Bloomberg Línea — Após mais de cinco anos como managing partner na América Latina e head do Brasil do SoftBank, Alex Szapiro encerra sua passagem pela gestora, que desembarcou na América Latina em 2019 e investiu em mais de 70 startups na região.
A saída foi definida durante a participação do executivo no Brazil Week, em Nova York, evento realizado em maio. Ele irá continuar como sócio e advisor de algumas das startups do portfólio.
Com a mudança, a operação regional passa a ser liderada por Juan Franck. Rodrigo Costa assumirá como head do Brasil. O executivo continuará no SoftBank nos próximos meses “para garantir uma transição tranquila junto às empresas do nosso portfolio na região”, de acordo com um comunicado divulgado nesta terça-feira (23).
Szapiro entrou no SoftBank em abril de 2021, vindo da Amazon, onde havia comandado a operação brasileira desde 2012. Antes disso, liderou a operação da Apple no país.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A jornada de Szapiro no Softbank coincidiu com um período de profunda transformação no mercado de venture capital: o fim do ciclo de dinheiro barato, a correção de valuations inflados e o reposicionamento estratégico da empresa para focar em inteligência artificial em escala global.
Foi exatamente nesse contexto que Szapiro passou a adotar um tom mais cauteloso. Em entrevista recente à Bloomberg News, ele reconheceu que o foco global em inteligência artificial e a escassez de empresas maduras na região reduziram o número de potenciais investimentos do fundo na América Latina.
Leia também: Startups latinas invertem padrão dos EUA e lideram adoção de IA, segundo líder na AWS
Nos últimos dois anos, o SoftBank também realizou 12 transações, incluindo follow-ons, operações secundárias e fusões e aquisições. O último investimento em uma startup brasileira foi na fintech Asaas, que captou R$ 820 milhões, em rodada liderada pela Bond em 2024.
O SoftBank mantém um portfólio com mais de 70 startups, incluindo Wellhub (antiga Gympass), QuintoAndar, MadeiraMadeira, Kavak e Rappi.
Na entrevista à Bloomberg News, ele afirmou que o conglomerado japonês avalia atualmente um punhado de potenciais investimentos na região e não enfrenta restrições para alocar capital.
“Temos quatro ou cinco empresas sob avaliação neste momento”, afirmou. “A questão é encontrar uma empresa que seja exatamente o que procuramos.” Os aportes da gestora são acima de US$ 50 milhões - cerca de R$ 260 milhões.
Em março, o fundo da América Latina representava pouco mais de 2% do total de investimentos em ações do SoftBank, contra cerca de 5% três anos antes.
A saída de Szapiro é mais um capítulo de uma renovação de liderança que marcou o SoftBank na região nos últimos anos.
Em 2022, o boliviano Marcelo Claure, fundador do fundo latino-americano, deixou o grupo após uma disputa salarial. Na sequência, criou a Bicycle Capital com Shu Nyatta, também ex-SoftBank.









