Para JPMorgan, esta fintech pode ser referência para medir a aposta do Nubank nos EUA

Dave, avaliada em US$ 5 bilhões e voltada a quem gasta o salário inteiro antes de receber o próximo, virou parâmetro do JPMorgan para medir se o Nubank pode repetir nos EUA o modelo que funcionou no Brasil

Fintech Dave, na torre da Nasdaq
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Bloomberg Línea — A fintech americana Dave (DAVE), em bolsa desde 2022, virou parâmetro de analistas do JPMorgan para medir a aposta do Nubank (NU) nos Estados Unidos.

A Dave atende consumidores que gastam o salário inteiro antes de receber o próximo, sem reserva financeira para emergências, perfil chamado de “paycheck to paycheck” nos EUA.

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Na visão dos analistas do JP Morgan, o modelo é semelhante ao que sustentou o crescimento inicial do Nubank no Brasil, onde a fintech soma mais de 118 milhões de clientes.

Por essa razão, o desempenho da Dave funciona como termômetro para saber se a Nubank pode repetir a fórmula no mercado americano, de acordo com os analistas do JP Morgan em relatório com data de 15 de setembro.


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O relatório, assinado pelo analista Connor Allen, chega dias depois de o Nubank, avaliado em cerca de US$ 68 bilhões, estrear oficialmente nos EUA. Em 10 de setembro, a fintech brasileira lançou conta remunerada a 3,5% ao ano e cartão de crédito com cashback de 1,5%.

A operação roda pelo parceiro Lead Bank enquanto o Nubank aguarda aprovação final de sua própria licença bancária nacional, já com aval condicional obtido em janeiro.

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O JPMorgan aponta qual variável decide essa disputa. “Escala de crédito, não preço, é o diferencial”, diz o relatório, ao citar pesquisa própria em que consumidores dizem escolher provedores pelo limite oferecido e pela taxa de aprovação, não pela tarifa mais baixa.

O dado ajuda a entender o tamanho do desafio. O mercado de empréstimos rápidos e de baixo valor nos EUA é estimado pelo banco em até US$ 70 bilhões, mas a Dave concorre com rivais que já têm escala consolidada, como Chime, com 10 milhões de usuários, e Cash App, com 59 milhões.

Sem histórico de crédito construído localmente, o Nubank parte em desvantagem justamente no fator que o JPMorgan considera decisivo para vencer.

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Ações da Nu Holdings (NU)

13.26USD+4.74%
+0.60 USD
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

A oferta inicial do Nubank nos EUA, porém, não inclui produtos de crédito de pequeno valor como os da Dave. O foco declarado é outro, remessas internacionais, mercado estimado pela própria fintech em US$ 100 bilhões enviados anualmente por consumidores dos EUA para outros países, hoje sujeitos a tarifas de até 10%.

Em entrevista à Bloomberg News, o fundador e CEO David Vélez tratou a operação americana como aposta de longuíssimo prazo. “Vai exigir mais de uma década”, disse o executivo, ao afirmar que a empresa pretende testar a demanda entre latino americanos residentes no país antes de mirar o consumidor americano em geral.

A cautela de Vélez contrasta com a leitura do Bank of America, que, em outro relatório separado, classificou o lançamento como sinal de que os Estados Unidos deixaram de ser aposta de médio prazo para virar prioridade estratégica da companhia, o que pode exigir ciclo de investimento maior do que o mercado previa.

Leia também: Nubank tem vantagem competitiva ‘abismal’ nos Estados Unidos, diz David Vélez

Há também o fator regulatório. A Dave estrutura seus adiantamentos como tarifa de serviço, não como juros, o que a mantém parcialmente protegida de fiscalização mais rígida.

Ainda assim, enfrenta ação em curso movida pela Comissão Federal de Comércio e pelo Departamento de Justiça dos EUA, tratada pelo próprio relatório como alerta para qualquer novo entrante no setor.

Para investidores que acompanham o Nubank, a comparação com a Dave funciona como dois sinais ao mesmo tempo.

De um lado, confirma que o mercado de microcrédito nos EUA é grande o suficiente para justificar a entrada da fintech brasileira no país.

De outro, mostra que a métrica que separa vencedores de perdedores nesse mercado, escala de crédito construída ao longo do tempo, ainda não existe do lado do Nubank em solo americano.

Ações da Dave (DAVE)

340.08USD+5.65%
+18.19 USD
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

A aposta nos EUA avança enquanto a operação mexicana da Nubank mostra sinais contraditórios: lucro em queda, mas depósitos estabilizados.

Outro relatório do JPMorgan do último dia 22 de setembro, assinado pelo analista Yuri Fernandes, mostra cenário misto na unidade mexicana do Nubank em julho: o lucro líquido caiu 66% em relação a junho, para US$ 2 milhões, com retorno sobre patrimônio de apenas 3%, pressionado por provisões que subiram 20% no mês e dobraram em 12 meses, além de inadimplência de 7%.

Por outro lado, os depósitos pararam de cair após meses de saídas, e a margem financeira melhorou, observou o analista.

Para o banco, o resultado é “misto, mas a lucratividade sustentada deve ser bem recebida pelos investidores”, que mantém recomendação de compra para a ação e a considera atrativa a 12,1 vezes o lucro projetado para 2027.

O Nubank reporta seu próximo balanço em novembro. Até lá, o mercado vai acompanhar se a fintech brasileira amplia sua oferta nos EUA para além de remessas e contas remuneradas, ou se mantém distância do segmento que fez a fortuna da Dave.

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