O fim da IA ‘de luxo’: por que há uma corrida das big techs para baratear a tecnologia

Ênfase no custo coincide com o fato dos clientes empresariais estarem analisando os gastos com IA. No início deste ano, as empresas incentivavam o ‘tokenmaxxing’, prática que perde espaço cada vez mais

Ao enfatizar a eficiência de custos, os desenvolvedores de IA também podem ser capazes de exercer mais pressão sobre a Anthropic, vista por muitos como a líder do momento
Por Lorelei Smillie - Rachel Metz
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Bloomberg — Três importantes desenvolvedores de inteligência artificial lançaram novos modelos na semana passada. Todos prometem ser mais avançados, mas o maior diferencial imediato talvez não seja o que eles são capazes de fazer, e sim o quão pouco cobram por isso.

A OpenAI afirmou que sua oferta mais avançada, o GPT-5.6, foi projetada para realizar mais tarefas utilizando significativamente menos tokens, uma unidade de dados processada por modelos de IA. Isso tornará o software muito mais econômico para os clientes.

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O Grok 4.5, da SpaceXAI, de Elon Musk, é apresentado como tendo o dobro da eficiência em termos de tokens em comparação com modelos semelhantes de outras empresas. E a Meta está tornando o preço do seu Muse Spark 1.1 muito “atraente”, afirmou o diretor executivo Mark Zuckerberg à Bloomberg.

A renovada ênfase no custo coincide com o fato dos clientes empresariais estarem analisando minuciosamente os gastos com IA. No início deste ano, as empresas incentivavam os funcionários a competir entre si para usar a IA o máximo possível, uma prática conhecida como “tokenmaxxing”.


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Nos últimos meses, o quadro mudou e algumas empresas impuseram limites mais rígidos após serem surpreendidas por preços exorbitantes, em parte devido ao fato de desenvolvedores como a Anthropic terem mudado para um modelo de preços baseado no uso, em vez de cobrar uma taxa fixa de assinatura.

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Gautier Cloix, CEO da H Company, startup de IA sediada em Paris, disse ter conversado com vários executivos cujas empresas acumularam contas significativas após utilizarem modelos da OpenAI e da Anthropic. Um CEO mostrou a ele uma fatura indicando que um mês de uso de modelos de IA custou milhões de dólares, disse Cloix.

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“As empresas estão gastando muito mais do que costumavam”, disse Gil Luria, chefe de pesquisa tecnológica da DA Davidson & Co. “À medida que veem esses custos ficarem fora de controle, elas começam a questionar a eficiência.”

Como resultado, os principais desenvolvedores de IA precisam agora encontrar maneiras de maximizar o valor para clientes atuais e potenciais, sem reduzir seus preços a ponto de terem dificuldade em recuperar as centenas de bilhões de dólares que investiram em chips e centros de dados.

A Meta, que se beneficia de um lucrativo negócio de publicidade online, está preparada para ser “agressiva”, segundo Zuckerberg. “Os preços praticados por alguns dos outros laboratórios são muito extremos e apresentam margens muito altas”, afirmou ele na entrevista. “Acreditamos que há uma capacidade real de oferecer inteligência de ponta ou de altíssimo nível a um custo muito mais acessível.”

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A OpenAI pode ter menos margem de manobra, mas também reconhece a necessidade de ser competitiva em termos de custos. “Todas as empresas agora estão pensando nos gastos e no valor que estão obtendo em troca da IA, e é isso que realmente queremos fazer”, afirmou o CEO da OpenAI, Sam Altman, em entrevista à CNBC na quinta-feira.

A retórica é notavelmente diferente da de cerca de um ano atrás, quando os executivos da OpenAI cogitavam publicamente a possibilidade de, algum dia, cobrar milhares de dólares por assinaturas mensais de modelos de IA de ponta, a fim de refletir melhor o valor crescente que eles proporcionam às empresas.

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Agora, além de lançar novos modelos mais eficientes, a OpenAI também vem tomando medidas para ajudar as empresas a gerenciar seus gastos com IA. No mês passado, a criadora do ChatGPT introduziu análises de uso de crédito e atualizou os controles de gastos.

À medida que as empresas se tornam mais conscientes dos custos, elas estão “buscando outras soluções”, afirmou Luria. E não faltam alternativas. Empresas de tecnologia chinesas, como a DeepSeek, inundaram o mercado com modelos de IA abertos e mais acessíveis. Embora esses serviços ainda fiquem atrás das opções mais avançadas das empresas americanas, o software é bom o suficiente para realizar muitas tarefas do dia a dia.

Alguns usuários estão recorrendo a serviços de roteamento de modelos, que lhes permitem selecionar facilmente entre centenas de modelos de IA para diversas tarefas, a fim de garantir preços mais competitivos. Um desses serviços, o OpenRouter, levantou mais de US$ 100 milhões em financiamento em maio para atender à demanda.

Ao enfatizar a eficiência de custos, os desenvolvedores de IA também podem ser capazes de exercer mais pressão sobre a Anthropic, vista por muitos como a líder do momento. Os modelos Opus e Fable da Anthropic estão entre os mais caros em termos de custo por tarefa, de acordo com dados da Artificial Analysis, um serviço de benchmarking.

Musk mirou especificamente na Anthropic em uma postagem promovendo o Grok 4.5 nesta semana. “É um modelo da classe Opus”, escreveu ele nas redes sociais, “mas mais rápido, mais eficiente em termos de tokens e de menor custo”.

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