Bloomberg Línea — A suíça Mercuria Energy e a argentina Integra Capital fecharam na madrugada desta quinta-feira (4) a compra dos ativos da Raízen na Argentina, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto que falou com a Bloomberg Línea. Os ativos em questão são a refinaria de Dock Sud e a rede de postos de combustível da Shell.
Em comunicado ao mercado nesta manhã, a Raízen detalhou que o valor final da transação chegou a US$ 1,420 bilhão, a ser pago em dinheiro no fechamento, sujeito aos ajustes habituais de preço de compra para transações dessa natureza, incluindo capital de giro, caixa, dívida e despesas de transação.
O acordo definitivo para a venda do negócio de downstream incluiu também a assunção, pelo comprador, da dívida da Raizen Argentina S.A.U.
“Espera-se que o fechamento da transação ocorra dentro da atual safra agrícola e permanece sujeito ao cumprimento das condições precedentes usuais para transações dessa natureza, incluindo, entre outras, a obtenção das autorizações regulatórias e judiciais pertinentes”, informou a Raízen.
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Os ativos da Raizen no país são estratégicos para o setor de downstream na Argentina. A refinaria de Dock Sud responde por 14% da produção de combustíveis do país, enquanto a rede de 894 postos Shell detém 17,9% do mercado — ficando atrás apenas da líder YPF, com 58,1%.
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A operação incluiu ainda uma fábrica de lubrificantes na cidade de Buenos Aires, duas aeroplataformas nos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, e dois terminais de combustíveis em Arroyo Seco e Santa Fe.
Com a operação, a Mercuria Energy, trader de commodities de origem suíça, amplia sua presença na Argentina, onde já atua por meio da Phoenix Resources na formação de petróleo e gás não convencional de Vaca Muerta.
Ações da Raízen (RAIZ4)
Tanto em Vaca Muerta quanto na aquisição recente, a Mercuria está associada ao empresário local José Luis Manzano, fundador e presidente da Integra Capital.
A decisão da brasileira Raízen de vender seus ativos na Argentina está relacionada à delicada situação financeira que a empresa atravessa.
Na quarta-feira, ela apresentou aos credores uma proposta final de reestruturação — passo central nos esforços da produtora de açúcar e etanol para obter uma revisão extrajudicial de sua dívida.
A empresa, que enfrenta um prazo até 8 de junho para fechar um acordo, espera que mais de 70% dos credores aprovem o plano, segundo a Bloomberg News. A dívida total da Raizen chega a R$ 65 bilhões.
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