Bloomberg — Os produtores e comerciantes brasileiros de algodão estão prontos para lucrar com uma alta impulsionada por dois eventos díspares: a guerra do Irã e a seca.
Os preços do algodão subiram mais de 20% este ano e, neste mês, atingiram o maior valor desde 2024.
A demanda tem mudado para a fibra natural depois que o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz reduziu os embarques de nafta, um subproduto petroquímico usado para fabricar fibras sintéticas concorrentes.
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As previsões de clima seco nas áreas de cultivo dos EUA contribuíram para a alta.
Tudo isso criou uma janela de oportunidade para que os agricultores brasileiros, bem abastecidos, aumentassem as exportações e capitalizassem os preços mais altos.
O Brasil está a caminho de registrar um recorde de vendas de algodão de 3,1 milhões de toneladas na temporada que termina em junho, de acordo com o grupo de exportação Anea.
Isso representaria um aumento de cerca de 9% em relação à temporada anterior.
A demanda da China, juntamente com a remoção temporária das tarifas de importação da Índia, impulsionou os embarques, segundo dados comerciais. O país sul-americano é o maior exportador mundial da commodity, ultrapassando os EUA.
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Agricultores como Sergio Pitt, que cultiva algodão no estado da Bahia, no Brasil, estão prontos para lucrar. Antes da alta deste ano, ele havia fechado vendas para cerca de um terço de sua produção. Depois que os futuros subiram, Pitt rapidamente fez acordos para aumentar suas vendas para 90% da safra que começará a colher no próximo mês.
“Meu preço médio de venda este ano será cerca de 10% mais alto”, disse Pitt.

O impulso para os produtores brasileiros de algodão não poderia vir em melhor hora, já que os agricultores do país enfrentam pressões financeiras.
Custos mais altos de fertilizantes, negociações paralisadas de reestruturação de dívidas rurais e condições de crédito mais apertadas estão pressionando os produtores agrícolas do país.
Os preços de produtos agrícolas como o café e o açúcar caíram nos últimos 12 meses, tornando o algodão um raro ponto positivo.
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O Brasil é relativamente novo no mundo do algodão, mas teve uma rápida ascensão ao topo. O país sul-americano deixou de ser um importador líquido na década de 1990 e atualmente é o primeiro exportador.
O país agora responde por cerca de um terço dos embarques globais, segundo dados da Anea.
Historicamente, os EUA eram o principal exportador da fibra. Mas anos de clima seco nas principais regiões de cultivo, inclusive no Texas, reduziram a produção.
Enquanto isso, as condições climáticas estáveis no Centro-Oeste do Brasil o tornam uma região de safra confiável e estável, disse Gil Barabach, analista da empresa de consultoria agrícola Safras & Mercados.
Os fortes laços com grandes parceiros comerciais na Ásia também favorecem os negócios locais de algodão.
“O Brasil ganhou muita participação no mercado global graças ao seu bom relacionamento com a China”, disse Barabach. O país asiático é o maior importador do mundo.
A perspectiva favorável significa que Pitt, o fazendeiro na Bahia, planeja aumentar o tamanho de sua área de algodão no próximo ano agrícola. Ele já comprou os produtos químicos necessários para o plantio, aproveitando uma situação financeira melhor graças à alta do preço do algodão.
Uma grave quebra de safra no Cinturão do Algodão dos EUA poderia levar a preços ainda mais altos.
Nesse cenário, os futuros poderiam subir acentuadamente para cerca de US$ 1 por libra, disse Danny Van Namen, sócio da corretora de algodão Artigas. Os futuros em Nova York estão sendo negociados atualmente perto de 80 centavos de dólar por libra-peso.
“O Brasil é uma das origens mais eficientes do mundo”, disse Van Namen. “Os agricultores continuarão produzindo algodão, independentemente do preço.”
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