Bloomberg — A Russell Investments está sendo adquirida por um grupo de investidores liderado pela empresa de venture capital B Capital e pelo California Public Employees’ Retirement System, em uma iniciativa para preparar a gestora de ativos, com 90 anos de história, para a era da inteligência artificial (IA).
O consórcio foi organizado pela B Capital, cofundada pelo bilionário brasileiro Eduardo Saverin e pelo ex-investidor da Bain Capital, Raj Ganguly.
O negócio envolvendo a gestora de ativos de US$ 416 bilhões está avaliado em US$ 2,8 bilhões, segundo uma pessoa a par do assunto ouvida pela Bloomberg News, que pediu para não ser identificada ao discutir informações não públicas.
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“Sempre acreditamos que a forma como as pessoas poupam e investem para a aposentadoria pode ser aprimorada com o uso da IA”, afirmou Ganguly em entrevista, recusando-se a comentar os detalhes da transação. “Mas não é possível remover o elemento humano disso.”
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A aquisição ocorre em um momento de mudanças consideráveis no setor de gestão de ativos, com empresas correndo para se unir em busca de escala, expandindo-se para novos tipos de ativos privados e alternativos e investindo em tecnologia para alcançar mais clientes.
Nos últimos dois anos, a Russell Investments captou mais recursos de clientes, crescendo organicamente em mais de 15%, segundo a empresa.
O negócio para a empresa sediada em Seattle ocorre cerca de uma década depois que a TA Associates Management e a Reverence Capital Partners fecharam o capital da gestora de ativos por US$ 1,15 bilhão. Na época, ela administrava cerca de US$ 270 bilhões.
A transação está sujeita à aprovação regulatória e deve ser concluída no início do próximo ano.
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Ganguly afirmou que a B Capital considerava investir no setor de gestão de ativos há algum tempo, após constatar que os investidores são “sistematicamente mal atendidos” em suas necessidades de aposentadoria e investimentos pessoais.
Ele disse que a B Capital decidiu não se limitar a apoiar uma empresa iniciante ou de consultoria robótica que não contasse com uma equipe experiente e relações de confiança com os clientes.
A aquisição é “uma oportunidade atraente para construir uma gestora de ativos de última geração”, afirmou Anton Orlich, vice-diretor de investimentos da Calpers, em comunicado.
A Russell Investments, que, como muitas gestoras de recursos, supervisiona fundos de ações e títulos, também tem se concentrado há muito tempo em assessorar clientes sobre como montar carteiras mais amplas de ativos e gerenciar impostos.
Ela opera um dos maiores negócios do setor para mandatos de “diretor de investimentos terceirizado”. Esse serviço oferece aos grandes investidores a consultoria de uma gestora de recursos sobre como supervisionar suas carteiras de forma abrangente.
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A Russell Investments trabalha regularmente com gestores de recursos de empresas externas para combinar fundos de investimento para os clientes em uma espécie de modelo de “arquitetura aberta”. Essa estrutura inclui fundos mútuos e fundos negociados em bolsa, bem como investimentos no mercado privado.
“Em muitos aspectos, não somos tanto concorrentes das outras gestoras de ativos, mas sim parceiros”, afirmou Zach Buchwald, diretor executivo da Russell Investments. “Buscamos os melhores gestores em cada parte do ecossistema e os utilizamos à medida que montamos as carteiras.”
Os novos proprietários planejam investir mais em tecnologia para criar carteiras mais personalizadas para os investidores.
“Quando pensamos em nossas aspirações mais amplas, que poderiam realmente fazer a diferença para a empresa no que diz respeito aos clientes que atendemos”, disse Buchwald, “precisaremos pensar de maneira diferente sobre tecnologia e marketing e sobre como interagir com esses clientes.”
A Russell Investments será administrada de forma independente e continuará sendo liderada por Buchwald e pela diretora de investimentos, Kate El-Hillow, de acordo com as empresas.
A Jefferies atuou como asessora exclusiva da B Capital na aquisição, enquanto a Moelis & Company atuou como assessora financeira principal e o Bank of America atuou como assessora financeira da Russell Investments.
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