Bloomberg Línea — Nas prateleiras de pet shops e casas de ração, é possível encontrar uma variedade de opções de ração para cães e gatos: alimentos para animais castrados, idosos, sensíveis a determinados ingredientes ou formulados com diferentes proteínas, das mais naturais às tradicionais carne e frango.
Essa maior preocupação dos tutores com a alimentação de seus pets já está no radar da brasileira Special Dog, que pretende aproveitar justamente esse movimento para impulsionar seu próximo ciclo de crescimento.
A empresa é uma das maiores fabricantes do país ao lado de BRF Pet - unidade da MBRF (MBRF3) dona das linhas Guabi Natural, GranPlus e Biofresh - além de outras relevantes, como PremieRpet, Adimax e Total Alimentos, e mira dobrar o volume vendido da linha super premium nos próximos anos, sem abrir mão da escala das rações premium, hoje responsáveis pela maior parte das vendas.
“Não temos interesse nenhum em perder volume absoluto em nenhuma das categorias. A estratégia é aumentar a nossa representatividade nas linhas premium, premium especial e super premium”, disse Priscila Manfrim Tavares, diretora administrativa da Special Dog Company em entrevista à Bloomberg Línea.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Manfrim faz parte da segunda geração familiar à frente dos negócios. Seu pai, Erik Manfrim, é o CEO da companhia e um dos fundadores que deu origem ao negócio, em 2001.
Para apoiar a nova fase de crescimento, a companhia anunciou uma nova fábrica em Mateus Leme (MG), prevista para entrar em operação em 2027. Com aporte de cerca de R$ 300 milhões, a unidade ampliará a capacidade produtiva da companhia em aproximadamente 20%.
Hoje, a companhia concentra toda a produção em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), onde opera seis fábricas dedicadas à produção de alimentos secos, úmidos e biscoitos. A unidade em Minas será a primeira fora da cidade paulista.
A companhia projeta encerrar 2026 com faturamento acima dos R$ 2,15 bilhões registrados no ano passado, crescimento em linha com o ano anterior.
“[Crescimento] acima de 5%, mas sendo conservador, porque o mercado é muito dinâmico”, disse a executiva.
Segundo ela, o mercado pet já deixou para trás o boom observado durante a pandemia de covid-19 e entrou em uma fase mais estável.
“Observamos principalmente em 2023 e 2024 uma estabilização. Em 2025 já retomou um pouco do crescimento, mas o que a gente enxerga hoje é que é um mercado estabilizado e já consolidado entre os seus principais players”, explica Manfrim.
Além dos grandes players, o mercado de pet food é consideravelmente pulverizado e conta com cerca de 170 fabricantes. Apenas em 2025, a venda de alimentos industrializados para animais (como a ração) alcançou R$ 41,42 bilhões, um avanço de apenas 1,59% em relação ao ano anterior.
O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de China e os EUA.

Embora o segmento premium ainda concentre a maior parte do faturamento da companhia, é na categoria super premium que a Special Dog enxerga maior potencial de crescimento, sobretudo por ser uma categoria mais nova no portfólio.
Leia também: De equinos a pets: Boehringer cresce em saúde animal e mira expansão no Brasil
“A grande tendência é a humanização dos pets. As pessoas querem oferecer para o cachorro ou para o gato o mesmo cuidado que têm com elas mesmas. Isso impulsiona categorias mais especializadas”, afirmou Manfrim.
A empresa já atua no segmento super premium com a linha Bionatural, lançada em 2024. Em agosto de 2025, ampliou o portfólio com a Bionatural Sensitive, formulada com proteína de insetos - origem, que, segundo a empresa, já ganhou tração no exterior, sobretudo na Europa. A linha também utiliza grãos sem origem transgênica e ovos de galinhas livres de gaiolas.
Para atender a expansão, a nova unidade em Minas Gerais da empresa será construída em uma área de aproximadamente 300 mil metros quadrados. A localização foi escolhida pela proximidade com o eixo entre São Paulo e Belo Horizonte, região que concentra parte relevante do mercado consumidor e facilita a logística para as demais regiões do país.
A nova fábrica terá capacidade para produzir cerca de 10 mil toneladas de ração por mês, mas começará com capacidade de 5 mil toneladas mensais, com possibilidade de expansão a depender da quantidade de turnos, conta a diretora.
Segundo Manfrim, o projeto foi dimensionado para acompanhar o crescimento esperado da demanda ao longo dos próximos anos. A ideia, conta, é que a nova fábrica atenda uma demanda futura, que será conquistada a partir da expansão geográfica e da conquista de novos clientes.
“A gente ainda vai precisar fazer um esforço comercial grande para ganhar mercado, para entrar em novos mercados de forma competitiva. Já existe certa demanda para a fábrica, mas a gente ainda vai precisar ganhar demanda”
Em 2025, a Special Dog inaugurou uma fábrica de biscoitos com investimento de R$ 30 milhões.
Apesar do novo investimento, a empresa não mira acelerar a internacionalização no curto prazo. Hoje, menos de 2% da produção é destinada à exportação, principalmente para países da América do Sul. A prioridade continuará sendo o mercado brasileiro, considerado pela companhia suficientemente grande para absorver o novo ciclo de investimentos.
“O Brasil ainda oferece muitas oportunidades. Temos espaço para crescer bastante antes de pensar em uma estratégia mais agressiva de exportação”, disse Manfrim.
A expectativa é que o avanço das linhas super premium contribua para elevar o tíquete médio e sustentar o crescimento da receita sem depender apenas do aumento de volume.
Leia também
Hotéis de luxo adaptam experiências para acomodar casais sem filhos e com pets









