Vitórias democratas nos EUA ameaçam frear avanço de data centers para IA

Novos governadores democratas no Texas, em Ohio, na Geórgia e na Pensilvânia fizeram da regulação mais rígida dos data centers um ponto central de suas campanhas e podem deixar metade da expansão proposta da capacidade de IA nos EUA sujeita a maior escrutínio

Moratória no Texas pode atrasar projetos de data centers em até 18 meses, diz GLJ (Foto: Bloomberg)
Por Lynn Doan - Brody Ford - Brian Eckhouse
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Bloomberg — Desenvolvedores que pretendem construir dezenas de enormes complexos de inteligência artificial no Texas já enfrentavam uma suspensão das aprovações sob o governador republicano Greg Abbott.

Com Gina Hinojosa, eleita na terça-feira (3) a primeira governadora democrata do Texas em mais de três décadas, eles agora encaram o pior cenário possível.

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Durante a campanha, Hinojosa defendeu repetidamente uma moratória imediata para o desenvolvimento de data centers. Ela classificou as promessas de Abbott de conter os operadores de data centers como “nada além de uma manobra de ano eleitoral” e acusou os desenvolvedores de “elevar nossas tarifas de serviços públicos e esgotar nossa água”. Hinojosa prometeu suspender as aprovações até que haja “uma sessão legislativa que coloque os texanos em primeiro lugar, para que não tenhamos mais comunidades no Texas sem poder para enfrentar essas corporações globais”.

A vitória de Hinojosa, somada às de outros democratas que venceram disputas para governador da Geórgia a Ohio e Pensilvânia, pode deixar metade da expansão proposta da capacidade de data centers de IA nos EUA sujeita a maior escrutínio e resistência locais. Todos fizeram de uma regulamentação mais rigorosa dos data centers um ponto central de suas campanhas, e as vitórias ressaltam a intensidade da crescente reação dos eleitores contra as instalações que sustentam sistemas de IA em todo o mundo.


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Os resultados fizeram parte de uma vitória democrata mais ampla, que tirou dos republicanos o controle da Câmara e do Senado dos EUA, impulsionada pela insatisfação dos eleitores com o custo de vida e a guerra no Irã. Os democratas devem ampliar o escrutínio sobre os interesses do Vale do Silício, que haviam sido em grande parte poupados nos dois primeiros anos do governo do presidente dos EUA, Donald Trump.

Das maiores empresas americanas, como Meta e Amazon, a especialistas em data centers, como CoreWeave, o setor investe trilhões de dólares nos centros de computação essenciais para a IA. Isso, por sua vez, alimenta uma demanda sem precedentes pelos equipamentos usados nessas instalações, de aceleradores da Nvidia Corp. a sistemas de memória e refrigeração.

O risco agora é que autoridades aumentem a pressão sobre esses projetos cada vez mais impopulares, o que pode desacelerar a expansão da infraestrutura e limitar o ritmo de implantação da IA, no qual grandes empresas apostam para elevar os lucros.

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Os mercados já haviam começado a incorporar o risco de maior escrutínio regulatório e vendido ações de tecnologia nas semanas anteriores à eleição. Os resultados eliminam uma fonte de incerteza para os investidores e abrem uma oportunidade para voltar a comprar ações do setor. Grandes empresas de tecnologia, entre elas Meta, Amazon, Nvidia e Alphabet Inc., subiam no pré-mercado nesta quarta-feira, antes da abertura das bolsas de Nova York.

A CoreWeave, que acumula queda de 25% no ano, recuava cerca de 2,3%. Tesla Inc. e Space Exploration Technologies Corp., controladas pelo bilionário Elon Musk, aliado de Trump que doou quase US$ 450 milhões aos republicanos, também caíam.

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Os resultados eleitorais ameaçaram ofuscar balanços positivos da fabricante de chips de IA Advanced Micro Devices e da fornecedora de servidores Super Micro Computer, que haviam provocado uma alta das ações ligadas à expansão da infraestrutura que sustenta a tecnologia.

“Se houver novas regulamentações no Texas, a infraestrutura de IA será a primeira a sofrer”, disse Huh Jae-Hwan, analista da Eugene Investment & Securities. Isso “está se refletindo no mercado acionário”.

