Bloomberg Línea — A Bradsaúde (SAUD3) pagará R$ 59,2 milhões à Rede D’Or São Luiz (RDOR3) pela fatia de 49,99% nos imóveis do futuro Hospital São Conrado D’Or, no Rio de Janeiro.
De acordo com comunicados enviados pelas duas companhias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta terça-feira (26), a operação inclui os ativos imobiliários do bairro carioca na joint venture Atlântica D’Or, parceria criada em maio de 2024 para a construção e operação conjunta de hospitais.
A verticalização tem orientado as principais movimentações de fusões e aquisições no setor de saúde suplementar brasileiro nos últimos anos.
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Operadoras de planos vêm comprando ou se associando a prestadores hospitalares para reduzir os custos assistenciais, o principal vetor de pressão sobre as margens do setor, medido pela sinistralidade (relação entre despesas com sinistros e receita de prêmios).
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O modelo verticalizado tem na Hapvida NotreDame Intermédica (HAPV3) um de seus expoentes mais agressivos, com hospitais próprios atrelados à operadora. A Amil seguiu trajetória semelhante por anos.
A Bradsaúde, por sua vez, optou por um caminho intermediário: investir nos ativos imobiliários e deixar a gestão médica nas mãos de operadores especializados, no caso a Rede D’Or, líder do setor hospitalar privado no país.
A operação foi celebrada entre a Rede D’Or e duas controladas indiretas da Bradsaúde voltadas ao investimento em hospitais: a Atlântica Hospitais e Participações e a Atlântica Empreendimentos Imobiliários.
Pelos termos divulgados do acordo, a estrutura societária permanece inalterada, com 50,01% das ações em poder da Rede D’Or e 49,99% da Atlântica.
O pagamento será feito em dinheiro, parte à vista e parte em até seis meses contados da data de fechamento. Concluída a obra, a gestão médica do hospital ficará sob responsabilidade da Rede D’Or, como ocorre nas demais unidades da rede.
“A expansão da parceria com a Rede D’Or está alinhada com a estratégia da Atlântica de investir na cadeia de valor do setor de saúde por meio de parcerias com players estabelecidos na operação de hospitais”, informou a Bradsaúde em comunicado.
A Atlântica D’Or nasceu há dois anos com três hospitais gerais (São Luiz Guarulhos e São Luiz Alphaville, em São Paulo, e Macaé D’Or, no Rio de Janeiro), viabilizados com um plano inicial de investimentos de R$ 1,15 bilhão.
Desde então, a joint venture passou a operar também o Hospital Glória D’Or, na capital fluminense, e a Maternidade São Luiz Star.
Expansão acelerada
O acordo eleva para dez o número de ativos sob o guarda-chuva da Atlântica D’Or. Atualmente, a joint venture tem seis hospitais em operação (Macaé D’Or e Glória D’Or, no Rio de Janeiro; São Luiz Guarulhos, São Luiz Alphaville e São Luiz Campinas, em São Paulo; e a Maternidade São Luiz Star, na capital paulista).
Outras duas unidades estão em construção, em Ribeirão Preto e Taubaté, no interior paulista, com inauguração prevista ainda para 2026.
Em março, a parceria anunciou ainda um projeto em Sorocaba (SP), com entrega prevista para 2028.
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O acordo foi divulgado poucas semanas após a estreia da Bradsaúde na B3, em 5 de maio, sob o novo ticker SAUD3, em uma operação de IPO reverso que reuniu, na antiga Odontoprev, todos os ativos de saúde do Bradesco (BBDC4), incluindo a Bradesco Saúde, segunda maior operadora de planos médico-hospitalares do país, e a participação no Fleury (FLRY3), no segmento de medicina diagnóstica.
A nova holding nasceu com receita estimada de R$ 52 bilhões e lucro líquido próximo de R$ 3,6 bilhões.
Aceleração de greenfield
Em relatório divulgado recentemente, os analistas Maria Resende e Samuel Alves, do BTG Pactual, classificaram a Atlântica D’Or como “o maior investimento hospitalar do portfólio da Bradsaúde” e projetaram aceleração dos projetos greenfield, termo do setor para empreendimentos construídos do zero, após a reorganização societária.
A próxima inauguração esperada é o hospital de Ribeirão Preto, no interior paulista, marca São Luiz, anexo ao RibeirãoShopping, com investimento estimado em R$ 250 milhões. Outra unidade em Taubaté também está no radar.
O acordo do Hospital São Conrado D’Or ainda depende do cumprimento de condições suspensivas usuais, incluindo aprovações regulatórias da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
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