Petróleo sobe com impasse no Irã, bolsas caem e mercado aposta em alta de juros nos EUA

Perspectiva de manutenção das tensões no Oriente Médio pressiona futuros de ações e leva rendimentos dos Treasuries para perto das máximas

PUBLICIDADE

Bloomberg — Os futuros de ações dos EUA caíram, e os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram, à medida que as esperanças cada vez menores de um avanço iminente na crise com o Irã impulsionaram os preços do petróleo e reacenderam as preocupações de que a inflação esteja se intensificando.

A recusa de Teerã em flexibilizar suas condições para reabrir o Estreito de Ormuz e os sinais contraditórios do presidente Donald Trump sobre novas negociações levaram o petróleo Brent a ultrapassar os US$ 107 por barril.

PUBLICIDADE

Os títulos do Tesouro dos EUA caíram em toda a curva de rendimentos, à medida que os operadores aumentaram as apostas em aumentos das taxas de juros nos EUA, elevando o rendimento dos títulos de dois anos em cinco pontos-base, para 4,91%.


⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


Os futuros do Nasdaq 100 caíram 0,9%. As fabricantes de semicondutores estiveram entre as que mais recuaram nos mercados asiáticos.

PUBLICIDADE

Os contratos do S&P 500 recuaram 0,4%. O índice europeu Stoxx 600 contrariou a tendência geral, subindo 0,4% com a recuperação das ações do setor de consumo. O dólar oscilou, enquanto o ouro registrou sua maior queda em um mês.

Os rendimentos médios dos títulos estão em máximas de várias décadas.

Os investidores estão lidando com riscos geopolíticos e pressões crescentes sobre os preços, mesmo com a lucratividade das empresas permanecendo robusta e as principais economias demonstrando resiliência.

Por enquanto, o petróleo mantém os rendimentos dos títulos próximos a máximas de vários anos, com a pressão das taxas se refletindo em outras classes de ativos.

PUBLICIDADE

Leia também: Trump e Xi aliviam guerra comercial com corte de tarifas sobre US$ 60 bi em produtos

“Muitos fatores estão prejudicando as ações no momento: o petróleo está em alta e os rendimentos dos títulos estão disparando”, afirmou Laurent Lamagnere, da AlphaValue. “É bastante difícil ser otimista.”

A perspectiva de aumentos iminentes nas taxas fez com que o ouro ampliasse suas perdas em setembro para mais de 6%. O aumento dos rendimentos diminuiu o apelo do metal precioso, que não rende juros. Os investidores estimam uma probabilidade de cerca de 70% de um aumento nas taxas pelo Federal Reserve no próximo mês, ante cerca de 65% na sexta-feira.

PUBLICIDADE

No Reino Unido, as ações das construtoras dispararam depois que o governo anunciou um programa de empréstimos para ajudar compradores de primeira moradia. A Taylor Wimpey subiu 14%, enquanto a Persimmon registrou alta de 15% e a Barratt Redrow avançou 14%.

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“O ouro está aprofundando suas recentes quedas, em consonância com sua correlação inversa com os movimentos no complexo do petróleo, à medida que os investidores do mercado de títulos assumem o papel de endurecer as condições em nome dos bancos centrais. Diante de um reajuste estrutural das taxas de juros globais para níveis mais elevados, a desvalorização do ouro parece destinada a perdurar por mais tempo desta vez.”

→ Assine a newsletter matinal Breakfast, uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque em negócios e finanças no Brasil e no mundo.

-- Com informações da Bloomberg News.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também

BTG Pactual quer facilitar a vida financeira de quem estuda no exterior, diz CEO