Bloomberg Línea — A renovação do parque de lojas, uma das frentes do novo ciclo estratégico da C&A (CEAB3), pesou sobre as vendas do terceiro trimestre, mas deve contribuir para o resultado do fim do ano, segundo o CEO da varejista de moda, Paulo Correa.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que 18 lojas estavam em reforma no período, todas entre as 50 maiores da companhia no Brasil, e que as obras exigiram o fechamento de partes das unidades, o que reduz a área de vendas e o sortimento.
Parte das unidades reabriu em outubro, a maioria deve ser reinaugurada em novembro e algumas no início de dezembro. “A gente pagou um pouco de conta agora no terceiro trimestre, mas no quarto vem o retorno”, disse Correa em entrevista após a divulgação dos resultados na noite de quarta-feira (4).
“Dezembro é o maior mês do ano, é o melhor momento. A gente tentou fazer tudo para estar prontos para capitalizar o impacto positivo que elas trazem em termos de crescimento no maior mês do ano”, afirmou.
A C&A informou que a receita líquida de vestuário cresceu 2,6% no terceiro trimestre, para R$ 1,69 bilhão, enquanto a margem bruta de vestuário subiu pelo 21º trimestre consecutivo, para 56%.
Já as vendas em mesmas lojas (SSS) de vestuário subiram 1%, ante 8,1% um ano antes. De acordo com o release de resultados, as reformas tiraram cerca de 1 ponto percentual do indicador, que seria de 2% sem esse efeito.
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As lojas reformadas seguem o novo conceito Energia, que, de acordo com Correa, dá mais destaque ao produto e altera a circulação dos clientes. Segundo o CEO, o principal efeito do modelo está na conversão, ou seja, na proporção de clientes que entram na loja e fazem compras. Esse indicador cresce dois dígitos nas unidades reformadas, segundo ele.
Perguntado sobre o efeito do novo ciclo estratégico, o Full Power, apresentado em agosto, o CEO afirmou que o impacto no terceiro trimestre foi “ainda pouco” e “até um pouco negativo”, em razão das reformas.
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Correa disse que as vendas melhoraram ao longo do terceiro trimestre, e o desempenho subiu mês a mês, como uma escada, sendo julho o período mais fraco e setembro, o mais forte.
O executivo atribuiu o desempenho de julho à Copa do Mundo, que reduz o movimento no comércio nos dias e horários de jogos. Agosto, segundo ele, é sempre um mês mais difícil, e o endividamento das famílias também teve impacto no trimestre. Em setembro, a chegada da coleção de verão contribuiu para a melhora, de acordo com o CEO.
Ações da C&A Modas (CEAB3)
Correa não detalhou o crescimento registrado em setembro, mas disse que o mês ficou acima da média do trimestre. “Isso me dá confiança de que esse quarto trimestre a gente deveria ter uma performance melhor, não só do que o terceiro trimestre, mas do que o quarto trimestre do ano passado.”
O lucro líquido ajustado da companhia caiu 23,3% no terceiro trimestre, para R$ 56,5 milhões. O lucro reportado foi de R$ 170,3 milhões, com o reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins, acima da estimativa de R$ 44,4 milhões no consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
Revisão do plano de abertura de lojas
A C&A discute com o conselho de administração uma redução no número de aberturas e reformas de lojas previsto para 2027, segundo Correa. Segundo ele, a revisão do plano para o próximo ano será para baixo e leva em conta a previsão de um cenário mais desafiador.
De acordo com o CEO, a companhia havia previsto abrir entre 60 e 80 lojas nos próximos cinco anos e reformar entre 25 e 30 unidades por ano. O novo número para 2027 ainda não foi definido, e a diferença pode ser compensada em 2028 e 2029, segundo ele. Correa afirmou que a companhia pode recuperar parte do ritmo em 2027, a depender do cenário no primeiro trimestre.
“A estratégia para a gente é clara, onde a gente quer chegar. Talvez podem ter alguns bumps na estrada que vão fazer com que a gente ajuste um pouco a velocidade para baixo ou ter a oportunidade na frente de ajustar a velocidade para cima também”, disse.
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Questionado se a revisão tem relação com os juros ou com uma desaceleração do varejo, Correa afirmou que a condição financeira da companhia é “muito boa”. Segundo ele, os juros, em si, não são um problema real para a C&A. A preocupação, de acordo com o executivo, é com uma desaceleração da economia, que poderia elevar a necessidade de caixa.
“Em um cenário e contexto de incerteza, caixa é key”, afirmou.
O CEO disse que despesas, investimentos e estoques terão um olhar “mais apertado”. “Não queremos criar nenhuma situação de risco, tomar riscos adicionais num momento de instabilidade.”
A companhia encerrou setembro com alavancagem de 0,2 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda, após pagar R$ 140 milhões em juros sobre capital próprio e recomprar cerca de R$ 110 milhões em ações no ano.
Escala 5x2
Enquanto revê o cenário para 2027, a C&A também tem testado a jornada de trabalho 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de folga, em 60 lojas, para medir os impactos da redução, que foi aprovada pelo Congresso em outubro.
O CEO afirmou que a mudança eleva os custos, mas também reduz as faltas dos funcionários. Para compensar o aumento de despesas, a companhia investiu em uma plataforma de planejamento de tarefas com inteligência artificial e tenta ampliar o uso de contratos intermitentes.
“A gente está bem preparado para fazer o roll-out desse formato”, disse.
A automação dos caixas também faz parte da estratégia, de acordo com o executivo. O self-checkout está presente em 171 lojas, cerca de metade da rede. Segundo Correa, a jornada 5x2 traz uma pressão de custos, e a automação ajuda a conter parte dessa pressão.
Segundo Correa, o objetivo é manter o nível de serviço sem repasse aos preços. “Você tem que trabalhar dentro desse contexto novo”, disse.
Ace
Sobre os planos apara a ACE, marca de moda esportiva e athleisure que ganhou loja própria neste ano, a C&A prevê mais inaugurações ainda neste ano. Neste ano, a marca ganhou três lojas, nos shoppings Ibirapuera e Bourbon, em São Paulo, e no Barra Shopping, no Rio de Janeiro. Mais três unidades serão inauguradas no próximo mês, em outros estados, segundo o CEO.
“Estamos bastante confiantes que essa é uma história que vai render bastante fruto para a C&A”, afirmou Correa.
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