Bloomberg — A MBRF (MBRF3) decidiu adiar uma possível emissão de bonds (títulos) de alto risco, depois que uma onda de vendas de títulos em todo o mundo fez com que os custos de financiamento disparassem.
A produtora brasileira de carne, que planejava vender títulos com vencimento em sete ou dez anos, optou por recuar após conversas com investidores no início desta semana, segundo uma pessoa a par do assunto que falou com a Bloomberg News.
A transação teria sido sua primeira emissão de títulos de alto rendimento em dólares americanos em cinco anos.
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“Qualquer possível captação de recursos está sujeita às condições vigentes do mercado”, afirmou um porta-voz da MBRF em resposta por e-mail a perguntas da Bloomberg News. “A empresa continuará avaliando o momento mais adequado para um eventual acesso aos mercados internacionais.”
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Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA atingiram brevemente seus níveis mais altos desde 2002 na quinta-feira (1º), prolongando uma alta que elevou os custos de financiamento para empresas que buscam financiar investimentos ou refinanciar dívidas.
Os retornos dos títulos corporativos norte-americanos com classificação de alto risco registraram suas maiores perdas mensais e trimestrais desde 2022 no período encerrado em 30 de setembro.
Para a MBRF, trata-se de um revés em um momento em que uma desaceleração em suas operações de carne bovina nos Estados Unidos e as altas taxas de juros estão dificultando os esforços para reduzir o endividamento.
Anteriormente conhecida como Marfrig, a empresa fundada por seu presidente, Marcos Molina, tornou-se um gigante do setor alimentício — com operações que abrangem desde frango e carne suína até pizzas congeladas e lasanhas — após a aquisição da BRF, concluída no ano passado.
Ainda assim, os lucros têm sido limitados por uma grave escassez de gado que está prejudicando seu negócio de carne bovina nos Estados Unidos — o maior da MBRF — e pelo aumento do custo do serviço de sua dívida de aproximadamente R$ 45 bilhões.
No segundo trimestre, as despesas com juros aumentaram cerca de 20% em relação ao ano anterior, consumindo aproximadamente três quartos do fluxo de caixa operacional da produtora de carne, de acordo com um balanço financeiro.
A dívida líquida da empresa subiu gradualmente nos últimos trimestres, atingindo cerca de 3,4 vezes o lucro antes de itens como juros e impostos nos três meses encerrados em junho.
O ambiente de mercado adverso — que também inclui restrições às exportações para a China — significa que é improvável que a empresa consiga iniciar o processo de desalavancagem antes de 2027, afirmou a Fitch Ratings nesta segunda-feira em uma nota aos clientes.
No início desta semana, a empresa anunciou uma oferta para recomprar um título com vencimento em 2029.
O jornal brasileiro Valor Econômico havia noticiado anteriormente o adiamento dos planos de venda de títulos.
-- Com colaboração de Dayanne Sousa.
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