Fabricante italiana de iates de luxo pede € 180 mi a clientes para concluir encomendas

A Italian Sea Group, dona de marcas como Perini Navi e Admiral, enfrenta crise de liquidez e busca recursos com os próprios clientes que aguardam a entrega dos pedidos

Escritório do The Italian Sea Group em Hercules Harbour: para levantar recursos adicionais, o Italian Sea Group considera a venda de seu estaleiro em La Spezia.
Por Giulia Morpurgo - Luca Casiraghi - Antonio Vanuzzo

Bloomberg — Uma fabricante italiana de iates de luxo, muito procurada por bilionários, está com problemas de liquidez e informou aos clientes que precisa de mais € 180 milhões (US$ 204 milhões) para manter as operações e concluir a construção de seus barcos.

A Italian Sea Group pediu a 14 armadores que aguardam a entrega de suas embarcações que ajudem a cobrir um déficit de liquidez, segundo fontes que pediram anonimato ao discutir assuntos privados.

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Os clientes, que já pagaram alguns adiantamentos, buscaram assessoria jurídica para as negociações com a empresa, incluindo o escritório de advocacia BonelliErede.

A companhia informou no início deste mês que estava em negociações com seus principais acionistas, incluindo armadores, para encontrar uma solução financeira.


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Um acordo com os clientes — que agora são, na prática, também credores — é fundamental para permitir que a empresa conclua os pedidos e continue operando, segundo as fontes.

Para levantar recursos adicionais, o Italian Sea Group considera a venda de seu estaleiro em La Spezia.

Um representante do Italian Sea Group não respondeu a um pedido de comentário.

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Crise no Italian Sea Group

A fabricante de iates, fundada pelo empresário Giovanni Costantino, é proprietária de marcas como Admiral, Tecnomar e Perini Navi — o estaleiro que construiu o Bayesian, embarcação que naufragou em condições climáticas adversas na costa da Sicília em 2024 e causou a morte de sete pessoas, incluindo seu proprietário, o magnata da tecnologia britânico Mike Lynch.

O Italian Sea Group passou por um ano tumultuado, que trouxe à tona suas dificuldades financeiras, especialmente após a renúncia de seu presidente, diretor financeiro e um membro do conselho em fevereiro. Em seguida, a empresa divulgou significativos excedentes de custos e contratou a KPMG para realizar uma auditoria forense.

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Italian Sea Group perdeu boa parte de seu valor de mercado no último ano

A consequente falta de liquidez levou Costantino — que ainda é o maior acionista e diretor executivo da empresa — a conceder um empréstimo de acionistas no valor de € 25 milhões. Depois, a empresa solicitou proteção judicial contra credores, de acordo com documentos apresentados.

Embora um tribunal de Florença tenha permitido que cinco armadores rescindissem seus contratos, essas medidas não se aplicam aos demais clientes, de acordo com um comunicado de 10 de junho.

É necessária uma resolução com os clientes para que a Italian Sea Group chegue a um acordo com seus credores financeiros. A empresa possui mais de 400 milhões de euros em dívida financeira, incluindo linhas de fiança e garantia, junto a bancos e seguradoras, segundo as fontes.

O UniCredit, o Deutsche Bank e a Banca Monte dei Paschi di Siena estão entre os bancos com os quais a empresa mantém relações de longa data, segundo as fontes e os documentos apresentados. A Allianz possui uma exposição de cerca de 90 milhões de euros em garantias bancárias, segundo as fontes.

Representantes da BonelliErede e da Allianz não responderam aos pedidos de comentário, enquanto os do UniCredit, do Deutsche Bank e do Monte dei Paschi preferiram não comentar.

O Italian Sea Group reúne seis marcas de iates de luxo e emprega 1.700 pessoas em todas as etapas, do projeto à produção, de acordo com seu site.

Entre seus acionistas está a Giorgio Armani, que detém quase 5%, segundo o site da empresa. O empresário belga Marc Coucke detém cerca de 11,4% por meio de sua empresa de investimentos Alychlo.

--Com a colaboração de Daniele Lepido e Sonia Sirletti.

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