Bloomberg — Os Estados Unidos e o Irã iniciaram conversas na Suíça sobre um acordo de paz para resolver a questão do programa nuclear da República Islâmica e reabrir permanentemente o Estreito de Ormuz, enquanto o presidente Donald Trump mais uma vez ameaçou Teerã com ataques caso o Hezbollah continue atacando Israel.
As negociações tiveram um início confuso no domingo (21), quando a mídia iraniana reportou que o Irã havia interrompido as conversas por causa da mais recente ameaça de Trump, mas pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News disseram que as reuniões continuavam.
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Os primeiros encontros de representantes dos Estados Unidos, do Irã, do Catar e do Paquistão começaram no resort suíço de Burgenstock, com o vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance e o ministro das Relações Exteriores do Irã Abbas Araghchi entre os presentes.
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Conforme as reuniões avançavam, Trump disse numa publicação em rede social que atacaria o Irã novamente caso o país não “pare imediatamente seus PROXIES altamente pagos no Líbano de causar problemas”.
Ele também alertou o Irã de que os Estados Unidos poderiam começar a cobrar pedágios caso não haja acordo. Falando no domingo à Fox News, Trump disse ter dito diretamente aos líderes iranianos que, se fecharem Ormuz, “vocês nem voltarão” ao Irã, usando um palavrão.
Embora um acordo provisório arrancado a duras penas tenha sinalizado uma pausa nas hostilidades Estados Unidos-Irã, as discussões de domingo provavelmente são apenas o começo de uma longa queda de braço que abrangerá temas como as capacidades nucleares do Irã e o alívio econômico para Teerã.
“O que hoje realmente representa é o início de uma negociação técnica que não vai resolver cada desentendimento”, disse Vance a repórteres, falando ao lado de autoridades do Paquistão e do Catar, que atuam como mediadores.
Jared Kushner e Steve Witkoff, os negociadores globais de Trump, têm estado envolvidos em conversas técnicas em andamento.
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Uma resolução para os combates no Líbano será decisiva para o sucesso das conversas Estados Unidos-Irã na Suíça, segundo uma autoridade familiarizada com as discussões, que pediu para não ser identificada por discutir informações sensíveis.
Isso significa que um resultado positivo nas negociações depende, em última instância, do apoio de Israel, acrescentou a pessoa, sendo que apenas uma retirada do Líbano garantiria plenamente que o acordo intermediário possa avançar.
Israel não foi parte das conversas que levaram ao acordo provisório.
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Outras questões em foco são o Estreito de Ormuz, as sanções dos Estados Unidos e a devolução de ativos iranianos congelados, disse a pessoa.
As conversas entre as quatro partes começaram às 14h45 do horário local e continuaram na noite de domingo. Os suíços mantêm o local pronto até o meio da manhã de segunda-feira, permitindo que as negociações se estendam até então, se necessário.
Os enviados iranianos estão focados em como a reunião será recebida em casa, disse a autoridade. Isso levou sua delegação a ficar fora da sala e a se recusar a participar das declarações televisionadas de abertura antes do início das discussões, porque não queriam ser vistos apertando as mãos dos delegados americanos antes de acordos terem sido alcançados, disse a pessoa.
A autoridade acrescentou ainda que as conversas foram complicadas por tentativas de aproximar as mentalidades e expectativas completamente diferentes entre os representantes iranianos e americanos.
A reunião “vai nos permitir sentar juntos como equipes pela primeira vez realmente na história para descobrir o que mais importa para as respectivas partes, resolver essas questões, solucionar essas questões e chegar a um amanhã melhor”, disse Vance.
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A agência de notícias semi-oficial iraniana ISNA disse que os principais temas das conversas seriam um “cessar-fogo abrangente” no Líbano, incluindo uma retirada israelense, e o destino de bilhões de dólares em ativos iranianos congelados no exterior.
Teerã acusou Israel no sábado (20) de violar uma trégua no Líbano e disse que o Estreito de Ormuz, ponto-chave de passagem para os fornecimentos globais de energia, seria fechado novamente. Apesar do anúncio, milhões de barris de petróleo continuaram a fluir pela via navegável.
