Bloomberg Línea — O Brasil acumula em 2026 uma sequência de decisões da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contra marcas líderes de consumo de massa. A mais recente foi publicada nesta quarta-feira (3): o recolhimento de 374,4 mil garrafas de água mineral Crystal sem gás, após identificação de bactéria na bebida.
A Crystal pertence ao portfólio da Coca-Cola FEMSA Brasil, subsidiária da mexicana FEMSA e maior engarrafadora franqueada da Coca-Cola no mundo.
Procurada pela reportagem, a Coca-Cola FEMSA Brasil não respondeu imediatamente ao pedido de comentários.
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De acordo com a Anvisa, a bactéria encontrada é a Pseudomonas aeruginosa, presente no ambiente e raramente perigosa para pessoas saudáveis, mas que pode causar infecções graves em pacientes com imunidade comprometida.
As garrafas foram distribuídas para o Distrito Federal (230,4 mil unidades), interior de São Paulo (75,7 mil), Goiás (66,7 mil) e Tocantins (1,4 mil), segundo a resolução publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira.
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O produto afetado é o lote LZ1 VAL200127, de 500 ml, fabricado em 20 de janeiro de 2026 pela Mineração Bom Jesus Ltda. em Luziânia, Goiás, a 60 km de Brasília.

A contaminação foi detectada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal em fiscalização de rotina, confirmada em contraprova.
A vigilância sanitária distrital interditou o lote e comunicou o caso à Anvisa, que formalizou o recolhimento pela Resolução RE 2.247/2026 no Diário Oficial da União.
Segundo a fabricante, 99,2% das unidades já foram retiradas de distribuidoras. Não há registro de consumidores que adoeceram.
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Consumidores com garrafas Crystal de validade 20/01/2027 e inscrição “LZ1 VAL 200127” não devem consumi-las. A Coca-Cola FEMSA deverá divulgar orientações sobre devolução e reembolso.
“Representantes da empresa se reuniram com a Agência, prestaram esclarecimentos e vêm cooperando com as autoridades sanitárias, adotando providências de forma diligente”, informou a Anvisa, em seu site.
O caso ocorre menos de um mês após a Anvisa suspender a fabricação da Ypê, marca da Química Amparo, segunda maior empresa de limpeza doméstica do Brasil.
Em novembro de 2025, a própria Química Amparo havia detectado contaminação microbiológica em lotes de lava-roupas líquidos.
Em abril, nova inspeção identificou falhas nas Boas Práticas de Fabricação em 76 requisitos da planta de Amparo, interior paulista. A produção foi suspensa e retomada após plano de correção.
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