Bloomberg — A petrolífera está produzindo acima das capacidades projetadas das plataformas offshore instaladas em Búzios e em outros campos em águas profundas, o que contribui para elevar sua produção a um nível recorde, à medida que a guerra no Irã restringe a oferta global.
A Petrobras, com sede no Rio de Janeiro, adicionou 134.000 barris por dia de produção excedente, ou cerca de 5% de sua produção de petróleo, em um conjunto de embarcações offshore de produção e armazenamento conhecidas como FPSOs.
A empresa adicionou o equivalente a uma plataforma de vários bilhões de dólares “sem nenhum custo”, afirmou Renata Baruzzi, diretora executiva de engenharia, tecnologia e inovação.
“Isso se tornou o novo normal. Vamos realizar esse estudo para todas as plataformas”, afirmou ela em entrevista à Bloomberg News.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
A Petrobras ultrapassou os limites de projeto da superplataforma Almirante Tamandare, em Búzios — o maior campo em águas profundas já descoberto —, e está replicando a estratégia em outras FPSOs.
Essa abordagem permite que a empresa abasteça um mercado abalado pela guerra no Oriente Médio sem ter que esperar anos pela construção de novas embarcações. As ampliações de capacidade ajudaram a Petrobras a atingir um recorde de 3,34 milhões de barris por dia de equivalente em petróleo no segundo trimestre.
Leia também: Petrobras mantém plataforma P-52 parada há nove meses e sem previsão de retomada
A Petrobras possui atualmente sete FPSOs adaptados operando acima da capacidade, e três embarcações adicionais estão entrando em operação, o que deve resultar em um aumento de 124 mil barris por dia em relação às projeções iniciais. A Petrobras começou a estudar como expandir outra FPSO conhecida como P-79, também localizada em Búzios.

A Petrobras está correndo contra o tempo para extrair o máximo possível de petróleo bruto de seus campos existentes, ao mesmo tempo em que busca novas reservas para evitar quedas na produção na década de 2030.
O petróleo tornou-se o maior produto de exportação do Brasil nos últimos anos, mas executivos do setor alertam que o país poderá voltar a ser um importador líquido dentro de uma década, a menos que a exploração avance em regiões offshore de fronteira, como a Margem Equatorial, onde o licenciamento ambiental tem retardado o desenvolvimento.
Leia também: Petrobras reforça expansão internacional com aquisição de bloco exploratório na África
A ideia de ultrapassar os limites com essa nova geração de embarcações de produção surgiu de conversas com a SBM Offshore, que aluga o Almirante Tamandare, disse Baruzzi.
Os executivos da Petrobras acreditavam que a embarcação era a maior plataforma já operada pela SBM, mas descobriram que a fornecedora possuía uma FPSO na Guiana produzindo 10% acima de sua capacidade projetada, a cerca de 250 mil barris por dia, acrescentou ela.
A estratégia envolve obter aprovação do órgão regulador do petróleo do Brasil para operar mais próximo das margens de segurança e conectar poços adicionais para fornecer o petróleo. A Petrobras também renegocia contratos de afretamento com os proprietários das FPSOs, disse ela.
Apesar do esforço, Baruzzi tem o cuidado de não prever que a empresa ultrapassará sua meta de produção para 2026, de 2,5 milhões de barris por dia, pois os campos mais antigos nas bacias de Campos e do Espírito Santo estão em declínio, enquanto os mais novos, como o de Búzios, se expandem.
“Estamos conseguindo cumprir nossas metas”, afirmou ela.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
De Petrobras a YPF: a visão do BofA para as petrolíferas da América Latina
©2026 Bloomberg L.P.