Sob os termos do memorando de entendimento assinado por Trump na quarta-feira, os Estados Unidos e o Irã têm 60 dias para negociações, embora o pacto permita uma prorrogação.
O anúncio do Irã sobre Ormuz lançou uma sombra sobre as conversas, mas o impacto imediato sobre o tráfego de embarcações estava incerto. Mesmo antes do recente cessar-fogo, milhões de barris de petróleo escapavam discretamente da via navegável a cada dia.
Três superpetroleiros totalmente carregados ligados à Índia reapareceram no Golfo de Omã no domingo após sinalizar uma tentativa de cruzar o estreito na sexta-feira, segundo dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg.
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Os superpetroleiros, cada um sinalizando propriedade indiana ou carga destinada à Índia, transportam quase 6 milhões de barris de petróleo iraquiano e kuwaitiano. Suas tentativas de navegar em direção à ilha de Qeshm sugerem que podem ter tomado uma rota aprovada por Teerã.

O Comando Central dos Estados Unidos disse que o tráfego de navios comerciais aumentou no estreito no sábado, com 55 navios mercantes transportando carga e mais de 17 milhões de barris de petróleo.
O secretário de Energia Chris Wright disse no domingo à Fox News que os Estados Unidos ainda escoltavam navios e “demonstravam que podemos transitar pelo estreito com ou sem” o Irã.
Israel, parceiro de Washington na guerra contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro, tem travado uma campanha paralela contra o Hezbollah no vizinho Líbano. O Irã tem buscado consistentemente vincular o conflito ali, que matou milhares e deslocou mais de 1 milhão de libaneses, às negociações mais amplas com os Estados Unidos.
Teerã vê os Estados Unidos como tendo “responsabilidade direta” pela situação no Líbano e pelas ações militares de Israel, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Esmail Baghaei em comentários citados pela agência de notícias IRNA.
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Israel insistiu que manterá tropas em suas fronteiras até ter certeza de que o Hezbollah, designado organização terrorista pelos Estados Unidos, não é mais uma ameaça. As Forças de Defesa de Israel disseram que suas operações recentes miram uma rede de bunkers subterrâneos onde se acredita que combatentes do Hezbollah estejam se abrigando.
“Não houve, e não há, nenhuma restrição aos soldados das IDF no Líbano para agir na remoção de ameaças”, disse o ministro da Defesa de Israel Israel Katz no domingo.
“Nossas forças permanecem posicionadas na zona de segurança ao longo da Linha Amarela no Líbano e operam de lá contra terroristas e infraestrutura terrorista”, disse ele, reiterando que Israel não se retiraria.
Trump expressou frustração com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu por ataques anteriores, sugerindo que arriscavam minar as conversas Estados Unidos-Irã.
“Israel tem o direito de se defender”, disse Vance a repórteres na quinta-feira. “Mas, fundamentalmente, os israelenses, assim como todos os outros, têm que respeitar esse processo de paz que é fundamentalmente bom para eles e bom para toda a região.”
O memorando Estados Unidos-Irã levou Washington a suspender um bloqueio naval dos portos iranianos e a prometer dispensar sanções que bloquearam a venda de petróleo iraniano. O Irã prometeu reabrir Ormuz, por onde passa cerca de um quinto dos fornecimentos mundiais de petróleo e gás.
Teerã, no entanto, alertou que exigirá que os navios tenham sua permissão e seguro obrigatório para poder cruzar. Os Estados Unidos, a Europa e os Estados árabes do Golfo rejeitaram a ideia de o Irã impor taxas.
Os lados já fizeram “grande progresso” nas últimas horas, disse Vance a repórteres no domingo na Suíça.
“Espero que faça progresso adicional nas horas que estão por vir”, disse ele.
-- Com a colaboração de Weilun Soon, Jennifer A. Dlouhy, Dan Williams e Bastian Benrath-Wright.
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