Bloomberg — Empresas brasileiras tinham cerca de US$ 6 bilhões em ofertas de ações previstas para as semanas seguintes à eleição, na expectativa de que o pleito consagrasse Flávio Bolsonaro como próximo presidente do Brasil.
Agora, com a surpreendente vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esses planos foram colocados em xeque por empresas de setores que vão de transmissão de energia a rodovias e varejo, segundo pessoas a par das discussões. Os mercados brasileiros despencam na esteira da eleição, com as ações registrando a maior queda em 30 anos e o real, a maior desde 1999.
Banqueiros de investimento estimavam que apenas ofertas subsequentes de ações poderiam levantar cerca de R$ 30 bilhões nos seis meses seguintes sob um governo Flávio, segundo conversas privadas na Faria Lima, em São Paulo. A aposta era que as promessas do candidato de criar um ambiente de negócios mais favorável sustentariam o mercado, tornando o período atraente para empresas brasileiras captarem recursos.
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Várias companhias preparavam ofertas de ações que poderiam ter sido lançadas já nesta segunda-feira, disseram as pessoas, que pediram anonimato por tratarem de conversas privadas. Agora, banqueiros não esperam nenhuma operação antes de meados de 2027.
Entre as empresas que avaliavam recorrer ao mercado acionário estavam a companhia de energia Equatorial e a operadora de rodovias Ecorodovias Infraestrutura e Logística. A empresa de gás Compass Gás e Energia, a varejista Guararapes Confecções e a companhia de transmissão de energia Transmissora Aliança de Energia Elétrica também analisavam ofertas subsequentes, disseram as pessoas ouvidas pela Bloomberg News.
O resultado também virou de cabeça para baixo os planos de empresas que passaram anos se preparando para ofertas públicas iniciais de ações. O Banco Votorantim SA estava entre as companhias que poderiam ter retomado os planos de abertura de capital, possivelmente no início de 2027, e a Aegea Saneamento e Participações SA também avaliava um IPO mais adiante no próximo ano, disseram as pessoas.
Banco Votorantim, Aegea, Transmissora Aliança de Energia Elétrica e Cosan não quiseram comentar. Equatorial, Ecorodovias e Guararapes não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
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Executivos e banqueiros reavaliam as perspectivas para as ações brasileiras, os juros e o crescimento econômico com a vitória de Lula. O mercado considera improvável que Lula adote o ajuste fiscal necessário para reduzir os juros. Ele obteve 51,8% dos votos no segundo turno. Flávio recebeu 48,2%, segundo a Justiça Eleitoral.
Investidores haviam apostado em uma vitória de Flávio diante do desempenho surpreendentemente forte no primeiro turno, o que desencadeou uma alta dos mercados e atraiu bilhões em fluxos de capital estrangeiro. Instituições como UBS Global Wealth Management, Morgan Stanley, JPMorgan Chase e Citigroup correram para divulgar recomendações otimistas para ativos brasileiros no início do mês.
Agora, a reavaliação se estende para além do mercado de capitais. Fusões e aquisições envolvendo empresas expostas ao consumo também são reconsideradas, à medida que investidores avaliam as implicações da eleição para o crescimento e a confiança do consumidor, disseram as pessoas. Entre elas estão as discussões da Azzas 2154 envolvendo a venda da Farm, segundo as fontes. A Arezzo não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
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Líderes empresariais também voltam a atenção para a equipe econômica de Lula e para as perspectivas da política tributária. Eles esperam um cenário fiscal difícil, já que promessas de campanha com custo estimado em mais de R$ 50 bilhões agora terão de ser financiadas, mas esperam que o presidente escolha nomes de centro para cargos importantes.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, é citado como possível nome bem recebido pelo setor empresarial para o Ministério da Fazenda, e o senador Camilo Santana, para a Casa Civil, segundo pessoas a par das avaliações no meio corporativo brasileiro.
Há certa preocupação de que Fonteles dificilmente deixe o governo estadual para integrar a administração federal tão pouco tempo depois de ter sido reeleito com mais de 70% dos votos. O vice-presidente Geraldo Alckmin também é cotado como um possível nome para a Fazenda, mas sua indicação não conta com suporte universal, segundo as pessoas.
Executivos brasileiros tiveram uma relação conturbada com Lula durante o mandato mais recente do presidente e não esperam mudança significativa no próximo. Ainda assim, há otimismo de que o BNDES se torne um parceiro importante das empresas, possivelmente por meio de aportes de recursos semelhantes ao realizado com a empresa de logística Simpar no início deste ano, disseram as pessoas.
O mercado pode se estabilizar se Lula apresentar um plano crível para conter os gastos e nomear uma equipe econômica vista como comprometida com a disciplina fiscal, disseram as pessoas.
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