Motorola desafia Apple e Samsung e reforça aposta no premium com celular de R$ 10.999

Signature 27 chega em pré-venda com a promessa de superar os rivais em câmera, processador, áudio e tela e com preço que o CEO no Brasil, Rodrigo Vidigal, classifica como ‘muito agressivo’, em um momento em que o segmento já responde por mais de 35% do faturamento global da companhia

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Bloomberg — Por alguns anos, o retorno da Motorola à competição por segmento premium - ou ultrapremium - ficou apenas no horizonte. Problemas financeiros nas primeiras duas décadas do século, assim como mudanças de gestão, primeiro com a aquisição pela Google e depois para a Lenovo, fizeram com que a marca tivesse que, primeiro, sobreviver financeiramente e, somente depois, pudesse dar os primeiros passos de volta a um espaço em que um dia já foi líder.

Nesta quinta-feira, 5, a marca de origem americana lança a pré-venda do Signature 27, segunda geração de sua linha ultrapremium, cuja primeira versão foi apresentada na CES deste ano, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

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Lançado simultaneamente no Rio de Janeiro e em Tromsø, na Dinamarca, o novo produto da franquia chega ao mercado com preços a partir de R$ 10.999,00 (versão de 256 GB) e R$ 11.999,00 (512 GB).


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Segundo Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola no Brasil, o preço de tabela virá acompanhado de combos com o relógio Moto Watch Ultra, desenvolvido com a Polar, e com os fones Moto Buds 2 Ultra, além de condições no pós-pago com as operadoras e programas de trade-in.

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“O consumidor verá um produto muito superior e com preço muito muito agressivo e muito competitivo nessa retomada da Motorola”, disse Vidigal à Bloomberg Línea. “O Signature 27 é um produto que vai estar acima do que vemos hoje no mercado”, uma alusão a produto top de linha de Apple e Samsung. O início das vendas será anunciado em breve.

A companhia sustenta que o aparelho supera os concorrentes em câmera, processador, áudio e tela. O modelo estreia o Snapdragon 8 Elite Extreme Gen 6, da Qualcomm, o processador mais avançado do mundo, segundo o benchmark AnTuTu.

Rodrigo Vidigal, CEO da Motorola para o Brasil: O consumidor verá um produto muito superior e com preço muito muito agressivo e muito competitivo nessa retomada da Motorola

Na fotografia, o destaque é uma teleobjetiva periscópica de 200 megapixels, com zoom de até 100 vezes, e um sensor em smartphones que registra o movimento de forma independente das câmeras, para congelar cenas em alta velocidade. O conjunto recebeu o selo Ouro do DXOMARK, referência em avaliação de câmeras.

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Vidigal afirma que o painel de 12.000 nits de brilho é o mesmo anunciado recentemente para o MacBook Pro, da Apple, que chegou ao mercado com 2.000 nits, e que nem o iPhone 18 Pro Max o utiliza.

Segundo a Motorola, a tela, que empilha dois painéis AMOLED, consome até 34% menos energia que a da geração anterior. A bateria de 7.000 mAh promete até 62 horas de uso, e o carregador de 90 W, incluso na caixa, entrega energia para um dia em 12 minutos. O aparelho tem ainda certificação IP69K contra água e poeira.

A estratégia para o produto inclui parcerias com “autoridades” de cada área, como Pantone em cores, Bose, Bang & Olufsen e Dolby Atmos em áudio, Sony em câmeras e Polar. Os acessórios, como os novos fones Buds Ultra e o Moto Watch ultra, ainda pesam pouco no faturamento, mas completam o ecossistema para o usuário premium, integrado à plataforma de IA Qira e aos notebooks e tablets da Lenovo.

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A versão Signature 27 será também o produto da marca para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada no Brasil no próximo ano. A Motorola será fabricante oficial, junto com a Lenovo, da edição. Em 2026, a marca já havia aproveitado a Copa do Mundo masculina, com o Razr Fold como aparelho oficial.

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Os números no premium

O retorno da Motorola no mercado premium começou nos anos 2020, período em franquias como a Edge e Razr respondiam por 2% a 3% das vendas. Atualmente, a categoria representava uma fatia superior a 35% do faturamento globalmente, segundo a companhia. No Brasil, a Motorola detém cerca de 31% do mercado, de acordo com dados recentes da consultoria Counterpoint.

A contribuição dos produtos premium está em linha com os números globais, disse a marca, sem informar os percentuais. Revelou apenas que os dados do último trimestre da consultoria GFK apontam um crescimento de 46% em volume de premium da Motorola, na comparação ano contra ano.

A linha Signature, cuja primeira versão chegou ao Brasil em março, é o investimento mais simbólico da marca, que a apresentou como um produto para além do premium. “O Signature foi um produto muito bem recebido. Ele permitiu que a Motorola fosse percebida novamente como fabricante de um produto ultrapremium”, afirmou Vidigal.

O novo aparelho tem servido para mostrar a disposição de entrar de cabeça numa disputa com marcas como Apple e Samsung, líderes no segmento e reconhecidas pela qualidade dos seus produtos.

Em um mercado de smartphones que encolhe como o brasileiro - queda de 11% no primeiro semestre, segundo a Counterpoint -, os produtos de linha premium são também uma estratégia para manter a sustentabilidade dos negócios, uma vez que trabalham com margens melhores do que aparelhos de entrada. A consultoria apontou a alta da Motorola em volumes de aparelhos totais em 1%.

Essa composição no faturamento é particularmente importante num ano que o executivo classifica como “bem desafiador”, pela crise global dos chips de memória, que elevou os custos de produção, e pelo cenário macroeconômico doméstico.

“Temos juros muito elevados, famílias muito endividadas e o varejo, nosso principal canal de vendas junto com as operadoras, sofrendo bastante”, disse. Para Vidigal, a dificuldade de acesso a financiamento pesa sobre um consumidor que depende do crédito para comprar carro, TV ou smartphone.

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Questionado sobre as expectativas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Vidigal disse que a empresa não depende de um nome. “Nós somos brasileiros e queremos o melhor para o país”, afirmou, ressaltando que a marca tem quase 100 anos de história e está há quase 50 no Brasil. “Nós queremos continuar crescendo a nossa operação não só no Brasil, mas também pensando em exportar”.

Hoje, a Motorola conta com duas fábricas no país, mas a produção fica restrita ao mercado local. O conhecido custo Brasil, formado por impostos, logística e encargos trabalhistas, faz com que seja mais barato levar da China aparelhos idênticos aos produzidos aqui para Chile, Bolívia, Equador e Colômbia. “Poderíamos estar abastecendo não só o Brasil, mas a América Latina inteira”, disse.