Daniel Goldberg, da Lumina, vê oportunidade em ‘mini ciclos’ de crédito no Brasil

Em entrevista à Bloomberg News, o CEO e CIO da gestora diz que tem monitorado setores como energia renovável, saúde, químicos, software e agronegócio; ‘A oportunidade em ativos líquidos está entre as mais atraentes que vi em talvez 10 anos ou mais’, afirmou

Prédios na Faria Lima: gestora com sede em São Paulo levantou US$ 1,5 bilhão no ano passado para o Lumina Fund III. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Rachel Gamarski - Vinícius Andrade

Bloomberg — Daniel Goldberg passou os últimos anos em busca de retornos em alguns dos mercados mais complexos da América Latina, da compra de dívida soberana argentina ao financiamento de uma ponte sobre o Canal do Panamá.

Agora, o veterano da Farallon Capital Management vê oportunidades surgindo no Brasil, onde os custos de financiamento estão próximos do maior nível em duas décadas e empresas enfrentam cargas de dívida crescentes.

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Na Lumina Capital Management, que administra mais de US$ 4 bilhões, ele tem monitorado setores como energia renovável, saúde, químicos, software e agronegócio, com grande parte do foco em ativos líquidos.

“A oportunidade em ativos líquidos está entre as mais atraentes que vi em talvez 10 anos ou mais”, disse Goldberg em entrevista à Bloomberg News em Nova York.


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A gestora com sede em São Paulo levantou US$ 1,5 bilhão no ano passado para o Lumina Fund III. Goldberg — que fundou a Lumina em 2022 após passar uma década na Farallon — afirmou que quase todo o capital alocado até agora foi direcionado a esses ativos líquidos. Isso representa uma mudança em relação às operações predominantemente privadas realizadas anteriormente pela empresa.

O setor de energia renovável no Brasil está entre os principais temas de investimento da Lumina. Goldberg afirmou que a rápida expansão da geração solar, especialmente da geração distribuída, sobrecarregou a capacidade de transmissão e elevou os riscos de cortes compulsórios de produção para geradoras.

“Temos sido muito ativos em energia renovável”, disse Goldberg.

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A convergência de múltiplos “mini ciclos” de crédito simultâneos está criando oportunidades, já que os players tradicionais de capital não conseguem absorver a demanda, afirmou.

A Lumina montou uma mesa dedicada à compra de créditos inadimplentes do agronegócio e ao apoio à reestruturação de empresas do setor, disse Goldberg.

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Ele citou juros reais mais altos, aumento da alavancagem por meio de securitizações isentas de impostos do agronegócio e mudanças no arcabouço de reestruturação brasileiro que facilitaram o acesso de produtores rurais à recuperação judicial.

A gestora também vê oportunidades surgindo no setor de saúde, onde seguradoras e operadoras hospitalares ainda se ajustam após as distorções provocadas pela pandemia de Covid-19.

A Lumina Capital Management expandiu operações além da América Latina e abriu recentemente um escritório em Miami.

A empresa também planeja inaugurar uma pequena unidade em Londres ainda este ano, à medida que amplia presença em financiamento de litígios e situações especiais na Europa, segundo Goldberg e seus sócios na Lumina, Guilherme Loures e Fernando Chican.

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Entre 30% e 40% dos ativos da Lumina estão agora nos Estados Unidos, principalmente em operações privadas de crédito e soluções estruturadas de capital, disse Goldberg. Em Londres, a Lumina pretende ampliar a atuação em financiamento de disputas judiciais e litígios relacionados a questões antitruste na Europa e no Reino Unido, afirmou.

Apesar da expansão internacional, Goldberg disse que a Lumina não considera crescimento um objetivo em si. “Não acreditamos necessariamente que crescer signifique sucesso”, afirmou. “Tentamos dimensionar os fundos de acordo com o conjunto de oportunidades.”

Goldberg afirmou que a eleição no Brasil importa menos para a Lumina do que a estabilidade dos marcos legais e regulatórios. “A volatilidade política é nossa amiga”, disse. “A entropia regulatória é nossa inimiga.”

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