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Dólar pode ir a R$ 5,70 e juro a 15,5% até plano fiscal convencer, diz Morgan Stanley

Banco americano prevê alta em duas etapas e vê na escolha do ministro da Fazenda o primeiro sinal para o mercado; sem compromisso com as contas públicas, Selic pode subir e dívida bruta chegar a 106% do PIB em 2035

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Bloomberg Línea — O dólar pode subir até a faixa de R$ 5,70 e os juros futuros com vencimento em 2029 devem chegar a 15,5% depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A alta virá em duas etapas e só tende a perder força quando o governo apresentar um plano crível para as contas públicas, a começar pela escolha do ministro da Fazenda, segundo relatório do Morgan Stanley divulgado nesta segunda-feira (26).

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A primeira etapa é desfazer o otimismo que o mercado embutiu depois do primeiro turno. Os contratos de DI (juros futuros negociados na B3) para janeiro de 2029 subiriam cerca de 2 pontos percentuais, para 14,5%, apagando boa parte dos cortes de juros já precificados, e o dólar testaria R$ 5,50.

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Na segunda etapa, os investidores passam a cobrar um prêmio pelo risco fiscal. A taxa avança mais 1 ponto percentual e o real recua para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70.

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A saída de recursos de empresas e o pagamento de dividendos, comuns em novembro e dezembro, podem acentuar a pressão sobre a moeda, afirma o banco.

Nesse patamar, o movimento pode encontrar um limite, desde que Brasília dê sinais de que vai arrumar as contas.

“Nesses níveis, os participantes do mercado podem se inclinar a começar a desfazer a venda, sobretudo se o novo governo começar a se comprometer com a consolidação fiscal nas próximas semanas”, escreveram as estrategistas Ioana Zamfir e Sofia Palacios.

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Sem esse compromisso, o cenário se aproxima do mais pessimista traçado pelo banco, com dólar a R$ 6 e alta da Selic (taxa básica de juros do Brasil).

As estrategistas ponderam, porém, que o mercado brasileiro só precificou dominância fiscal, quando a inflação passa a responder mais aos gastos públicos do que aos juros, duas vezes em 20 anos: em 2015 e 2016 e em dezembro de 2024.

Orçamento mais engessado

A desconfiança tem base nas contas do próximo ano. O Brasil chega a 2027 com dívida em alta, mais de 91% das despesas obrigatórias e pouco espaço para elevar a arrecadação, segundo os economistas Thiago Machado e Ana Madeira.

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Medidas do ciclo eleitoral agravam o quadro, como o reajuste do Bolsa Família, com custo estimado de R$ 22,7 bilhões, e a proibição das apostas online, que pode tirar R$ 5,26 bilhões da receita.

Os economistas veem risco de piora na projeção de déficit primário de 0,7% do PIB em 2027 e na de dívida bruta de 86,9% do PIB. Se o ajuste vier tarde e for superficial, a dívida pode chegar a 106% do PIB em 2035, e a Selic, a 15,5% no fim de 2027, ante 11,25% no cenário-base.

O calendário da equipe ainda é incerto. Em 2022, Lula escolheu o ministro da Fazenda em dezembro. Antes disso, o Banco Central se reúne em 4 de novembro, quando o banco espera corte de 0,25 ponto, para 13,5%.

A partir de fevereiro, o governo enfrentará um Congresso mais à direita, com 149 cadeiras do PL, principal partido de oposição, ante 79 do PT.

Bolsa e crédito sentem

O ajuste também chega às ações. O Morgan Stanley abandonou a visão otimista que vinha defendendo para o Brasil e vê espaço de queda de 20% a 30% na bolsa, com forte diferença entre setores.

O lucro das empresas deve resistir, sustentado por exportadoras e bancos, mas as companhias voltadas ao consumo interno tendem a perder valor.

No cenário mais duro, o Ibovespa chega a 130 mil pontos em meados de 2027, a 6,2 vezes o lucro, ante 9,6 vezes em 23 de outubro, de acordo com os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Nogueira e Marcos Rios.

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“Embora acreditemos que a reação inicial do mercado tende a ser uma forte redução de risco, o desafio de fundo é muito mais profundo, refletindo desequilíbrios macroeconômicos estruturais cada vez mais difíceis de reverter”, afirmam os estrategistas.

A dívida externa também deve sofrer. O banco espera que o prêmio pago pelos títulos do Brasil em dólar com prazo de dez anos suba cerca de 0,5 ponto nas primeiras sessões, e o CDS (seguro contra calote) de cinco anos, cerca de 0,4 ponto.

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