Bloomberg — Um navio que transportava petróleo do Catar foi atacado no Estreito de Ormuz, e as autoridades navais elevaram o nível de ameaça à navegação na região — mais um sinal do aumento das tensões em torno do ponto de estrangulamento energético mais importante do mundo.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou que um petroleiro sofreu danos na ponte de comando após ser atingido por um projétil não identificado no Estreito de Ormuz. A tripulação do navio está a salvo e não houve danos ambientais, segundo o centro.
Em uma atualização, o Centro Conjunto de Informações Marítimas — que atua como elo de ligação entre as marinhas e a navegação mercante — elevou o nível de ameaça para os navios na região para “substancial”, em decorrência dos recentes ataques.
O ataque de sábado é o segundo contra um navio mercante nesta semana e representa uma nova onda de risco para uma via navegável que vinha sendo gradualmente reaberta após os EUA e o Irã firmarem um acordo de paz provisório no início do mês.
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Antes do incidente, as embarcações continuavam a transitar pelo Estreito de Ormuz pelo lado iraniano e por uma rota omanita recomendada pelas marinhas ocidentais — inclusive na manhã deste sábado.
Ainda não há confirmação se o ataque ao petroleiro afetou as travessias subsequentes, mas milhões de barris de petróleo por dia já atravessavam o Estreito de Ormuz mesmo antes de os EUA e o Irã assinarem o acordo provisório. Muitas dessas embarcações faziam a travessia com seus sinais de satélite desligados.
A embarcação atingida era um superpetroleiro carregado, segundo a Vanguard Tech. Ela transportava barris carregados no Catar, segundo dados da Kpler.
Na quinta-feira (25), um ataque a um navio porta-contêineres chamado Ever Lovely levou os EUA a atacar o Irã em retaliação ao que classificaram como uma agressão injustificada contra a navegação comercial. Teerã, por sua vez, afirmou ter atacado alvos americanos na região.
Leia mais: Navios petroleiros mantêm rotas em Ormuz mesmo após ataque a porta-contêineres
Em sua atualização no sábado, o JMIC informou que a rota de Omã foi ampliada para permitir que os navios transitem em ambas as direções simultaneamente.
O centro também publicou uma área de alerta para possíveis minas, que abrange grande parte da rota habitual de trânsito de Ormuz. A Organização Marítima Internacional alertou na sexta-feira (26) que cerca de 80 minas poderiam ter sido colocadas em Ormuz.
A presença de explosivos é uma das principais preocupações dos armadores. De acordo com os termos do acordo com os EUA, cabe ao Irã a responsabilidade pela remoção de quaisquer minas, embora ainda não esteja claro até que ponto isso foi realizado.
As autoridades iranianas reiteraram os alertas de que viagens realizadas fora da rota de trânsito designada pelo país não são permitidas. Alguns navios deram meia-volta no início da semana após mensagens de rádio que, segundo relatos, instruíam a não atravessar.
O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz aumentou desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um acordo de paz provisório com o Irã na semana passada, o que provocou uma queda significativa nos preços do petróleo bruto.
Embora o tráfego tenha aumentado desde que o acordo de paz foi firmado, ele permanece muito abaixo dos níveis pré-guerra, e os navios ainda enfrentam perigo.
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