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No Texas, cerca de 13 gigawatts de capacidade de data centers — suficiente para abastecer aproximadamente 10 milhões de residências a qualquer momento — ficaram imediatamente expostos com a vitória de Hinojosa, disse Gordon Johnson, da GLJ Research, em nota divulgada na noite de terça-feira. “Projetos que já têm energia, licenças e estruturas de aço seguem em frente”, afirmou, enquanto aqueles que têm energia, mas ainda não possuem licenças ambientais estaduais, sofrem atrasos de 12 a 18 meses.

Já os “projetos que não têm nenhum dos dois provavelmente vão para Louisiana, Oklahoma ou lugar nenhum”, disse Johnson na nota.

O Texas responde por quase 30% da capacidade de data centers dos EUA prevista para entrar em operação em 2028, de longe a maior participação entre os estados, disse a empresa de pesquisa SemiAnalysis antes da eleição. “Alguns meses de atraso nesse mercado podem alterar o número nacional”, segundo a SemiAnalysis.

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Hinojosa representa uma abordagem claramente “mais pessimista: ela imporia uma moratória até a aprovação de uma legislação que dê voz às comunidades, proteja as contas de serviços públicos das famílias e acabe com os incentivos fiscais para data centers”, afirmou a empresa. “A questão agora é quanto tempo a pausa vai durar.”

O Jefferies atribui “níveis” aos estados americanos para representar o “risco político” que oferecem a novos projetos de data centers. O nível 1 indica um estado receptivo a novos data centers. O nível 5 pressupõe o contrário. Antes da eleição no Texas, analistas do Jefferies, entre eles Jonathan Petersen, disseram em nota que uma “vitória de Hinojosa resultaria em uma suspensão estadual imediata e levaria o Texas do nível 3 para o nível 4 em nossa classificação”.

“Independentemente do resultado da eleição, a sessão de 2027 pode trazer regras mais rígidas sobre quem paga pela infraestrutura da rede elétrica, uso de água e incentivos fiscais para data centers”, disse Petersen. “Consideramos mais provável que essas medidas aumentem os custos e as exigências para o desenvolvimento do que restrinjam de forma significativa o pipeline do Texas.”

Em Ohio, outro estado que recebeu uma enxurrada de propostas de data centers, especialmente na região de Columbus, a democrata Amy Acton derrotou o empresário bilionário Vivek Ramaswamy para se tornar a próxima governadora, tirando dos republicanos o controle do cargo. Acton defendeu uma moratória condicional imediata que obrigaria os desenvolvedores de data centers a cumprir uma série de requisitos para obter autorização para construir. Ela prometeu “lutar contra o desenvolvimento desenfreado de data centers”.

A democrata Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora da Geórgia, assumindo o controle do Executivo estadual depois de mais de duas décadas sob domínio republicano. Embora a Geórgia historicamente tenha incentivado o desenvolvimento de data centers e ocupe a terceira posição entre os estados com maior atividade no setor, a oposição local cresce. Durante a campanha, Bottoms defendeu uma moratória para a construção de novas instalações.

A eleição na Geórgia apresentou “uma divisão mais clara do que em vários outros estados”, disse o Jefferies na nota. “Uma vitória de Bottoms pode trazer uma suspensão temporária em todo o estado.”

A vitória do democrata Josh Shapiro, que conquistou a reeleição como governador da Pensilvânia, deve em grande parte preservar o status quo. Shapiro, que anteriormente incentivou e ajudou a atrair projetos de data centers para o estado, mudou de posição desde então e passou a criticar projetos especulativos e aqueles que enfrentam oposição das comunidades locais.

Antes da eleição, Libby Cantrill, chefe de políticas públicas da Pimco, alertou que as disputas para governador teriam impacto significativo no futuro dos projetos de data centers. Ela citou os pedidos dos candidatos por suspensões de obras semelhantes à adotada em julho pela governadora de Nova York, Kathy Hochul.

“Mesmo que não haja moratórias estaduais, esperamos muito mais obstáculos à expansão da IA de qualquer forma — será necessário mais tempo para obter licenças e outras aprovações, além de mais concessões por parte dos desenvolvedores de data centers”, disse Cantrill.

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