Bloomberg — A Petrobras (PETR3, PETR4) descobriu, mais uma vez, indícios de petróleo em uma área de exploração controversa na costa da floresta amazônica.
A estatal informou que um intervalo com presença de hidrocarbonetos foi identificado por meio de perfis e amostras de rocha no poço exploratório Morpho, na bacia da Foz do Amazonas.
A Petrobras prosseguirá com a perfuração e a avaliação dos resultados, conforme comunicado divulgado na sexta-feira (14). A empresa não especificou se encontrou evidências de petróleo ou gás natural no poço, situado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá, em uma lâmina d’água de 2.886 metros.
“Nosso otimismo em relação à Margem Equatorial do Brasil se confirma hoje”, afirmou a presidente Magda Chambriard no comunicado.
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A Petrobras superou um impasse de anos com reguladores ambientais em outubro do ano passado, quando obteve o sinal verde para perfurar em uma área ambientalmente sensível que, segundo estimativas, abriga grandes volumes de petróleo bruto.
Uma descoberta comercial na Foz do Amazonas ajudaria a Petrobras a se manter como grande exportadora de petróleo ao longo da década de 2030, quando a produção dos seus maiores campos na região do pré-sal começar a declinar.
O petróleo se tornou a maior exportação do Brasil nos últimos anos, e analistas e autoridades governamentais já alertaram que o país poderia voltar a ser importador líquido antes de 2040 caso novas descobertas não substituam as reservas.
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“Existe um sistema de hidrocarbonetos em funcionamento e isso pode abrir uma nova fronteira”, afirmou Marcelo De Assis, consultor independente de petróleo com sede no Rio de Janeiro.
A Margem Equatorial — que abrange cinco bacias, entre elas a da Foz do Amazonas — apresenta geologia semelhante à da vizinha Guiana, onde a Exxon Mobil descobriu bilhões de barris.
O programa de perfuração ao largo da costa amazônica sofreu atrasos. A Petrobras precisou interromper as atividades por cerca de um mês após um vazamento de fluido de perfuração em janeiro.
A estatal precisará obter licenças para desenvolver a descoberta caso ela seja considerada de viabilidade comercial.
A companhia aguarda ainda a liberação do órgão ambiental brasileiro, o Ibama, para perfurar outros três poços na bacia da Foz do Amazonas, essenciais para se chegar a uma descoberta comercial.
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