Bloomberg Línea — O Banco BTG Pactual (BPAC11) encerrou o primeiro semestre de 2026 com o melhor resultado de sua história, registrou lucro líquido contábil consolidado de R$ 9,471 bilhões, alta de 31,2% sobre os R$ 7,219 bilhões do mesmo período de 2025.
Ao mesmo tempo, também ampliou em 19,4% a provisão para perdas esperadas associadas ao risco de crédito, que chegou a R$ 13,970 bilhões, segundo resultado financeiro divulgado nesta terça-feira (11).
O contexto setorial ajuda a explicar o movimento. A inadimplência acima de 90 dias no sistema financeiro chegou a 4,7% em maio, 100 pontos-base acima de um ano antes, com o consignado privado subindo para 7,9%.
Relatórios do JPMorgan e do UBS BB apontaram a qualidade dos ativos como o tema central da temporada de balanços do segundo trimestre, com o UBS BB classificando o Brasil como a pior dinâmica entre os grandes mercados latino-americanos.
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“Seguimos comprometidos com um crescimento disciplinado, pautado pela excelência na execução, pela inovação e por uma gestão rigorosa de riscos”, afirmou o CEO Roberto Sallouti, no comunicado de resultados.
A carteira consolidada do BTG Pactual avançou 6,4% no semestre, para R$ 213,09 bilhões, enquanto o estoque de provisões subiu três vezes mais rápido. O índice de cobertura passou de 5,84% para 6,56% da carteira.
No segundo trimestre isolado, o lucro líquido contábil atingiu recorde de R$ 4,901 bilhões, alta de 7,2% sobre o trimestre anterior e de 22,2% na comparação anual, com receitas de R$ 10,4 bilhões e retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) de 26,7%.
As despesas operacionais somaram R$ 4,282 bilhões, crescimento de apenas 1,2% ante o primeiro trimestre, o que levou o índice de eficiência ajustado a 37,1%.
A área de Investment Banking foi a exceção negativa, com receitas de R$ 421,4 milhões e queda de 46,1% em 12 meses, reflexo da menor atividade em DCM (Debt Capital Markets), o mercado de emissão de dívida corporativa.
BTG Pactual
Aposta no varejo
O gatilho das provisões está no varejo, exatamente a frente que o banco elegeu como avenida de expansão. A vertical de Consumer Finance & Banking reportou receitas de R$ 1,546 bilhão no trimestre, alta de 37,4% sobre o primeiro trimestre, com carteira de R$ 78,2 bilhões e crescimento de 6,2%, impulsionada pelo consignado privado e pela consolidação da fatia de 48% na fintech Meu Tudo.
O CFO Renato Cohn disse em maio que a área deve responder por 15% a 20% da receita do banco no longo prazo, ante 11% no primeiro trimestre de 2026.
O custo dessa aposta já aparece no balanço. Considerado sozinho, sem as controladas, a provisão do BTG Pactual equivale a 2,36% da carteira. No consolidado, salta para 6,56%, diferença que se explica pelos R$ 93,544 bilhões em operações com pessoas físicas concentrados nas controladas, sobretudo o Banco Pan.
As operações classificadas no estágio 3, que reúne ativos com problema de recuperação de crédito, passaram de 5,99% para 6,69% da carteira, e as parcelas vencidas cresceram 23,1%, para R$ 7,580 bilhões.
A despesa semestral com provisões no consolidado somou R$ 3,455 bilhões, contra R$ 2,780 bilhões um ano antes, alta de 24,3%. Movimento semelhante ocorreu nos títulos com característica de concessão de crédito, cujo estágio 3 subiu de R$ 645,7 milhões para R$ 1,157 bilhão em seis meses, avanço de 79,3%.
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Do lado do capital, o quadro é confortável. O Patrimônio de Referência (PR), que é a base de capital reconhecida pelo regulador, cresceu 13,8%, para R$ 102,836 bilhões, acima da expansão de 10,0% dos ativos ponderados pelo risco, que somaram R$ 641,034 bilhões.
O Índice de Basileia subiu de 15,5% para 16,0%, ante mínimo regulatório de 10,50% fixado pelo Banco Central.
A liquidez melhorou de forma expressiva. O caixa e equivalentes consolidado encerrou junho em R$ 148,342 bilhões, contra R$ 89,033 bilhões no início do semestre, e o fluxo de caixa operacional virou de negativo em R$ 35,898 bilhões para positivo em R$ 49,061 bilhões.
Os depósitos cresceram 17,2%, para R$ 206,472 bilhões, ritmo superior ao da carteira de crédito, o que reduz dependência de captação de mercado.
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As contingências tributárias com probabilidade de êxito possível, não provisionadas, somam R$ 9,022 bilhões no banco, e as cíveis na mesma classificação, R$ 4,522 bilhões no consolidado. Juntas, equivalem a 15,7% do patrimônio líquido consolidado de R$ 86,362 bilhões. Os créditos tributários chegam a R$ 12,401 bilhões, com valor presente de R$ 9,160 bilhões, sendo R$ 4,2 bilhões originados no Banco Pan.
O banco deliberou aproximadamente R$ 3 bilhões em JCP (juros sobre capital próprio), equivalentes a R$ 0,25 por ação, com pagamento previsto para 14 de agosto.
A agenda de aquisições segue ativa, com a conclusão da compra do HSBC no Uruguai em julho e a negociação vinculante pelo controle do Banco Digimais, condicionada a processo competitivo e às aprovações do BC e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
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