Mercados reagem à vitória democrata nos EUA com dólar em queda e Treasuries em alta

Derrota de Trump fortalece as expectativas de maior contenção dos gastos públicos e de obstáculos à aprovação de novos cortes de impostos, enquanto os futuros das bolsas americanas recuperam perdas iniciais diante da avaliação de que a economia permanece sólida

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Bloomberg — A vitória esmagadora dos democratas no Congresso causou repercussões nos mercados globais e levou à oscilação das ações, enquanto o dólar se desvalorizou e os títulos do Tesouro dos EUA registraram alta, em meio a apostas de que o resultado irá frear a agenda do presidente Donald Trump.

Os contratos futuros do S&P 500 subiram 0,2%, enquanto os do Nasdaq 100 registraram alta de 0,3%. Ambos haviam caído anteriormente, antes da entrada dos compradores.

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O dólar enfraqueceu em relação às principais moedas, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos caíram três pontos-base, para 4,93%.

O Stoxx 600 da Europa subiu 0,6% e um indicador para as ações asiáticas apresentou poucas variações.


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Inicialmente, os investidores viram a onda democrata como um possível revés para as ações, dada a perspectiva de um escrutínio regulatório mais rigoroso, particularmente sobre empresas de tecnologia de alto crescimento e de inteligência artificial. Essas preocupações deram lugar, posteriormente, ao apoio proporcionado pela queda nos rendimentos dos títulos e à confiança de que a economia dos EUA permanece em bases sólidas.

Os democratas obtiveram vitórias em redutos republicanos por todo o país, conquistando pelo menos sete cadeiras no Senado e vencendo disputas para a Câmara em distritos que os republicanos haviam conquistado com facilidade em 2024.

Trump afirmou que poderia trabalhar com uma Câmara e um Senado comandados pela oposição, “se os democratas quiserem trabalhar comigo”.

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“O impasse político deve reduzir a probabilidade de outra grande expansão fiscal, enquanto a queda concomitante nos rendimentos dos títulos do Tesouro poderia, em última instância, oferecer algum apoio às ações”, afirmou Florian Ielpo, da Lombard Odier Investment Managers. “O cenário fundamental não mudou repentinamente, com o crescimento dos EUA permanecendo sólido.”

Futuros dos EUA caem com o resultado das eleições, mas se recupera de perdas em seguida

Os títulos do Tesouro, por sua vez, devem se beneficiar, se o impasse político limitar novos cortes de impostos e gastos públicos, aliviando as preocupações com o endividamento federal. Os investidores em títulos têm se mostrado apreensivos com a trajetória fiscal dos EUA, com a dívida do país em torno de US$ 40 trilhões.

“O controle democrata do Congresso tornará mais difícil para o governo da Casa Branca aprovar importantes projetos de lei partidários”, escreveu David Chao, estrategista de mercado global da Invesco Asset Management, em uma nota. “Menos estímulos fiscais poderiam reduzir a pressão de alta sobre o crescimento dos EUA, a inflação e os rendimentos dos títulos do Tesouro.”

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Nos mercados cambiais, a coroa norueguesa foi a moeda que mais se valorizou entre as principais em relação ao dólar, subindo 0,7%, enquanto o iene e o euro se fortaleceram 0,3% e 0,5%, respectivamente.

“O calcanhar de Aquiles do dólar está sendo exposto”, com sua sorte ligada ao boom da IA, afirmou David Forrester, estrategista sênior do Credit Agricole CIB em Cingapura. “Uma onda azul democrata que sufoque a expansão dos centros de dados e prejudique o boom da IA pesaria sobre o dólar americano.”

O bitcoin chegou a cair 2,8% devido à preocupação de que uma vitória esmagadora dos democratas pudesse paralisar a legislação apoiada pelo setor e trazer um escrutínio mais rigoroso às empresas de ativos digitais. Posteriormente, a criptomoeda recuperou todas as suas perdas.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“Há alguns motivos para esperar que a moeda norte-americana permaneça em desvantagem no novo cenário político. Sua ligação com o setor de inteligência artificial representa um obstáculo, já que o setor é visto como estando em risco devido à nova composição do legislativo em Washington. Será muito mais difícil para os republicanos aprovarem quaisquer medidas de estímulo fiscal para apoiar a economia dos EUA, o que, por extensão, apoiaria o dólar.”

— Conor Cooper, estrategista macroeconômico e colaborador do Squawker.

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