Bolsa brasileira destoa de NY com saída de estrangeiros, diz gestor da Franklin Templeton

Frederico Sampaio, gestor de portfólio da Franklin Templeton no Brasil, avalia que saída de estrangeiros reacende peso do cenário doméstico sobre a bolsa brasileira

Até o dia 23 de junho, mais de R$ 7,5 bilhões foram retirados da B3 por estrangeiros. (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg)

Bloomberg Línea — A tendência de alta que marcou os primeiros meses do Ibovespa em 2026 e levou o índice às máximas aos 191.000 pontos parece ter se esgotado, apesar dos ganhos das últimas sessões.

Segundo dados da B3, o saldo de fluxo estrangeiro encolheu mês a mês desde o pico de janeiro, e maio fechou com a primeira saída líquida do ano: R$ 14,9 bilhões deixaram a bolsa brasileira. Até o dia 23 de junho, mais de R$ 7,5 bilhões foram retirados da B3 por estrangeiros.

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No ano, o saldo positivo ainda supera os R$ 40 bilhões, mas o ímpeto que sustentou os recordes do início do ano perdeu força. O capital voltou a fluir para as ações americanas, especialmente em tecnologia e inteligência artificial, com Wall Street renovando máximas constantemente.

Para Frederico Sampaio, gestor de portfólio da Franklin Templeton no Brasil, o descompasso entre a disparada de Wall Street e a estagnação relativa do Ibovespa se explica pelo fim de um movimento especulativo do capital estrangeiro.

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A retomada da tese de inteligência artificial levou recursos de volta ao mercado americano e também a bolsas asiáticas como Coreia do Sul e Taiwan – países emergentes mais associados à cadeia produtiva de chips e tecnologia. A alocação no Brasil, que não era estrutural, perde força nesse cenário.

“A bolsa brasileira está muito descontada em relação aos pares, é algo que salta aos olhos. É um reflexo da falta de horizonte para questões macroeconômicas, que nos coloca atrás até mesmo da Argentina”, afirmou Sampaio durante coletiva de imprensa na quinta-feira (25).

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Com a saída do capital estrangeiro, o cenário doméstico – marcado pela preocupação com o fiscal e os juros altos – volta a ter maior peso nas decisões de investimento.

“No exterior vemos as empresas abrindo capital, especialmente em tecnologia e IA. Aqui, vivemos a dinâmica inversa, com empreendedores saindo da bolsa”, disse Sampaio. “Com juros no patamar de 14% a 15% ao ano, é difícil prosperar”.

O caso recente mais emblemático foi o do Carrefour Brasil, que saiu da B3 no início de junho de 2025, após oito anos de bolsa marcados por uma perda de 44% em valor de mercado desde o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês). A B3 também não recebe uma nova oferta inicial de ações desde 2021.

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Para Sampaio, a saída da atual estagnação depende de um gatilho para retomada do otimismo com a bolsa, seja fiscal, eleitoral ou ligado a um novo ciclo de corte de juros.

“Não podemos ficar à mercê dos humores do investidor estrangeiro. Precisamos de uma agenda positiva que permita um corte de juros sustentável e nos tire do histórico de ‘voo de galinha’”, afirmou.

Até que esse gatilho apareça, a gestora mantém a estratégia de concentrar posições em empresas com fluxo de caixa previsível e protegido da inflação, como geradoras de energia e concessões de infraestrutura, que hoje pagam dividendos de dois dígitos.

O mercado permanece em compasso de espera antes da eleição presidencial em outubro, que deve trazer maior definição sobre os próximos passos da economia. “Ainda é cedo. Por enquanto, ninguém consegue projetar qual será o cenário para o próximo ano”, disse.

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