Bloomberg Línea — A tendência de alta que marcou os primeiros meses do Ibovespa em 2026 e levou o índice às máximas aos 191.000 pontos parece ter se esgotado, apesar dos ganhos das últimas sessões.
Segundo dados da B3, o saldo de fluxo estrangeiro encolheu mês a mês desde o pico de janeiro, e maio fechou com a primeira saída líquida do ano: R$ 14,9 bilhões deixaram a bolsa brasileira. Até o dia 23 de junho, mais de R$ 7,5 bilhões foram retirados da B3 por estrangeiros.
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No ano, o saldo positivo ainda supera os R$ 40 bilhões, mas o ímpeto que sustentou os recordes do início do ano perdeu força. O capital voltou a fluir para as ações americanas, especialmente em tecnologia e inteligência artificial, com Wall Street renovando máximas constantemente.
Para Frederico Sampaio, gestor de portfólio da Franklin Templeton no Brasil, o descompasso entre a disparada de Wall Street e a estagnação relativa do Ibovespa se explica pelo fim de um movimento especulativo do capital estrangeiro.
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A retomada da tese de inteligência artificial levou recursos de volta ao mercado americano e também a bolsas asiáticas como Coreia do Sul e Taiwan – países emergentes mais associados à cadeia produtiva de chips e tecnologia. A alocação no Brasil, que não era estrutural, perde força nesse cenário.
“A bolsa brasileira está muito descontada em relação aos pares, é algo que salta aos olhos. É um reflexo da falta de horizonte para questões macroeconômicas, que nos coloca atrás até mesmo da Argentina”, afirmou Sampaio durante coletiva de imprensa na quinta-feira (25).
Ibovespa
Com a saída do capital estrangeiro, o cenário doméstico – marcado pela preocupação com o fiscal e os juros altos – volta a ter maior peso nas decisões de investimento.
“No exterior vemos as empresas abrindo capital, especialmente em tecnologia e IA. Aqui, vivemos a dinâmica inversa, com empreendedores saindo da bolsa”, disse Sampaio. “Com juros no patamar de 14% a 15% ao ano, é difícil prosperar”.
O caso recente mais emblemático foi o do Carrefour Brasil, que saiu da B3 no início de junho de 2025, após oito anos de bolsa marcados por uma perda de 44% em valor de mercado desde o IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês). A B3 também não recebe uma nova oferta inicial de ações desde 2021.
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Para Sampaio, a saída da atual estagnação depende de um gatilho para retomada do otimismo com a bolsa, seja fiscal, eleitoral ou ligado a um novo ciclo de corte de juros.
“Não podemos ficar à mercê dos humores do investidor estrangeiro. Precisamos de uma agenda positiva que permita um corte de juros sustentável e nos tire do histórico de ‘voo de galinha’”, afirmou.
Até que esse gatilho apareça, a gestora mantém a estratégia de concentrar posições em empresas com fluxo de caixa previsível e protegido da inflação, como geradoras de energia e concessões de infraestrutura, que hoje pagam dividendos de dois dígitos.
O mercado permanece em compasso de espera antes da eleição presidencial em outubro, que deve trazer maior definição sobre os próximos passos da economia. “Ainda é cedo. Por enquanto, ninguém consegue projetar qual será o cenário para o próximo ano”, disse.
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