ARX tem visão ‘arrojada’ na bolsa com aposta em troca de governo

Em entrevista à Bloomberg News, Alexandre Sant’Anna, co-gestor de renda variável da gestora, diz que desta vez há uma visão mais pragmática dos investidores e que o Ibovespa tem potencial de alta neste ano mesmo diante da volatilidade eleitoral

Faria Lima: gestora que administra cerca de R$ 5,6 bilhões em renda variável tem um posicionamento que considera “arrojado” em sua carteira de ações. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Vanessa Dezem - Raphael Almeida Dos Santos

Bloomberg — A ARX Investimentos aposta na bolsa brasileira com a expectativa de que haverá troca de governo nas eleições deste ano, apesar das relevações recentes que conectam Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master.

A gestora, que administra cerca de R$ 5,6 bilhões em renda variável, tem um posicionamento que considera “arrojado” em sua carteira de ações. A fatia em varejistas está em 6,5%, a mais elevada já registrada nesse setor que ainda sofre com os juros elevados. A casa também tem posição de 23% em bancos e de 16% em energia, sem especificar os nomes.

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“As varejistas estão com tanto desconto, que eu diria que são nomes resilientes como Lojas Renner que entendemos que dá para manter. Ainda mais se tiver troca de governo, que é o nosso cenário base”, disse Alexandre Sant’Anna, co-gestor de renda variável da gestora, em entrevista à Bloomberg News.


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Ele avalia que o Ibovespa tem potencial de alta neste ano mesmo diante da volatilidade eleitoral, à medida que a corrida presidencial deixa de ser um evento binário — no qual o mercado reagiria com forte alta ou queda dependendo de um ou outro resultado — o que reduz os riscos extremos para os ativos locais, disse Sant’Anna.

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“Desta vez, há uma visão mais pragmática dos investidores”, afirmou. “Se ganhar realmente um governo de oposição, há espaço para uma elevação da bolsa mais relevante. Mas se acontece um Lula 4, não será visto como o fim do mundo por ser o último mandato dele e com um ambiente ainda favorável para os mercados emergentes, de dólar fraco.”

O cenário eleitoral brasileiro passa por um possível momento de ajuste, em razão da reportagem do Intercept Brasil sobre o pedido de Flávio Bolsonaro por milhões de reais em apoio financeiro a Daniel Vorcaro, para um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirmou que o contato teve caráter privado, negou irregularidades e disse não ter oferecido contrapartidas.

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A pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg News mostrou o impacto: Lula agora lidera Flávio por 7 pontos percentuais, 49% a 42%, em eventual segundo turno.

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“Mesmo que esse evento afete o Flávio, algum candidato de centro-direita chegará no segundo turno contra o Lula”, segundo o co-gestor. “Segue o cenário base de um candidato de centro-direita contra o Lula, onde esse candidato é o favorito, seja o Flávio, Zema, Caiado ou Renan.”

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Ibovespa

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O Ibovespa sobe cerca de 10% no ano, impulsionado principalmente pela entrada de capital estrangeiro no país, parte de uma rotação global de portfólios para oportunidades fora dos Estados Unidos.

Apesar de o fluxo para o índice local ter esfriado no último mês, Sant’Anna entende que isso deve ser pontual dado que o Brasil ainda pode se beneficiar da diversificação de global para países emergentes.

A gestora mantém a perspectiva de continuidade da queda dos juros no Brasil, com a visão de que o Banco Central pode acelerar o ritmo de cortes quando a volatilidade gerada pela guerra entre Estados Unidos e Irã diminuir, o que tende a beneficiar a renda variável.

“O investidor estrangeiro quer se blindar do fenômeno dólar fraco. O Brasil, mal ou bem, é grande mercado acionário e tem ‘DNA’ de commodity, que casa bem com o portfólio desse investidor global, que não quer ficar só refém da narrativa de inteligência artificial e semicondutores.”

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