Bloomberg — Investidores estrangeiros retiraram recursos da bolsa brasileira em maio na maior intensidade em mais de seis anos, freando um rali histórico do mercado acionário do país.
No mês passado, a bolsa registrou R$ 14,9 bilhões de saídas, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O Ibovespa é particularmente sensível a esses fluxos, já que investidores estrangeiros respondem por mais de 60% do volume negociado na bolsa, de acordo com dados da B3.
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O movimento marca o primeiro mês de fluxo estrangeiro negativo neste ano, com investidores migrando para outros mercados diante da alta da inteligência artificial e dos resultados corporativos robustos nos EUA e em outras economias.

As saídas levaram a bolsa a registrar sete semanas consecutivas de queda, a mais longa sequência negativa desde maio de 2004, reduzindo os ganhos acumulados após um início de ano excepcional.
O índice avançou mais de 12% em janeiro, registrando sua maior alta mensal desde novembro de 2020, e voltou a subir em fevereiro. Após ficar praticamente estável em março e abril, a bolsa tombou 7,2% em maio.
“A partir da quinzena de abril, vimos um fluxo contínuo de saída por parte dos investidores estrangeiros, que passaram a realizar lucros e rebalancear suas carteiras”, disse Marcelo Okura, co-responsável de mercados globais para a América Latina do UBS Group em São Paulo.
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Segundo Okura, tanto as tensões persistentes no Oriente Médio quanto a forte demanda por empresas expostas à inteligência artificial desviaram capital da América Latina para os mercados desenvolvidos.
A disparada do petróleo causada pela guerra no Irã levou os mercados a reavaliar as perspectivas para os juros globais, reforçando o temor de que o ciclo de queda da Selic no Brasil seja mais curto do que o previsto.
A queda do Ibovespa em maio superou o recuo de 4,7% do índice MSCI EM Latin America, que, por sua vez, teve desempenho inferior ao do MSCI EM Stock Index e ao do S&P 500.
Okura apontou ainda a incerteza política na América Latina como outro fator que prejudica o sentimento dos investidores, com o Brasil diante de uma disputa polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, nas eleições de outubro.

Ainda assim, o movimento pode representar um contratempo de curto prazo, e não uma reversão completa dos fluxos, segundo Raphael Figueredo, estrategista de ações na XP.
Tanto Figueredo quanto Okura esperam uma recuperação dos fluxos à medida que as tensões geopolíticas diminuam, os preços do petróleo se estabilizem e o entusiasmo com as ações ligadas à inteligência artificial perca força.
“É uma pausa, então eu continuo acreditando que retoma aos poucos, à medida em que, principalmente a pauta de inteligência artificial dos resultados que foram muito fortes, elas se normalizarem ao longo dos próximos trimestres”, disse Figueredo.
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“Os fatores estruturais identificados no início do ano e até mesmo no ano passado que levaram essa rotação do fluxo permanecem”.
Enquanto os estrangeiros reduziram sua exposição às ações locais, investidores de varejo parecem estar aproveitando a queda para comprar.
Em maio, investidores pessoa física foram compradores líquidos de ações brasileiras em 18 das 20 sessões do mês, segundo dados compilados pela Bloomberg, com fluxos mensais totalizando mais de R$ 5,8 bilhões.
“Eu tenho ouvido um ânimo do investidor local, que é um ânimo que eu não vi no último rali”, afirmou Figueredo. “Muita coisa ficou descontada, e hoje a gente vê como oportunidade. Então vemos como um cenário de ‘caiu, comprou’”.
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