Bloomberg Línea — O Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, aposta em calçados de corrida e na reforma de lojas como pilares do ciclo de crescimento em curso depois de atingir receita líquida recorde no segundo trimestre, impulsionada pela Copa do Mundo.
Segundo o CEO Gustavo Furtado, o ciclo começou em 2025, e os principais investimentos vão ser realizados pelo menos até o fim de 2027, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
A companhia concluiu a reforma de 31 unidades da Centauro até junho e tinha outras 10 obras iniciadas no segundo trimestre e previstas para o terceiro.
“Estamos falando que ao final desse ano, pelo menos 41 lojas terão sido reformadas neste ano. É uma quantidade expressiva de reformas por um ano”, afirmou o executivo.
As unidades renovadas apresentam desempenho médio 10,8 pontos percentuais superior ao das lojas comparáveis nas mesmas regiões, segundo dados da companhia.
O grupo encerrou junho com 229 lojas da Centauro e 52 lojas próprias da Nike, operadas pela Fisia. A empresa, distribuidora exclusiva da Nike no Brasil, faz parte do SBF.
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Entre abril e junho, a receita líquida do grupo somou R$ 2,2 bilhões, alta de 22,1% ante o igual período de 2025, superando a expectativa média de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 2,18 bilhões.
A geração de caixa, medida pelo Ebitda ajustado, chegou a R$ 248,9 milhões, avanço de 48,7%, e o lucro líquido ajustado, a R$ 141,9 milhões, aumento de 62,7%.
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O resultado positivo foi impulsionado em parte pelas vendas relacionadas à torneio mundial de futebol. “A Copa do Mundo foi um sucesso histórico. Vendemos 1 milhão de camisas oficiais”, disse Furtado.
O volume foi 56,9% superior ao da edição anterior, segundo o balanço, e a receita cresceu acima disso. “Tivemos um aumento de preço”, afirmou o executivo, sem informar o percentual.
Grupo Sbf
Disputa pela preferência do corredor
Outro impulso veio dos calçados de corrida, que cresceram 36% na Centauro e 32% na Fisia no trimestre, ante igual período de 2025.
Furtado atribui o desempenho a uma combinação de fatores. “Corrida tem um forte vento a favor. Vemos cada vez mais adeptos dessa prática”, disse. “Combinado a isso, na Fisia tivemos um reset de todo o portfólio de corrida.”
Segundo o executivo, a revisão alcançou tanto as franquias de alta performance, entre elas Vomero, Pegasus e Structure, quanto os produtos de entrada da linha.
Na Centauro, a mudança foi na composição por loja, com sortimento de corrida ajustado ao perfil de cada região, do alto desempenho às faixas mais acessíveis. O executivo classificou a categoria como central para o grupo.
Um desafio, no entanto, é a concorrência cada vez acirrada no segmento, com a abertura de lojas próprias de marcas em shoppings brasileiros, como Skechers, On e Hoka, além da competição com o e-commerce.
O CEO disse que disse que o movimento não é recente e que vê vantagens no modelo da companhia. “O grande diferencial competitivo da Centauro é oferecer as melhores marcas e os melhores produtos de corrida para que o consumidor possa escolher”, afirmou.
A resposta operacional passa também pelo reforço nos times. Para recomendar o produto adequado ao nível de cada corredor, a rede ampliou o contingente de vendedores e mantém capacitação técnica frequente, segundo Furtado.
Indagado sobre o que a companhia ainda precisa desenvolver na categoria, o executivo respondeu que não há lacuna. “Não vejo nada que estejamos devendo, nenhum botão que precise apertar”
Atacado da Nike
O canal que mais cresceu na Fisia no trimestre é o que abastece varejistas concorrentes da Centauro. O atacado avançou 36,1%, contra 29,7% no digital e 13,1% nas lojas físicas, mantendo o ritmo do começo do ano, quando havia crescido 48,7%.
Furtado atribui parte do desempenho ao futebol e parte a iniciativas anteriores, entre elas a ampliação do time de suporte a clientes, eventos para apresentar portfólio a lojistas e segmentação de produtos por perfil de comprador, do calçadista à loja de alta performance.
“Isso já começamos até antes do que a Nike comunicou essa volta ao atacado”, afirmou.
Segundo o executivo, a política comercial do canal não é definida no Brasil.
“Enxergamos esse canal de atacado de uma forma independente do que enxergamos o resto da organização. Nos vemos na obrigação de servir bem todos os clientes, independentemente de que cliente seja”, disse, atribuindo as regras a diretrizes globais da Nike anteriores à aquisição da operação brasileira.
Sobre a reorganização da marca no mundo, afirmou que os movimentos estão alinhados ao que a operação brasileira já executava. “O que eles estão fazendo não muda absolutamente nada a nossa estratégia aqui no Brasil.”
Duas das lojas próprias da Nike no país, no formato Nike Direct Inline, foram abertas no trimestre.
A margem bruta da Fisia ficou em 41,4%, expansão de 0,9 ponto percentual em base anual, mas recuo ante os 43,5% dos três meses anteriores.
Enquanto isso, a margem Ebitda do grupo subiu 2,1 pontos percentuais no trimestre, para 11,3%, e a explicação do executivo é diluição de despesa.
“Tivemos um crescimento de 22% da receita e de 12% da despesa. Então, todo o aumento de lucro bruto se transferiu para o bottom line”, disse Furtado.
Estoques da Black Friday e Natal
No primeiro trimestre, a companhia consumiu R$ 334,3 milhões em caixa operacional e viu a dívida líquida alcançar R$ 1,1 bilhão, resultado da formação antecipada de estoque para o Mundial.
A alavancagem caiu a 1,5 vez o Ebitda no segundo trimestre, ante 1,6 vez em março, informou Furtado. O terceiro, segundo ele, traz a recomposição de estoque para a Black Friday e o Natal.
“Seguimos comprometidos com uma diligência, do ponto de vista de caixa, para manter a alavancagem da companhia em patamares bastante saudáveis”, disse.
Sobre câmbio, a companhia informou que opera com hedge para as compras da Nike e que trabalha com custo já contratado mais favorável no segundo semestre, ressalvando que a margem bruta da Fisia depende de outros fatores.
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Quanto ao estoque remanescente do Mundial, Furtado disse não ter preocupação, porque o desempenho superou o planejamento interno.
Segundo ele, as metas comerciais da Copa foram atingidas antes mesmo da eliminação do Brasil nas oitavas, devido à decisão de manter os produtos em um estoque único, distribuído aos canais conforme a demanda de cada um.
O grupo vendeu mais de 1,5 milhão de produtos do Mundial até 31 de julho, entre eles 352 mil licenciados da CBF desenvolvidos pelas marcas próprias da Centauro e 169 mil bolas oficiais.
Na tarde de segunda-feira (10), um mês após o fim do torneio, a camisa amarela da Seleção mantinha o preço cheio no site da Nike Brasil, operado pela Fisia, com a versão Fã a R$ 237,49 no Pix, ante R$ 249,99.
A segunda camisa, azul, assinada pela Jordan, saía com 22% de desconto na versão torcedor Pro, de R$ 449,99 por R$ 349,99, e 20% na versão jogador, de R$ 749,99 por R$ 599,99. No site da Centauro, as camisetas licenciadas da CBF tinham cortes de 5% a 32%, com preços entre R$ 88,90 e R$ 189,99.
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