Bloomberg — A Raízen (RAIZ4) obteve apoio informal da maioria dos credores para uma proposta final de reestruturação dentro de sua recuperação extrajudicial, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
Este é um passo fundamental para a produtora brasileira de açúcar e etanol, que vem enfrentando dificuldades há meses, fechar um acordo dentro de sua recuperação extrajudicial.
Alguns detentores de títulos locais, incluindo os chamados Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), já aprovaram o plano em reuniões realizadas nesta quarta-feira (3), disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por se tratar de um assunto privado.
Espera-se que negociações separadas entre bancos e detentores de títulos offshore ocorram nos próximos dias para a aprovação formal do plano.
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Um acordo permitiria à Raízen prosseguir com a reestruturação extrajudicial, em um esforço para reduzir sua dívida de R$ 65 bilhões.
A gigante dos biocombustíveis contraiu empréstimos vultosos nos últimos anos para financiar uma expansão ambiciosa, mas investimentos malsucedidos em etanol e combustíveis de aviação, juntamente com o aumento das taxas de juros, pressionaram seu balanço.
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O portal Pipeline, do Valor Econômico, noticiou anteriormente que a Raízen havia garantido apoio para a aprovação do plano de reestruturação.
A empresa, que tem até 8 de junho para fechar um acordo, espera que mais de 70% dos credores apoiem o plano, bem acima da maioria simples necessária para ratificá-lo, disseram as pessoas antes da divulgação do plano na quarta-feira.
Um representante da Raízen não quis comentar.
Ações da Raízen (RAIZ4)
De acordo com os documentos do plano, a Raízen propôs três opções de pagamento para os credores. A principal opção seria converter 45% da dívida em ações e os 55% restantes em nova dívida.
A empresa também está apresentando um plano para separar o negócio de processamento de cana-de-açúcar da unidade de distribuição de combustíveis, com prazo até o final de 2027 para implementação.
Enquanto isso, o plano recomenda a criação de um comitê de credores com cinco membros, com o diretor financeiro Lorival Luz assumindo mais responsabilidades como diretor de reestruturação.
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As discussões também incluem a manutenção do atual conselho de administração da Raízen até o primeiro trimestre do próximo ano, deixando em aberto a possibilidade de o chairman Rubens Ometto permanecer no conselho após esse período, caso injete um aporte de capital de US$ 500 milhões, disse uma pessoa antes da divulgação do documento.
Um porta-voz de Ometto não quis comentar.
Os títulos da Raízen despencaram nos últimos meses, após a empresa iniciar o processo de reestruturação da dívida.
Seus títulos em dólar são os de pior desempenho entre as empresas de mercados emergentes, acumulando uma perda média de 27% para os investidores neste ano, de acordo com dados da Trace compilados pela Bloomberg.
Em comparação, um índice que acompanha empresas de mercados emergentes apresentou um retorno de 1,95% no mesmo período.
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