Bloomberg Línea — A 100 km da capital paulista, na região de Sorocaba, Porto Feliz ainda preserva colinas verdes, pastos e silêncio. Foi ali que a JHSF (JHSF3) ergueu o Complexo Boa Vista, formado por três projetos (Fazenda Boa Vista, Boa Vista Estates e Boa Vista Village), com direito a heliponto, um dos mais movimentados do país.
Deste trio, o Boa Vista Village concentra o centro social e comercial do condomínio de luxo: campo de golfe, lagos, restaurantes, hotel e lojas. Agora esse enclave de grandes fortunas ganha uma casa de arte dentro do novo mall.
A Galapagos Capital inaugura o espaço neste sábado (30). Batizado de Galapagos Capital Art House, o local funciona com contrato de naming rights de três anos. Não há aluguel. O valor do investimento é confidencial. Também não existe meta de captação.
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A casa de arte é uma das atrações do CJ Boa Vista Village, o shopping que a JHSF abre ao público no domingo (31) e que estende a bandeira Cidade Jardim ao interior de São Paulo. São mais de 14 mil metros quadrados de área bruta locável, 68 lojas e 17 quiosques, com acesso ao hotel Boa Vista Surf Lodge e às residências do Village.
“Há um fit de marca com o Boa Vista e com a JHSF, e o público dali conversa com a nossa marca. Nossa expectativa é puramente de branding”, diz Arnaldo Curvello, sócio da área de Wealth Management da Galapagos Capital, em entrevista à Bloomberg Línea.
Não há cliente a converter nem retorno a contabilizar, segundo ele. O que se mede é a presença da marca, e o cheque sai do orçamento de marketing, não do de captação.
Também não houve disputa pelo nome. “Leilão, certamente não, senão a gente teria participado”, afirma.
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Na leitura de Curvello, a JHSF procurou aderência antes de preço. “Quando você busca um naming right, não é só a questão financeira. É ter alguém que faça sentido dentro do projeto da Fazenda Boa Vista”.

Para a Galapagos, é a estreia em naming rights. A companhia paga para aparecer, mas não opina sobre o que se vê. A curadoria é de Fernanda Ingletto, da 2 Art Lovers, que tem liberdade para definir o programa, e as obras não pertencem à Galapagos.
A mostra de estreia, “Agora: Depois do passado, antes do futuro”, aproxima o modernismo do que se produz hoje, com peças de galerias como Fortes D’Aloia & Gabriel, Simões de Assis, Leme, Estação, Galatea e Gomide & Co. O calendário prevê duas exposições até o fim do ano, mais premiações e ativações, para moradores e visitantes do complexo.
Público da Galaticos Capital
Sobre quem deve frequentar o lugar, Curvello prefere não enquadrar. “É difícil definir e, principalmente, rotular o público de um lugar. Você tem diversos públicos”, diz.
Ainda assim, dá para nomear quem circula por ali: advogados e celebridades, um mundo que a Galapagos já frequenta por outra via. O grupo é sócio da Galaticos Capital, multi-family office criado em 2024 com a R9 Gestão Patrimonial, do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, e Gabriel Jesus, atleta do Arsenal, da Inglaterra, que juntos gerem o patrimônio de dezenas de atletas.
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“É o veículo pelo qual atendemos esse público de celebridades e de personalidades do esporte”, afirma.
Daí a recusa ao rótulo de gestora. A Galapagos se apresenta como companhia de investimentos, com escritórios em Miami e Genebra, além das 11 unidades no Brasil.
O grupo reúne mais de 400 profissionais, mais de 50 mil investidores e cerca de R$ 40 bilhões sob gestão, somando asset, wealth e investment solutions. “Seria simplificar muito chamar a Galapagos só de gestora”, diz.

O wealth é um dos pilares, ao lado do banco de investimento, com fusões, aquisições e estruturação de crédito. Cultura, acrescenta, já é linha de orçamento, e o modelo pode se repetir onde houver afinidade de marca.
O portfólio da JHSF abre caminho. A incorporadora lançou em 2025 a Fazenda Santa Helena em Bragança Paulista, que repete a fórmula da Boa Vista, e mantém o que a empresa chama de “ecossistema de alta renda”.
Nele cabem o aeroporto privado Catarina, em São Roque, em que Ronaldo Fenômeno e seus amigos costumam pousar e decolar de jatinhos. Além disso, a JHSF mantém os shoppings Cidade Jardim e Shops Jardins na capital e está presente na hotelaria de luxo e a gastronomia em parceria com o Fasano, além de projetos como o São Paulo Surf Club.

A casa de arte é mais um ponto dessa rede de elite. Se a Galapagos vai seguir a incorporadora pelos demais endereços, Curvello não adianta. “Não tem nada nesse momento para especular. Isso não quer dizer que a gente não possa estar presente em outros empreendimentos da JHSF”, disse Curvello, desde que faça sentido para os dois lados.
Para a JHSF, o mall reforça a fatia de renda recorrente do grupo. As operações anunciadas incluem Louis Vuitton, Pucci e Trussardi. James Perse e Fusalp estreiam na América Latina no CJ Boa Vista Village, segundo nota da incorporadora.
A gastronomia reúne Pobre Juan, Empório Varanda e Fresco Gelato. No centro do shopping, um carrossel funciona de graça, e o conjunto abriga ainda a Igreja Nossa Senhora das Graças, com 1.200 metros quadrados e lugar para 583 pessoas.
O projeto arquitetônico do mall é assinado por Pablo Slemenson, com design de interiores de Sig Bergamin e Murilo Lomas e paisagismo de Maria João d’Orey.
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