Bloomberg Línea — Em uma nova aposta no mercado brasileiro de aviação executiva , a canadense Bombardier pretende exibir no país o Global 8000, jato mais veloz já produzido pela fabricante canadense.
O modelo tem custo estimado em US$ 85 milhões, segundo a fabricante de aeronaves, e será exposto ao lado do Global 6500 e do Challenger 3500 na quinta edição do Catarina Aviation Show.
De acordo com a companhia, será a estreia mundial do novo jato em uma feira do setor. O evento reúne fabricantes no aeroporto executivo da JHSF em São Roque, interior paulista, no final de maio (21 a 23).
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O Global 8000 é o principal trunfo da fabricante na feira. O modelo voa pouco abaixo da barreira do som, a Mach 0,95 (cerca de 95% da velocidade do som) - o equivalente a 1.173 km/h, e tem alcance de 14.800 km (8.000 milhas náuticas), suficiente para um voo entre São Paulo e Perth, na Austrália, ou Vancouver e Dubai sem escalas.
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O jato está na faixa da aviação executiva conhecida como ultra-long-range (ultralongo alcance), a categoria mais alta do mercado, junto com Gulfstream G700/G800 e Dassault Falcon 10X.
Modelos dessa nova geração de jatos executivos têm atraído clientes de alta renda por sua capacidade de voar mais rápido, mais longe e com menos desgaste, por proporcionar uma economia de tempo, principalmente em deslocamentos de longas distâncias.
A aeronave também tem a menor altitude de cabine entre os jatos executivos em produção, segundo a Bombarbier. Enquanto ela voa a 41.000 pés (cerca de 12,5 mil metros, acima da altitude de cruzeiro dos comerciais), o sistema de pressurização mantém a cabine no equivalente a 2.691 pés, pouco mais de 800 metros, próximo da altitude de uma cidade serrana no interior paulista.
Quanto menor essa diferença, menor o desgaste físico do passageiro em voos longos. Outro diferencial está nas asas. O Global 8000 tem slats, peças móveis no bordo de ataque que se estendem na decolagem e no pouso para o jato voar com segurança em velocidades mais baixas.

Na prática, isso encurta a pista necessária e permite, segundo a Bombardier, operar em uma variedade maior de aeroportos, incluindo destinos de pista curta como aeroportos de montanha e ilhas.
O Global 8000 ainda não possui registro no RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), segundo a Bombardier, que espera obtê-lo em breve, considerando que o modelo já conseguiu outros em tempo recorde. A aeronave já conta com as principais certificações e aprovações internacionais.
Sobre possíveis compradores ou encomendas, a Bombardier diz que não comenta informações relacionadas a clientes por questões de privacidade.
Além do Global 8000, a canadense leva à feira outras duas aeronaves: o Global 6500, segundo modelo da família, que voa a Mach 0,90 (1.111 km/h) e tem alcance de 6.600 milhas náuticas (cerca de 12.200 km), suficiente para rotas como São Paulo–Londres e São Paulo–Lagos.

Já o Challenger 3500 atua em outra faixa: é um jato super midsize, categoria intermediária, com cabine menor e custo operacional mais baixo, com alcance de 3.400 milhas náuticas (cerca de 6.300 km) e velocidade de Mach 0,83 (1.025 km/h).
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Segundo a Bombardier, foi o modelo mais entregue de sua categoria no mundo em 2025, com quase o dobro de unidades do concorrente mais próximo.
A presença no Catarina também serve para reforçar a rede de serviços da Bombardier no país, que inclui a instalação autorizada MAGA Aviation, no próprio aeroporto da JHSF, com manutenção de linha, peças e ferramentas para as famílias Global, Challenger e Learjet.
De Embraer a Pagani
A edição do Catarina Aviation Show terá mais de 70 expositores e marcará a estreia da Líder Aviação na feira, com foco no HondaJet, da Honda Aircraft Company, e nos elétricos da Beta Technologies.
Além da Bombardier, estão confirmados Dassault, Embraer, Gulfstream, Airbus e Leonardo, além da italiana Pagani.
O Catarina Aviation Show consolidou-se como evento de geração de negócios voltado a potenciais compradores, em contraste com a Labace, realizada no Campo de Marte e mais voltada a profissionais do setor.
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