Bloomberg — O avanço dos futuros de ações dos EUA fizeram uma pausa no ritmo de subida após uma sequência de quatro dias de alta, enquanto os investidores avaliavam os resultados mais recentes das gigantes de tecnologia. Ao mesmo tempo, o petróleo registrou leve alta, com uma nova ameaça ao transporte marítimo no Oriente Médio atenuando o otimismo em relação às negociações entre EUA e Irã.
Os futuros do S&P 500 subiram 0,2%, sinalizando novos ganhos em Wall Street após uma alta nas ações do setor de tecnologia ter levado o índice a uma máxima histórica. A Nvidia subiu nas negociações pré-mercado depois que sua principal parceira, a Hon Hai Precision Industry, divulgou um aumento de 54,2% nas vendas mensais, sinalizando uma demanda sustentada na expansão da infraestrutura global de IA.
No entanto, um tom cauteloso persistiu, já que as ações da SpaceX caíram 8% no pré-mercado, após a empresa projetar gastos acima do esperado em seus negócios de IA. A Advanced Micro Devices registrou queda de cerca de 7% após uma perspectiva de vendas abaixo das expectativas.
O petróleo Brent recuperou parte da queda de 5,3% registrada na terça-feira, mas manteve-se em torno de US$ 80 por barril depois que a Axios informou que Washington, Teerã e Omã estavam próximos de um acordo para retomar o fluxo de petróleo pelo Estreito. Os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram ligeiramente e o ouro subiu, à medida que os operadores moderaram as expectativas de aumentos nas taxas de juros.
“À medida que os preços do petróleo voltam à faixa de US$ 75 a US$ 80, os mercados podem se concentrar nos fundamentos, que continuam robustos”, afirmou Mohit Kumar, estrategista da Jefferies International. “Os lucros têm sido sólidos e ainda há muita liquidez no mercado. O posicionamento está muito claro, o que cria um bom cenário para uma nova alta nos ativos de risco.”
Os resultados sólidos das megacaps do setor de tecnologia, somados à recente correção, levaram as valorizações a níveis mais razoáveis, ajudando a restaurar a confiança dos investidores após um período de volatilidade nas ações de IA que provocou perdas em vários fundos de hedge no mês passado.
“Embora tenha havido alguma decepção no nível micro, os números continuam confirmando que a tendência macroeconômica geral permanece intacta, uma vez que comprovam a durabilidade da expansão da infraestrutura de computação”, afirmou Stephan Kemper, diretor de investimentos da BNP Paribas Wealth Management Germany. “Assim, o setor de tecnologia como um todo pode se beneficiar, mesmo que algumas empresas específicas sofram.”
O Índice MSCI World Semiconductor havia caído mais de 20% em relação ao seu pico em junho, impulsionado por preocupações com a sustentabilidade do boom de gastos com IA e com o avanço da fabricação de chips de ponta na China. O índice se recuperou 15% desde então, elevando seus ganhos neste ano para 42%.
Anteriormente, um índice de chips dos EUA registrou seu maior ganho em quatro dias desde 2020.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg: “A mudança mais ampla, afastando-se da exposição exclusiva ao hardware, já remodelou o desempenho das ações globalmente. Se a primeira fase da alta da IA foi marcada por chips e equipamentos ópticos, a próxima fase poderá pertencer cada vez mais às plataformas que colocam a tecnologia em prática.” Andre de Silva, estrategista, Markets Live.

🔘 As bolsas na terça-feira (04/08): Dow Jones Industrials (+1,71%), S&P 500 (+1,79%), Nasdaq Composite (+2,59%), Stoxx 600 (+0,73%), Ibovespa (-0,06%)
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (5 de agosto):
- Negociações no Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo sobre o Estreito de Ormuz pode ser alcançado já nesta quarta-feira (5), à medida que crescem as expectativas quanto a um acordo que permita a reabertura dessa via navegável crucial para os mercados de energia.
- Disputa China x EUA. Pequim reforçou os controles sobre as exportações de drones para os Estados Unidos e impôs sanções a várias empresas americanas, em uma série de medidas retaliatórias contra as crescentes restrições tecnológicas impostas por Washington.
- Luxo em alta. As vendas da Chanel registraram um crescimento de dois dígitos no primeiro semestre, superando rivais do setor de luxo, incluindo a LVMH. A receita da marca subiu 16%, segundo uma fonte a par dos resultados ouvida pela Bloomberg News, impulsionada pelas vendas de peças de moda do estilista Matthieu Blazy.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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