BTG Pactual busca integrar banco e corretora nos EUA e disputar o mercado americano

Integração permitirá que atuais clientes latino-americanos tenham acesso também a serviços bancários, como financiamento imobiliário, conta o sócio Renato Mortiz, co-CEO da corretora americana do BTG Pactual, à Bloomberg Línea

Pátio Malzoni, onde fica a sede do BTG Pactual e outras companhias como o escritório do Google em São Paulo
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Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) trabalha para integrar as operações de sua corretora americana com a unidade bancária recém-adquirida nos Estados Unidos do antigo M.Y. Safra como parte de um movimento estratégico para avançar no mercado americano.

A integração vai permitir que os atuais clientes latino-americanos da corretora tenham acesso também aos serviços bancários nos Estados Unidos de forma unificada, segundo Renato Mortiz, co-CEO da corretora americana do BTG.

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Ao mesmo tempo, o plano inclui crescer entre residentes nos Estados Unidos, oferecendo uma plataforma digital bancária semelhante à que o banco já opera no Brasil, mas voltada aos clientes baseados no país.

“Por causa do que construímos no Brasil, temos uma vocação e uma credencial que nos dão condições de servir esse cliente nos Estados Unidos”, disse Mortiz, que também é o sócio responsável pela estratégia de contas internacionais, em entrevista à Bloomberg Línea.

“Temos capacidade de competir no mercado mais importante do mundo, e existe uma oportunidade muito boa de ter uma expressão no mercado americano.”

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O executivo cita especificamente a Flórida, estado com uma grande comunidade com raízes latino-americanas, como um mercado com potencial na expansão do BTG Pactual nos Estados Unidos. Além disso, outros estados com presença de brasileiros e outros latino-americanos, como Massachusetts e Nova York, também oferecem oportunidades.

“Com a aquisição do banco, a gente de fato pode ser um player relevante no mercado americano, para crescer localmente nos Estados Unidos”, afirmou Moritz, em conversa na sede do BTG Pactual em São Paulo.

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Para avançar na estratégia, o banco brasileiro tem expandido a equipe nos Estados Unidos e hoje tem aproximadamente 300 pessoas no país, divididas entre os escritórios em Miami e em Nova York, somando as equipes da corretora e do banco.

O objetivo é que, uma vez feita a integração, o cliente possa ter acesso tanto aos produtos de investimentos por meio da corretora quanto aos serviços bancários, dentro de um único aplicativo.

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“A ideia é que o cliente possa acessar seu portfólio de investimentos. E eventualmente pode tomar crédito no banco e colocar em garantia os ativos”, disse Moritz.

Na área de crédito, um dos campos em que o banco vê oportunidades é de crescer em financiamento imobiliário para clientes que estejam em busca de investir em imóveis nos Estados Unidos.

Ações do BTG Pactual (BPAC11)

57.95BRL+0.75%
+0.43 BRL
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Segundo ele, essa é uma demanda frequente do público brasileiro, que vê nos Estados Unidos um lugar não só para investir no mercado de capitais, mas também de ter um investimento em real estate.

Para alcançar o objetivo, o banco agora trabalha na integração de sistema e remodelagem do aplicativo.

O plano é que, em alguma data ainda não definida, as contas dos atuais clientes do BTG Pactual que têm contas internacionais sejam migradas para a estrutura do novo banco do grupo nos Estados Unidos.

Hoje, a custódia dos investimentos é feita pela corretora americana, mas o BTG trabalha com um banco parceiro nos Estados Unidos para os serviços bancários. Essa última parte migrará para dentro do banco próprio do BTG adquirido em 2024 e que teve o negócio finalizado no início deste ano. “Numa determinada data, essa conta passa a ser a conta do nosso banco”, disse.

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O BTG estreou o serviço de contas internacionais em 2023, em meio a um movimento entre bancos e fintechs no país para dar acesso a investidores brasileiros diretamente a produtos financeiros nos Estados Unidos, incluindo Itaú, Inter, Nomad e outros.

Atualmente, a plataforma oferece produtos que vão desde produtos listados em bolsa, como ações, ADRs, ETFs, além de fundos de investimentos, produtos de renda fixa e ETFs UCITS, que são ETFs domiciliados na Europa,

Na visão do executivo, os clientes têm percebido a vantagem e a importância de ter investimentos fora do Brasil, tanto por causa do ponto de vista de diversificação quanto para poder participar de movimentos no mercado americano em setores que não estão disponíveis no Brasil, a exemplo do que ocorre com as empresas beneficiadas pela onda da inteligência artificial (IA).

“Os clientes estão percebendo que o que vem acontecendo na economia americana, com a criação de valor, a quantidade de disrupção que você vê de novos setores, novas tecnologias, novas empresas. Eles veem que precisam estar expostos minimamente a isso”, afirmou.

Nesse sentido, o plano é fazer com que a operação do BTG Pactual nos Estados Unidos atue como uma “facilitadora” para toda a base de clientes na América Latina que quer investir no exterior. E também servir de referência para o investidor estrangeiro que busca ter exposição na América Latina. “Queremos estar bem estabelecidos para os clientes que querem os dois sentidos”, disse Moritz.

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