Raízen corre para aprovar plano de reestruturação sem apoio de bondholders, dizem fontes

Segundo pessoas que falaram com a Bloomberg News, companhia calcula que possui apoio suficiente dos bancos credores e dos detentores de títulos locais para obter a maioria dos votos; empresa não comenta

Raizen
Por Giovanna Belotti Azevedo - Rachel Gamarski - Cristiane Lucchesi

Bloomberg — A Raízen está considerando prosseguir com um plano de reestruturação da dívida, apesar das objeções dos bondholders (os detentores de títulos offshore), calculando que possui apoio suficiente dos bancos credores e dos detentores de títulos locais para obter a maioria dos votos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.

Para aprovar um plano de reestruturação sob as regras de recuperação extrajudicial do Brasil, as empresas precisam da aprovação de detentores de mais de 50% da dívida.

PUBLICIDADE

Os bancos representam 36% da dívida aplicável em uma potencial reestruturação da Raízen, enquanto donos de debêntures e outros papéis locais detêm 22%, de acordo com uma das pessoas.

Isso seria suficiente para avançar com a proposta atual, desde que não haja muitas objeções nesses grupos.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

Em março, a Raízen (RAIZ4) entrou com um pedido de recuperação extrajudicial com uma dívida de R$ 65 bilhões, consequência de alguns investimentos malsucedidos em etanol e querosene de aviação, além de altas taxas de juros e safras abaixo do esperado.

Desde então, a empresa sucroalcooleira e de combustíveis vem negociando com credores para chegar a um acordo de reestruturação e evitar o pedido de recuperação judicial.

Leia também: Ometto avalia comprar terras da Radar em vez de capitalizar a Raízen, dizem fontes

PUBLICIDADE

Detentores de títulos offshore continuam a exigir melhores condições, incluindo as de uma nova dívida que substituiria seus títulos atuais, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por se tratar de informação confidencial. A empresa tem até 8 de junho para apresentar um acordo extrajudicial.

Do ponto de vista de um grupo de detentores de títulos offshore, a probabilidade de um pedido de recuperação judicial está aumentando, disse uma pessoa próxima a eles.

A proposta atual em discussão contempla a conversão de pelo menos 45% da dívida em capital, o que deixaria os credores com 75% a 85% da empresa, disseram duas pessoas. Haverá também um comitê de credores para administrar a empresa, liderado pelo diretor financeiro da Raízen, Lorival Nogueira Luz Jr., acrescentou uma das pessoas.

PUBLICIDADE

A Raízen não comentou.

Leia também: GPA reestrutura R$ 4,6 bi em dívidas: ‘É um dia importante na história’, diz CEO

O bilionário Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen, ofereceu-se para contribuir com R$ 500 milhões em capital novo para a reestruturação, mas os credores rejeitaram sua insistência em permanecer como chairman, disseram as pessoas.

Ações da Raízen (RAIZ4)

1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Agora é improvável que ele faça uma contribuição de capital significativa, e a proposta atualmente em discussão não inclui seu aporte, acrescentaram.

Ometto está considerando adquirir parte do portfólio de terras agrícolas da Radar, unidade de gestão de terras da Cosan, o que provavelmente limitaria sua capacidade de contribuir com capital para a Raízen, disse a Bloomberg News no início desta semana. Ometto não quis comentar.

A Shell, coproprietária da Raízen por meio de uma joint venture com a Cosan de Ometto, manteve seu compromisso de injetar R$ 3,5 bilhões em capital novo para a reestruturação.

Em fevereiro, a S&P reduziu a classificação da empresa em sete níveis, em um dos maiores rebaixamentos já feitos para uma empresa brasileira. A Fitch Ratings rebaixou a classificação em oito níveis.

Durante as reuniões com credores após o pedido de recuperação extrajudicial, os acionistas controladores resistiram às exigências para injetar mais capital no negócio do que estavam dispostos, enquanto os credores pressionaram por mudanças na governança, incluindo a saída de Ometto, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Daniel Goldberg, da Lumina, vê oportunidade em ‘mini ciclos’ de crédito no Brasil

Crise de caixa impede Braskem Idesa de elevar produção e aproveitar alta do petróleo

Alliança capta R$ 76 mi em empréstimo emergencial diante de ‘esvaziamento’ do caixa