Segurança pública e bem-estar social pautam disputa acirrada em eleição sueca

Eleições gerais neste domingo (13) têm como protagonistas o bloco conservador do primeiro-ministro Ulf Kristersson e a coligação do centro e da esquerda, liderada pelos social-democratas de Magdalena Andersson

bairro Estocolmo
Por Charlie Duxbury
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Bloomberg — Durante anos, Salim Ali viu jovens integrantes de gangues venderem drogas abertamente na praça em frente à sua banca de flores, no subúrbio de Hässelby Gård, em Estocolmo.

Certa vez, ele deixou dois garotos se protegerem da chuva sob a marquise, mas a polícia apareceu e os revistou. Um deles escondia uma arma. “Imagino que aquele garoto tivesse uns 12 anos”, recordou Ali. “Foi horrível. Era preciso fazer alguma coisa.”

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Há quatro anos, a promessa de combater uma epidemia de tiroteios e atentados com explosivos ajudou a levar ao poder o atual primeiro-ministro de centro-direita da Suécia, Ulf Kristersson.

A ofensiva de seu governo saneou bairros multiétnicos como Hässelby Gård e áreas periféricas urbanas que haviam registrado forte aumento da criminalidade. Hoje, as estatísticas policiais mostram que os tiroteios fatais caíram 75%.


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Ainda assim, quando Ali for votar na eleição geral deste domingo (13), terá de lidar com um dilema. Aos 47 anos, ele testemunhou em primeira mão a melhora na segurança pública, mas a defesa da reeleição de Kristersson é menos simples por causa do compromisso do primeiro-ministro de, caso vença novamente, levar os Democratas Suecos, de centro-direita, ao governo pela primeira vez.

Para muitos suecos liberais, considerando a longa tradição de valores sociais progressistas e atitudes tolerantes em relação aos refugiados, isso pode ser um passo além do aceitável.

A lei e a ordem continuam entre as principais preocupações, ao lado da imigração, e os eleitores consideram que o atual governo é o mais preparado para lidar com os dois temas.

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Mas a saúde e a educação também estão entre as prioridades, e, nesses assuntos, os antes dominantes sociais-democratas, agora na oposição e liderados pela ex-primeira-ministra Magdalena Andersson, são considerados melhores gestores.

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Uma pesquisa publicada na sexta-feira (11) indicou que o bloco de centro-esquerda tem uma ligeira vantagem sobre Kristersson e seus aliados, naquela que pode ser a eleição mais acirrada da Suécia na história recente. A última foi decidida por menos de 50 mil votos.

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As urnas abriram às 8h do horário local de domingo em todo o país e devem fechar às 20h, quando serão divulgados os resultados das primeiras pesquisas de boca de urna.

Em Hässelby Gård, uma das 65 áreas residenciais classificadas pela polícia como “vulneráveis à influência criminosa”, os eleitores disseram que, além da segurança física, querem mais investimentos nos serviços públicos, bem como políticas econômicas capazes de reduzir a taxa nacional de desemprego, uma das mais altas da União Europeia.

Yusuf Almasari, de 26 anos, proprietário de uma barbearia na região, disse que recebe regularmente pessoas que entram no estabelecimento à procura de trabalho ou de ajuda para encontrar um lugar para morar. “São pessoas que tinham empregos estáveis e os perderam, pessoas que agora estão passando por dificuldades”, afirmou.

É por isso que lugares como Hässelby Gård, a 30 minutos de trem do centro de Estocolmo, se tornaram campos de batalha políticos e são fundamentais para os sociais-democratas que tentam voltar ao poder.

“Kristersson representa a continuidade de uma abordagem mais dura contra o crime e a imigração, combinada com impostos mais baixos e políticas econômicas mais alinhadas à centro-direita”, disse Niklas Bolin, professor de ciência política da Universidade do Centro da Suécia. “Andersson dá mais ênfase ao bem-estar social, aos serviços públicos e à igualdade econômica.”

suécia

O parlamentar social-democrata Kadir Kasirga, que distribuía panfletos ao lado da estação de metrô, disse que era positivo o fato de as “medidas repressivas” do governo estarem funcionando para reduzir a criminalidade, mas que isso não basta.

