Bloomberg — A Copa do Mundo da FIFA lotou os estádios em toda a América do Norte e atraiu um público recorde. Também levou um grande número de millennials e da Geração Z a fazer suas primeiras apostas esportivas.
Essa é a conclusão de um novo relatório do Bank of America (BAC) que acompanhou um aumento nas apostas online durante a temporada. O número de apostadores de primeira viagem em junho e julho mais do que triplicou em relação a janeiro.
A participação geral em apostas online por meio de mercados de previsão e sites de apostas esportivas cresceu 40% durante o mês de julho, em comparação com o início do ano, segundo o banco.
“As apostas online estão se tornando cada vez mais parte do mainstream financeiro”, disse Taylor Bowley, economista do Bank of America Institute. “Parte disso se deve ao marketing observado em termos de promoções e anúncios, não apenas no que diz respeito a essas plataformas, mas também aos diferentes eventos”, como a Copa do Mundo.
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A nova onda de apostadores também é predominantemente jovem. A Geração Z e os millennials representaram 88% da atividade de apostas online em julho, em comparação com 9% da Geração X e 3% dos baby boomers. Famílias de renda mais baixa também representaram uma parcela ligeiramente maior da atividade do que as de renda média e alta, segundo o relatório.

Um em cada cinco participantes de uma enquete do Bank of America considerava as apostas esportivas como um tipo de investimento, sendo que os apostadores da Geração Z tinham duas vezes mais chances de vê-las como uma forma de investimento — uma tendência de “niilismo financeiro” alimentada pelo alto custo de vida e por objetivos cada vez mais fora de alcance, como a aquisição da casa própria.
A pesquisa revelou que todas as faixas etárias tendiam a considerar a compra de contratos de eventos em mercados de previsão como um investimento, em vez das apostas esportivas.
Muitos jovens americanos estão questionando se os caminhos tradicionais para a construção de riqueza ainda podem levá-los aonde desejam chegar, com alguns vendo atividades como negociações especulativas e apostas esportivas como uma forma potencial de progredir.
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Usuários de mercados de previsão como Kalshi e Polymarket compram e vendem contratos de eventos em um marketplace no qual outros negociadores podem assumir a posição oposta, em vez de apostar contra uma casa de apostas que define as cotações e assume o lado oposto das apostas.
As plataformas são regulamentadas pelo governo federal como mercados de contratos designados e estão disponíveis para usuários com 18 anos ou mais, enquanto as casas de apostas geralmente exigem que os apostadores tenham pelo menos 21 anos. Essa distinção gerou contestação jurídica por parte de estados que argumentam que elas deveriam estar sujeitas às leis estaduais de jogos de azar.
“Uma coisa é jogar um jogo e gastar US$ 100, e isso faz parte do seu orçamento de lazer para o ano”, disse Bowley. “Mas outra coisa é sacar essa quantia e ver isso como equivalente a contribuir para uma poupança de longo prazo.”

O boom pode ainda ganhar força este ano, com o US Open e o início da temporada de futebol americano servindo como mais um catalisador para as apostas. Os mercados de previsão podem atingir US$ 1 trilhão em volume anual até 2030, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg Intelligence. Apostas esportivas e combinadas já representam cerca de 80% do volume de negócios da Kalshi.
Mabi Moeng, uma jovem de 22 anos do Brooklyn, disse que fez sua primeira aposta em junho, durante o terceiro jogo da campanha do New York Knicks rumo ao título. Cercada por amigos que se gabavam de ter transformado US$ 10 em centenas de dólares por meio de plataformas como a Kalshi, ela finalmente cedeu.
“Eu estava vendo um monte de gente ganhando online, então pensei: ‘vamos lá, vou apostar US$ 10’”, disse ela.
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Moeng baixou o Kalshi e fez uma aposta de US$ 10. Mas, por engano, apostou que o Spurs venceria em vez do Knicks e perdeu o dinheiro. Agora, ela diz que não vai voltar a apostar.
“Acho que toda essa ideia é realmente predatória. Não acho que devamos poder apostar em aplicativos”, disse ela. “É muito ruim para a saúde financeira e mental das pessoas, porque elas estão investindo todo o seu salário nisso e depois perdendo tudo em um aplicativo.”
Kate Grayson, uma terapeuta financeira, também percebeu que essa linha está se tornando cada vez mais tênue entre seus clientes. Ela tem ouvido falar cada vez mais sobre apostas esportivas, embora tenha afirmado que a maioria esteja apostando quantias modestas — de US$ 10 a US$ 50 por vez e, geralmente, não mais do que algumas centenas de dólares por mês.
“Estou vendo isso começar a se tornar parte do plano e da estratégia financeira das pessoas de uma forma que certamente não acontecia antes”, disse Grayson.
Os mercados de previsão podem incentivar essa percepção, pois os apostadores podem acreditar que seu conhecimento sobre um esporte ou assunto lhes dá uma vantagem, fazendo com que uma aposta pareça uma decisão financeiramente inteligente, em vez de mero entretenimento, explicou ela.
Grayson disse que incentiva os clientes a refletirem sobre o motivo pelo qual estão apostando online, discernindo se é puramente por entretenimento, uma forma de regular suas emoções ou parte de seu plano financeiro.
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As apostas podem criar atritos entre casais, mesmo quando os valores envolvidos não são suficientes para comprometer suas finanças. Grayson disse que já encontrou clientes cujos parceiros não estavam totalmente cientes de suas atividades de apostas. Como os ganhos geralmente permanecem nas plataformas e são revertidos em apostas subsequentes, um parceiro pode ver apenas o dinheiro inicial saindo da conta da família sem perceber o que acontece depois.
“Mesmo que você esteja se limitando a um orçamento predeterminado de US$ 100 por mês, para seu parceiro isso pode parecer uma situação arriscada da qual ele não gosta”, acrescentou ela.
O relatório do Bank of America constatou que as apostas online ainda não se tornaram uma fonte de lucro ou renda estável para os usuários. O cliente médio recebe de volta menos de 75 centavos para cada dólar investido em mercados de previsão e plataformas de apostas esportivas, de acordo com o relatório, que analisou transações com cartões de crédito e débito e pagamentos por meio de câmara de compensação automatizada de e para empresas de apostas online.
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