Bloomberg Línea — As concessionárias do país registraram um aumento significativo das vendas de veículos leves, impulsionado pelas marcas chinesas – com destaque para a BYD.
Diante deste cenário, a associação que representa as empresas do setor, a Fenabrave, revisou para cima a projeção de crescimento no segmento de leves de 3% para 8,8% em 2026, totalizando 2,7 milhões de unidades.
“As marcas chinesas foram as maiores impulsionadoras [do crescimento no período]”, disse o presidente da entidade, Arcelio Junior, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (2).
A BYD desbancou marcas tradicionais no ranking de vendas do setor como Hyundai, Toyota e Renault, e encerrou o semestre como a quarta marca mais vendida em automóveis e comerciais leves, com 7,2% de participação de mercado. Fiat (19,9%), Volkswagen (16,5%) e General Motors (10,3%) lideram a lista.
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No acumulado do ano, as vendas de automóveis e comerciais leves cresceram 20,1% sobre o mesmo período do ano passado, para 1,35 milhão de unidades.
Segundo a Fenabrave, o programa Carro Sustentável, do governo federal, que zera a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos compactos com alta eficiência energética, ajudou a impulsionar os emplacamentos no semestre.
No entanto, o acirramento da disputa entre as montadoras, em um contexto de preços agressivos de chinesas como GWM e BYD, estimulou a queda dos preços e, consequentemente, o maior movimento nas lojas.
“Com as promoções devido à concorrência que hoje temos no mercado, houve redução de preços. Isso certamente está atraindo compradores que em algum momento do passado não estavam dispostos a trocar de carro. A concorrência está favorecendo as vendas”, destacou Arcelio Junior.
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Segundo o dirigente, atualmente 1.360 concessionárias representam marcas de origem chinesa no país, o que representa 16,2% do total.
O vice-presidente sênior da BYD do Brasil, Alexandre Baldy, afirmou em comunicado que a montadora vendeu, apenas no primeiro semestre de 2026, quase o volume total registrado no ano passado.
“Esse crescimento é muito mais do que um simples bom momento pontual, é uma poderosa mensagem de mudança e de quebra de barreiras para o mercado”, disse Baldy no comunicado.
No mês de junho, a BYD acumulou 300 mil veículos eletrificados vendidos em quatro anos no país, com um salto de 100 mil unidades em seis meses impulsionado pela liderança do BYD Dolphin Mini.
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A Fenabrave registrou que no primeiro semestre os emplacamentos de veículos 100% elétricos triplicaram sobre o mesmo período do ano passado, para 90 mil unidades, diante principalmente do avanço exponencial da oferta de carros chineses.
Veículos pesados
Já o segmento de caminhões reportou queda no semestre, mesmo com o programa de incentivos do governo federal para a compra de veículos pesados (Move Brasil). No acumulado até junho, foram emplacados 48 mil caminhões, queda de 9,3% sobre igual intervalo de 2025.
Os ônibus tiveram queda de 7,9% das vendas no acumulado do ano, para 12,9 mil unidades.
Na visão da economista Tereza Fernandez, da TF Consultoria, o cenário internacional aponta para elevação dos juros nos Estados Unidos e consequente saída de capital do Brasil. Em paralelo, a inflação deve permanecer elevada no mundo.
“A inflação mundial é grande e deve perpassar todos os países do mundo, incluindo o Brasil”, avalia.
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