Bloomberg — A crescente frota de caminhões pesados chineses no México tornou-se um novo obstáculo na busca do país por alívio das tarifas americanas, enquanto Washington pressiona por garantias de que seu vizinho não está se transformando em uma porta de entrada para fabricantes da China no mercado da América do Norte.
O valor das importações mexicanas de caminhões chineses saltou mais de sete vezes em um período de seis anos, levantando preocupações entre fabricantes locais e autoridades americanas, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto.
O número de empresas chinesas de caminhões que operam no México também saltou para cerca de 23, criando nova tensão enquanto negociadores mexicanos buscam alívio de barreiras americanas que pesam sobre uma das indústrias de exportação mais integradas do país.
A disputa atinge o cerne da revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês): se o México consegue convencer Washington de que está alinhado com os EUA contra a China e, ao mesmo tempo, protege seus próprios fabricantes contra importações baratas e preserva o acesso ao seu maior mercado.
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Os fabricantes mexicanos de caminhões pedem uma solução em duas frentes: tarifas domésticas mais altas sobre veículos chineses e uma abordagem americana que trate os caminhões fabricados no México como parte da base industrial da América do Norte, e não como uma ameaça a ela.
A questão deve entrar na pauta de uma terceira rodada de conversas bilaterais entre México e EUA com início na terça-feira (21), na Cidade do México. Os EUA afirmaram que o acordo comercial não será renovado na forma atual, embora ele permaneça em vigor enquanto os três países seguem negociando disputas que incluem automóveis, aço, cadeias de suprimentos e o papel da China na América do Norte.
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O Ministério da Economia do México, responsável pelas negociações do USMCA, não quis comentar.
Negociadores americanos têm cada vez mais preocupação de que veículos e peças chineses entrem no México e possam eventualmente se beneficiar das cadeias de suprimentos da América do Norte, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não ser identificadas ao discutir conversas privadas.
Essas preocupações complicam o esforço do México para obter alívio das tarifas americanas sobre caminhões de médio e grande porte e peças.
Os temas a serem discutidos durante as conversas, que contará com a presença do representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, incluirão “aço e alumínio e produtos derivados, automóveis, segurança econômica, trabalho, agricultura e serviços de pagamento eletrônico”, disse o gabinete de Greer em uma declaração na sexta-feira (17).
Washington impôs tarifas de 25% sobre caminhões de médio e grande porte e peças em novembro de 2025, embora veículos que atendam aos critérios do USMCA possam ter a tarifa aplicada apenas sobre o valor do conteúdo não americano, segundo o relatório de automóveis de 2026 da USTR.
A indústria de veículos pesados do México está sob pressão. A produção caiu 13% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2026, enquanto as exportações recuaram 14,5%, segundo dados oficiais. Os EUA absorveram 92,3% dessas vendas, evidenciando a vulnerabilidade do setor a mudanças na política comercial americana.
No mercado interno, os fabricantes dizem que concorrentes chineses os prejudicam com veículos de baixo custo, enquanto a prestação de contas permanece opaca.
Os fabricantes mexicanos de ônibus e caminhões pedem direitos aduaneiros de até 50% sobre veículos pesados de países que não têm acordos de livre comércio com o México, principalmente a China. As tarifas atuais para caminhões pesados variam de 5% a 20%.
Os fabricantes argumentaram que algumas unidades chinesas entram no México com valores declarados na aduana muito abaixo dos preços de mercado, distorcendo a concorrência e tornando os caminhões produzidos localmente menos atrativos.
Fabricantes e marcas chinesas com atividade documentada de caminhões pesados ou ônibus no México incluem Yutong Bus, BYD e FAW.
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