Bloomberg Línea — O Norges Bank, fundo soberano que administra as reservas financeiras da Noruega, vendeu ações da Smart Fit (SMFT3) na semana passada e reduziu sua fatia na rede de academias para 4,99%, abaixo do nível que a regulação brasileira considera participação relevante.
A venda, em 1º de julho, ocorreu uma semana depois de o fundo ter percorrido o caminho inverso: em 24 de junho, a compra de pouco mais de 1 milhão de ações havia elevado sua posição a 5,11% do capital, segundo comunicados enviados pela empresa ao mercado.
A coincidência ficou por conta do calendário: o vaivém do fundo norueguês no capital da rede se completou na mesma semana em que Noruega e Brasil se preparavam para se enfrentar pela Copa do Mundo. Em campo, deu Noruega, que eliminou a seleção brasileira no último domingo (5).
Sempre que um acionista cruza a linha dos 5%, para cima ou para baixo, a empresa é obrigada a informar o mercado. Foi o que a Smart Fit fez duas vezes em uma semana.
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Nas cartas que acompanham os comunicados, o Norges Bank afirmou que a participação tem finalidade exclusivamente de investimento, sem acordo de acionistas nem intenção de interferir na administração.
Esse tipo de vaivém é comum em fundos que aplicam seguindo índices internacionais: as posições são ajustadas conforme o peso de cada ação nesses índices, e não porque a visão sobre a empresa mudou.
O ajuste, porém, acontece num momento em que a ação da maior rede de academias da América Latina divide opiniões. O papel acumula queda de 14% em 12 meses, enquanto o Ibovespa subiu 23% no período, segundo o JPMorgan.
O banco americano cortou seu preço-alvo de R$ 36 para R$ 31, citando “temores competitivos estruturais e risco de erosão de margem”, mas manteve recomendação de compra por enxergar potencial de valorização de 80% sobre a cotação da época.
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No centro do debate está o TotalPass, convênio da própria Smart Fit que dá acesso a milhares de academias por uma assinatura única, geralmente paga pelo empregador.
O produto cresce rápido: sua base de usuários aumentou 75% em um ano, segundo levantamento do BTG Pactual publicado nesta segunda-feira (6), contra alta de 8% no aplicativo próprio da rede.
A dúvida dos analistas é se esse cliente, que paga menos por visita do que o aluno de plano direto, ajuda ou atrapalha as contas no longo prazo.
Para o JPMorgan, “há um desafio em encontrar o equilíbrio entre proposta de valor, crescimento e rentabilidade”.
O BTG é mais otimista e projeta que a margem de lucro do convênio suba de 24% em 2025 para 30% neste ano, à medida que ganha escala.
O ritmo de expansão física também entrou no radar. O Citi, que monitora mensalmente a abertura de academias no Brasil e no México, registrou apenas 8 novas unidades no mercado brasileiro em maio, contra 39 em abril, e nenhuma inauguração no México, onde a base da Smart Fit até encolheu, de 501 para 499 academias.
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Ainda assim, o banco mantém a empresa entre suas principais escolhas no Brasil, avaliando que “as localizações privilegiadas e a integração com a plataforma TotalPass representam vantagens competitivas duradouras”.
Nos últimos 12 meses, a rede liderou as inaugurações no país, com 167 novas unidades, à frente de concorrentes em franca expansão como Skyfit e Panobianco.
Enquanto os bancos discutem números, a empresa investe em visibilidade de marca.
A Smart Fit estreou neste ano como patrocinadora do Na Praia Festival, em Brasília, evento que espera receber 500 mil pessoas até setembro, onde montou uma academia ao ar livre com aulas coletivas e espaço de recuperação muscular.
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