Bloomberg Opinion — Houve um momento, não há muito tempo, em que parecia que o mundo corporativo americano poderia estar no início de uma era de ouro para as diretoras executivas. Mas isso não ficava evidente ao olhar para o topo dos organogramas das grandes empresas, onde o número de CEOs chamados John era quase tão grande quanto o número total de CEOs mulheres.
No entanto, logo atrás deles, um grupo de mulheres disputava a chance de assumir a liderança de algumas das maiores empresas dos EUA, incluindo Walmart, JPMorgan Chase, Walt Disney e Apple.
Até quinta-feira (25), quando o JPMorgan anunciou que Marianne Lake, sua diretora de serviços bancários ao cliente, deixaria o cargo, nenhuma dessas candidatas continuava na disputa. Uma a uma, todas foram preteridas ou desistiram da disputa pelo cargo. Com exceção do JPMorgan, os CEOs homens de todas essas empresas da Fortune 500 passaram o bastão da presidência para outros homens.
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E, a menos que haja um candidato surpresa na disputa pelo cargo de CEO no JPMorgan que ainda não conheçamos, Jamie Dimon fará o mesmo quando, eventualmente, deixar o cargo. Lake foi excluída da disputa pelo cargo de CEO; ela vai se aposentar em vez de aceitar um cargo de menor importância quando sua função atual for transferida para um dos possíveis sucessores de Dimon.
No ano passado, o JPMorgan perdeu sua outra principal candidata a CEO quando Jennifer Piepszak afirmou que não queria ser considerada para suceder Dimon naquele momento, preferindo, em vez disso, atuar “em apoio à alta liderança”.
Em conjunto, é difícil atribuir todos esses exemplos a um acaso quando os dados gerais apontam para um padrão claro. O número de mulheres à frente de empresas da Fortune 500 permanece teimosamente estável ano após ano, em 11%.
Nesse ritmo de progresso (se é que se pode chamar assim), levará cerca de 100 anos para que as mulheres alcancem a paridade com os homens nos cargos de alta direção. No S&P 1500, as nomeações de CEOs mulheres caíram para 9% no ano passado, ante valores na casa dos 15% nos dois anos anteriores.
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A regressão nos números acompanhou uma regressão na cultura corporativa. Quando mais uma pesquisa deprimente foi divulgada sobre a situação das mulheres no mundo dos negócios, as executivas estão “vendo suas empresas eliminarem acordos de trabalho flexíveis, sem levar em conta o impacto que isso tem sobre as mulheres trabalhadoras, que foram as que mais se beneficiaram com eles. Elas absorveram os recentes apelos por mais ‘energia masculina’ e agressividade no mundo corporativo americano. Elas ouviram os CEOs dizerem que a DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) foi longe demais, mesmo com a diferença salarial entre homens e mulheres aumentando pelo segundo ano consecutivo.”
Os obstáculos não desaparecem para as mulheres mesmo depois que elas alcançam os níveis mais altos. Esse relatório, elaborado pela consultoria McKinsey e pela organização sem fins lucrativos de defesa das mulheres LeanIn.org, constatou que mulheres em cargos de liderança têm menos chances de receber oportunidades de treinamento e apoio profissional em comparação com seus colegas homens.
Elas apresentam altos níveis de esgotamento e temem que seu gênero possa impedir seu progresso. E embora estejam tão motivadas quanto os homens do mesmo nível a dar o melhor de si e considerem suas carreiras tão importantes quanto eles, elas são menos propensas a buscar uma promoção — em parte porque já foram preteridas antes e veem esses cargos de liderança como inatingíveis. Os dados mostram que elas não estão erradas.
Há também algo acontecendo nas salas de reunião que vale a pena explorar. Em tempos de incerteza e mudanças rápidas como os atuais, os conselhos de administração tendem a recorrer ao que conhecem e ao que parece seguro e menos arriscado — o que é conhecido como viés do status quo.
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Quando se trata de CEOs, o status quo são homens brancos. Enquanto isso, o ambiente antidiversidade defendido pelo governo Trump deu aos conselhos de administração uma desculpa para considerar listas de candidatos menos diversificadas.
Esse fenômeno também está ocorrendo no nível dos conselhos de administração. A Bloomberg News informou nesta semana que 60% dos cargos nos conselhos das empresas do S&P 500 foram ocupados por homens brancos até agora neste ano — a maior proporção em uma década, de acordo com a empresa de pesquisa ISS-Corporate.
Alguns dos motivos apontados pelos especialistas: as empresas estão deixando a diversidade em segundo plano e “buscam agir com cautela em uma economia incerta”. Essas escolhas se refletem na alta administração; vários estudos mostraram que conselhos mais diversificados têm maior probabilidade de nomear CEOs mulheres.
O problema do “funil de talentos” costuma ser apontado como responsável pela escassez de CEOs mulheres — a desculpa de que as mulheres não chegam ao topo porque não há um número suficiente de candidatas qualificadas para escolher. Mas sabemos, a partir dessa “era de ouro” que ficou fora de alcance, que o talento existia. Os conselhos simplesmente decidiram não escolhê-lo.
Esta coluna reflete as opiniões pessoais do autor e não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial ou da Bloomberg LP e de seus proprietários.
Beth Kowitt é colunista da Bloomberg Opinion e cobre o mundo corporativo dos Estados Unidos. Foi redatora e editora sênior da revista Fortune.
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