Meta fecha megacontrato com a AMD em data centers e recebe direito a ações

Empresa de Mark Zukerberg assinou acordo para instalar 6 gigawatts em equipamentos de data center baseados em processadores da Advanced Micro Devices; transações valerão ‘dezenas de bilhões de dólares’ por gigawatt, segundo a CEO da AMD, Lisa Su

Cartel fuera de la tienda Meta en Burlingame, California, EE. UU., el viernes 23 de enero de 2026. Meta Platforms Inc. tiene previsto publicar sus resultados financieros el 28 de enero. Fotógrafo: David Paul Morris/Bloomberg
Por Ian King - Riley Griffin
24 de Fevereiro, 2026 | 03:53 PM

Bloomberg — A Meta instalará 6 gigawatts em equipamentos de data center baseados em processadores da Advanced Micro Devices (AMD), em um acordo bilionário que representa um avanço da fabricante de chips em sua tentativa de reduzir a distância para a Nvidia.

A Meta comprará chips da AMD e sistemas projetados para rodar modelos de inteligência artificial ao longo de cinco anos, a partir do segundo semestre de 2026.

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A série de transações valerá “dezenas de bilhões de dólares” por gigawatt, segundo a CEO da AMD, Lisa Su, que não detalhou o valor total.

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Como parte do acordo, a Meta receberá warrants (títulos de opções) para comprar 160 milhões de ações da AMD de forma escalonada, informaram as duas empresas.

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Os papéis serão liberados à medida que o projeto avance e a ação da AMD atinja determinados marcos, o que pode transformar a Meta em uma acionista relevante.

As ações da AMD (AMD) chegaram a subir até 10% em Nova York. Os papéis da Meta (META) avançavam menos de 1%.

IA no centro da estratégia da Meta

O acordo é mais um passo na ofensiva de investimentos da Meta, dona do Facebook e do Instagram. O CEO Mark Zuckterberg colocou a inteligência artificial no centro da estratégia da companhia, prometendo destinar centenas de bilhões de dólares para antecipar de forma agressiva a expansão de capacidade computacional.

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No mês passado, o executivo anunciou a iniciativa Meta Compute, focada em construir “dezenas de gigawatts nesta década e centenas de gigawatts ou mais ao longo do tempo”, para garantir vantagem estratégica sobre concorrentes.

Um gigawatt equivale à capacidade de geração de um reator nuclear — energia suficiente para abastecer cerca de 700 mil residências.

Em teleconferência com analistas, a AMD enfrentou questionamentos sobre a necessidade de oferecer participação acionária a um cliente.

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Investidores perguntaram se o modelo tornaria o acordo menos atraente para os atuais acionistas e se a Meta teria fechado a compra sem esse incentivo — além de indagarem se outros clientes poderiam esperar termos semelhantes.

Lisa Su afirmou que o acordo não servirá de modelo para futuras transações. Segundo ela, a operação contribui de forma significativa para a meta da AMD de expandir rapidamente seu negócio de data centers.

A Meta só terá direito às ações ao concluir as instalações e atingir objetivos técnicos, além de metas para o preço do papel — que podem chegar a US$ 600 — o que implicaria ganhos substanciais prévios para os demais acionistas.

“Sem esse acordo estratégico, teríamos um bom desempenho”, disse. “Mas queremos fazer algo transformacional. Quando se fala em implantações na escala de gigawatts — 6 gigawatts em cinco anos — isso é transformacional para o nosso negócio.”

Ofensiva contra a Nvidia

O anúncio sinaliza que a AMD mantém ritmo frente à Nvidia (NVDA), que revelou na semana passada sua própria parceria com a Meta.

Também mostra que os investimentos em equipamentos de IA continuam acelerando, mesmo com temores de bolha no setor. O aprofundamento dos vínculos financeiros entre fornecedores e clientes alimenta parte dessas preocupações.

Para a Meta, o acordo garante componentes personalizados às suas necessidades e a possibilidade de influenciar o desenho futuro dos semicondutores.

“Nossas ambições são bastante altas”, disse Santosh Janardhan, chefe global de infraestrutura da Meta, responsável pelos data centers e arquitetura técnica. A empresa seguirá desenvolvendo seus próprios chips de IA e continuará comprando da Nvidia, usando diferentes fornecedores para cargas de trabalho distintas.

“Na escala de que estamos falando, há espaço para os três”, afirmou Janardhan.

Ele acrescentou que a empresa ainda não definiu quais data centers utilizarão os novos chips fornecidos pela AMD. Os processadores devem apoiar principalmente a fase de inferência da IA — quando modelos já treinados entram em operação.

Lisa Su disse que a Meta receberá versões customizadas do próximo acelerador da AMD, o MI450, além de produtos sucessores. A possibilidade de especificar com mais precisão suas demandas foi parte da decisão de aprofundar a parceria, segundo Janardhan.

“Queremos crescer em grande escala e acelerar”, disse Su. “Estávamos em um bom caminho com a Meta, mas isso eleva nossa relação a outro patamar.”

A Meta já é o segundo maior cliente da AMD e deve se tornar ainda mais central para o crescimento da fabricante.

A AMD registrou US$ 34,6 bilhões em vendas no ano passado e deve elevar a receita em 34% neste ano, segundo estimativas de Wall Street. Um acréscimo de US$ 10 bilhões em vendas aceleraria seu esforço de ganhar terreno sobre a Nvidia.

Apesar do crescimento, investidores da AMD vêm demonstrando maior ceticismo nas últimas semanas, preocupados com a capacidade das empresas de IA de expandir receita a ponto de justificar suas avaliações. Após alta de 77% em 2025, as ações da AMD acumulavam queda de 8,2% neste ano até segunda-feira.

A parceria com a Meta parte do pressuposto de que os papéis da AMD ainda estariam no início de um ciclo mais longo de valorização. Como destacou Su, parte dos warrants concedidos à Meta só poderá ser exercida se a ação atingir US$ 600. O papel fechou a segunda-feira a US$ 196,60.

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