EUA e Irã concordam em suspender ataques mútuos antes de negociações sobre Ormuz

Autoridade norte-americana afirmou que embarcações poderão circular livremente enquanto retomam discussões sobre um acordo provisório para restaurar o tráfego no Estreito de Ormuz

O entendimento entre Washington e Teerã ocorre após dias de escalada militar que elevaram os riscos para a navegação no Estreito de Ormuz.
Por Skylar Woodhouse - Se Young Lee

Bloomberg — Os EUA e o Irã concordaram em cessar os ataques mútuos antes do reinício das negociações de paz, nesta semana, sobre o Estreito de Ormuz e outras questões.

Uma autoridade norte-americana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as negociações técnicas devem continuar sobre todos os aspectos de um memorando de entendimento firmado neste mês, acrescentando que ambos os lados vão se conter por enquanto e que as embarcações poderão circular livremente.

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A troca de ataques começou na quinta-feira na via navegável pela qual, em tempos, circulava um quinto do petróleo e do gás do mundo, com a República Islâmica atacando um navio porta-contêineres.

Isso levou Washington a atacar o Irã no dia seguinte. Os EUA atacaram novamente na madrugada de sábado, depois que Teerã atacou uma embarcação que transportava petróleo do Catar. Ambos os lados culparam o outro por violar o cessar-fogo.


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A violência intensificou as tensões após o acordo de paz provisório entre os EUA e o Irã, firmado neste mês, e corre o risco de retardar o progresso no sentido de restaurar o tráfego pelo estreito vital aos níveis pré-guerra. Esperava-se que as negociações sobre os detalhes do acordo provisório fossem retomadas esta semana em Doha.

Os futuros dos índices de ações dos EUA subiram após notícias de que os EUA e o Irã haviam evitado uma nova escalada. Um clima de cautela prevaleceu nos mercados de energia, com o petróleo Brent subindo até 1,9%, para mais de US$ 73 o barril, antes de recuar e ser negociado em torno de US$ 72,40.

Trocas de ataques

Na mais recente onda de ataques no domingo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou ter lançado mísseis e drones contra a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, e a base naval da 5ª Frota, no Porto de Salman, no Bahrein.

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O Kuwait informou ter interceptado dois mísseis e que não houve danos materiais nem feridos. O Bahrein relatou que um prédio residencial foi atingido, mas afirmou que não houve vítimas fatais.

Os EUA afirmaram no sábado que atacaram alvos militares iranianos.

“Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de agir com sensatez e seremos forçados a concluir militarmente a tarefa que iniciamos com muito sucesso”, afirmou o presidente Donald Trump no sábado, em uma postagem no Truth Social, após os últimos ataques ao Irã.

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O Centro Conjunto de Informações Marítimas elevou, no sábado, o nível de ameaça à segurança no Estreito de Ormuz para “substancial” após um petroleiro ter sido atingido e publicou uma área de alerta para possíveis minas que abrange grande parte da rota de trânsito habitual.

O centro informou ainda que a rota de Omã recomendada pelas marinhas ocidentais havia sido ampliada para permitir que os navios transitassem em ambas as direções simultaneamente.

Leia também: Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz e marinhas elevam alerta de ameaça

Várias embarcações estavam cruzando o estreito na madrugada de domingo, utilizando tanto a rota designada de Omã quanto a do Irã.

Teerã tem repetidamente atacado os países do Golfo que abrigam bases militares americanas e milhares de soldados desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro.

Por outro lado, Israel afirmou ter destruído infraestrutura subterrânea do Hezbollah no sul do Líbano.

O país havia acordado com o Líbano um cessar-fogo, mas o Hezbollah — que os EUA consideram um grupo terrorista e que é alvo de Israel no Líbano — declarou que o cessar-fogo era “nulo”. O Irã incluiu a guerra de Israel contra o Hezbollah — apoiado pelo Irã — como parte do acordo provisório, embora Israel não fosse parte do acordo.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou no domingo que, com base em um acordo agora conhecido como Memorando de Entendimento de Islamabad, “as medidas de controle de tráfego no Estreito de Ormuz estão a cargo do Irã e, a partir de agora, os navios que violarem essas medidas serão tratados com mais rigor do que antes”, informou a Press TV em uma publicação no X.

Os dois lados continuam a discutir sobre disposições-chave, incluindo se o Irã cobrará pedágios ou outros custos dos navios que pretendam passar pelo Estreito de Ormuz e um cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

Omã informou a autoridades europeias que os navios podem, em última instância, ter que arcar com algumas taxas, informou a Bloomberg anteriormente.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, visitou o vizinho Iraque no domingo e afirmou ter discutido o acordo com os EUA com autoridades em Bagdá.

O Irã é o único responsável pela restauração do tráfego no Estreito de Ormuz e qualquer interferência corre o risco de agravar a situação, afirmou ele em uma coletiva de imprensa televisionada ao lado de seu homólogo iraquiano.

A decisão de Trump de atacar demonstra que ele está disposto a usar força militar para manter a liberdade de navegação no estreito. Os ataques do Irã, no entanto, mostraram que o país buscará manter o controle da via navegável, que está praticamente fechada desde logo após o início da guerra.

--Com a colaboração de Alex Longley, Tim Smith, Jon Herskovitz, Matthew Burgess e Paul Abelsky.

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