Banco Central interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% após reeleição de Lula

Decisão foi unânime e interrompeu uma sequência de cinco cortes seguidos, em meio ao recuo dos ativos brasileiros após o segundo turno de 25 de outubro e às dúvidas sobre os planos do novo governo sobre a política fiscal

The Central Bank of Brazil Ahead Of Rate Decision
Por Beatriz Reis - Martha Beck
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Bloomberg — O Banco Central manteve a taxa de juros estável, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos depois que a reeleição surpreendente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva agitou os mercados financeiros e piorou as perspectivas para a inflação.

Os formuladores de política monetária liderados por Gabriel Galípolo mantiveram a Selic inalterada em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), como esperado por 26 dos 31 economistas numa pesquisa da Bloomberg. Os demais analistas esperavam um corte de um quarto de ponto, para 13,5%.

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Em comunicado que acompanhou a decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) disse que o movimento é compatível com os esforços para trazer a inflação a um nível em torno de sua meta.

Mas disseram estar diante de um “cenário desafiador para a política monetária”, devido a um aumento significativo da incerteza em torno de seu cenário-base, a expectativas de inflação mais altas e a uma “desaceleração mais pronunciada” da atividade econômica.

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Os ativos brasileiros recuaram após o segundo turno de 25 de outubro, que desmontou as apostas dos investidores de que uma mudança de comando traria uma política fiscal mais rígida e uma postura mais favorável aos negócios.

Leia também: Cortar juros na força bruta é risco, e Selic seguirá alta em 2027, diz CEO do Itaú

Lula gastou bilhões de dólares a mais durante sua campanha pela reeleição, e os gastos sociais são uma marca de sua agenda. As preocupações renovadas com os cofres públicos e um real mais fraco agora ameaçam alimentar a inflação, complicando os esforços para desacelerar a alta dos preços rumo à meta de 3%.

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“As perspectivas à frente são particularmente incertas”, escreveu o economista-chefe da XP, Caio Megale, numa nota antes da decisão sobre os juros. “O Banco Central poderia retomar seu ciclo de afrouxamento se os ativos financeiros brasileiros se estabilizarem e as perspectivas para a inflação melhorarem, ou até elevar a taxa básica se os fundamentos econômicos justificarem.”

Os economistas vêm revisando suas previsões na esteira da eleição. Eles elevaram suas estimativas de inflação ainda mais acima da meta até 2029, segundo uma pesquisa semanal do banco central publicada na terça-feira.

Eles agora veem a Selic em 13,5% no mês que vem, ante 13,25% anteriormente. As previsões de prazo mais longo também mudaram: os juros agora são vistos em 12,5% no fim de 2027 — ante 11,75% antes — enquanto a estimativa para 2028 saltou um ponto percentual inteiro, para 11%.

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A mudança deixa Galípolo e seu colegiado diante de forças contrárias. A atividade econômica — incluindo setores-chave como varejo, produção industrial e criação de empregos formais — mostrou sinais mais claros de desaceleração após meses de política monetária restritiva, o que normalmente reforçaria os argumentos a favor de juros mais baixos.

Mas o selloff da moeda no pós-eleição, as persistentes expectativas de inflação e as dúvidas sobre os planos de gastos de Lula empurram na direção oposta.

Os investidores agora observam sinais de se Lula buscará uma consolidação fiscal em seu quarto mandato ou continuará com uma postura mais expansionista.

Pessoas envolvidas nas atuais discussões com o presidente dizem que, na visão de Lula, uma guinada fiscal brusca agora minaria a própria plataforma que devolveu o líder de esquerda ao poder e correria o risco de afastar seus apoiadores, reportou a Bloomberg News na semana passada.

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