda maior das margens brutas.”
A capacidade da Apple de proteger a lucratividade é fundamental para uma ação que tem se tornado cada vez mais cara. Com um múltiplo de 33 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses, as ações estão bem acima de sua média de 10 anos, de 23, não muito longe do nível mais alto em quase duas décadas, e entre as 60 ações mais caras do S&P 500, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Sua valorização está bem acima do S&P 500, com 19 vezes os lucros futuros, e do Índice Nasdaq 100, de forte presença do setor de tecnologia, com 21 vezes.
“Não é barato, mas acredito que haja valor de longo prazo nessas ações”, afirmou Gerald Sparrow, diretor de investimentos do Sparrow Growth Fund, que detém ações da Apple. “Os investidores querem ver crescimento.”
Além disso, o ritmo de crescimento dos lucros está desacelerando. Após trimestres consecutivos de aumentos percentuais de dois dígitos, espera-se que a expansão do lucro líquido da Apple desacelere para apenas 6% em seu quarto trimestre fiscal, que termina em 30 de setembro, e para 1% em seu primeiro trimestre fiscal, de acordo com a média das estimativas dos analistas compiladas pela Bloomberg.
A única grande área que preocupa os investidores da Apple e que não deve receber muita atenção nesta quarta-feira é a inteligência artificial.
Embora a empresa tenha sido recompensada por não seguir rivais como a Microsoft em gastos pesados com IA, sua dependência de parcerias como a que mantém com o Google levanta outras preocupações que começarão a ter importância em breve, segundo Ellerbroek, da Argent.

“Gostaria de ver mais da parte deles em termos de capacidades próprias”, afirmou ele.
“Tenho muito respeito pela empresa; acho que sua posição competitiva é excelente, mas há alguns sinais ocultos, que não aparecem nos resultados financeiros, de que nem tudo está perfeitamente bem na Apple neste momento.”
--Com a colaboração de Subrat Patnaik e David Watkins.
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