A proposta é preservar — em vez de ampliar — as atuais políticas de imigração e voltar a concentrar os esforços nos gastos com serviços públicos. Isso inevitavelmente exigirá impostos mais altos em um país que já suporta uma das maiores cargas tributárias do mundo.

Os jovens precisam de apoio adicional no sistema escolar para reduzir o risco de serem atraídos para o crime, disse Kasirga. “Há pesquisas baseadas em evidências que mostram que, já na idade pré-escolar, é possível identificar quais crianças precisarão de apoio adicional”, afirmou.

Esse é o tipo de mensagem que pode encontrar eco em um eleitor como Ali, o florista, que descreveu como eram jovens os garotos que viu serem arrastados para a criminalidade.

Para Kristersson, a votação de domingo pode se transformar em um referendo sobre sua decisão de convidar os Democratas Suecos para o governo. Se perder, a decisão será lembrada como um erro de cálculo político; se vencer, dará início a uma nova era na política sueca, ao levar um movimento antes marginal para o centro do poder.

Os Democratas Suecos também distribuíam panfletos em Hässelby Strand e disseram ter recebido uma boa acolhida de moradores que aprovam sua linha dura contra a imigração. O candidato local Pär Gustavsson abordou uma eleitora que gritou que já havia votado em seu partido.

Mas, em um parque entre Hässelby Strand e Hässelby Gård, cercado por blocos residenciais construídos na década de 1950, integrantes de um grupo muçulmano local que se reuniam para orar em particular expressaram receio sobre o que a presença formal da direita em uma coalizão governista poderia significar para eles: a normalização do racismo e a criação de mais obstáculos legais e burocráticos à sua permanência no país.

O influente parlamentar dos Democratas Suecos, Richard Jomshof, visitou várias cidades nas últimas semanas para promover seu livro, intitulado Kafir, que aborda a “islamização gradual” da sociedade sueca. O partido também pediu a proibição do véu.

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“Muitas pessoas estão preocupadas, embora não digam isso abertamente”, disse Yusuf Elmi, coordenador da mesquita de Hässelby, que participou da reunião de oração. “Vemos os comentários de figuras importantes dentro dos Democratas Suecos, e isso é preocupante.”

Elmi, que chegou à Suécia vindo da Somália em 1992, disse que as atitudes em relação às minorias pioraram apenas nos últimos anos. Pai de cinco filhos, ele contou que uma de suas filhas voltou para casa abalada após a primeira semana no ensino médio, depois de ser alvo de um insulto racista. Havia décadas que ele não se deparava com algo assim na Suécia, e nunca na capital.

Em uma entrevista coletiva recente, Andersson advertiu que os eleitores acordariam em “um país muito diferente” caso os Democratas Suecos ocupassem os 12 cargos ministeriais que sua força relativa nas pesquisas de opinião indica que podem conquistar. O líder do partido, Jimmie Åkesson, acusou-a de estar “quase obcecada” por sua legenda e de dedicar sua campanha “a odiá-lo”.

Em sua banca de flores, Ali, que ainda não havia decidido em quem votar, se preparava para o movimento intenso da noite de sexta-feira, quando trabalhadores voltam para casa antes do fim de semana. Ele costumava votar no partido de Kristersson porque achava que a legenda se preocupava com pequenos negócios como o seu, mas disse que agora ela foi longe demais com a privatização das escolas e da saúde, “como fazem nos Estados Unidos”.

“Sem dúvida, este governo tornou esta região mais segura”, disse Ali na sexta-feira. “Mas fico me perguntando se essa pode ter sido a única coisa boa que eles fizeram.”

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