Cortar juros na força bruta é risco, e Selic seguirá alta em 2027, diz CEO do Itaú

Milton Maluhy Filho classifica como especulação o debate sobre mudanças fiscais ligadas à dívida pública, vê inflação perto de 6% no próximo ano e relata queda na demanda por crédito em todos os segmentos

Agência do Itaú
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Bloomberg Línea — O CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, alertou para o risco de reduzir a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, sem condições econômicas que sustentem o movimento e afirmou que os juros devem ficar em patamar restritivo ao longo de 2027.

Para ele, um corte forçado da taxa básica teria efeito contrário na curva de juros de longo prazo, que serve de referência para o financiamento de empresas e famílias.

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A avaliação do executivo à frente do maior banco privado do país veio nesta quarta-feira (4), na entrevista coletiva sobre o balanço do terceiro trimestre, no dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anuncia sua decisão. O encontro ocorre dez dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que provocou forte volatilidade no mercado.


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“O risco que a gente corre é imaginar que a queda de juros de curto prazo pode ser feita na força bruta”, disse Maluhy.

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O alerta veio em resposta a uma pergunta sobre mudanças na política fiscal ligadas ao peso dos juros na dívida pública, debate que o CEO classificou como especulação.

Ele não citou nomes, mas a discussão ganhou força com uma proposta atribuída ao economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que cria um teto para a Selic atrelado ao crescimento do PIB. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o plano esteja em análise no governo.

“O mercado, por definição, ele não tem partido. O mercado, ele olha para propostas concretas”, disse o CEO.

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Itau Unibanco Holding

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Na visão de Maluhy, o mercado aguarda a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda no novo mandato e de que forma o titular vai atuar.

Segundo o CEO do Itaú, o mercado já projeta inflação perto de 6% em 2027, distante do centro da meta, pressionada por combustíveis, câmbio desvalorizado, reforma tributária e mudança na jornada de trabalho. Ele citou que mais de 70% das casas consultadas esperam uma pausa na redução de juros na reunião desta quarta.

“Quando você tem um efeito inflacionário, ele é um imposto regressivo para as famílias, porque ele acaba consumindo boa parte do poder de compra”, afirmou o CEO.

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O CEO do banco defendeu que o país volte a ter grau de investimento, como boa parte dos vizinhos na América do Sul, e afirmou que a agenda fiscal precisa andar junto com a social.

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Confira o que o CEO disse sobre outros temas:

Custo de capital

“O nosso custo de capital subiu recentemente, em função da dinâmica e volatilidade do mercado”.

Demanda por crédito

“A gente tem visto uma redução importante da demanda em todos os segmentos. Em grandes empresas, quanto mais incerteza, mais a demanda se reduz”.

Riscos para 2027

“Não estamos imunes, nunca fomos imunes, mas acho que o banco tem entregado resultados consistentes”.

Corte de custos

“Se o cenário se mostra menos propício ao crescimento acelerado, o que a gente tem que procurar fazer é buscar a eficiência através do custo”.

Mercado de capitais

“Ainda tem muita incerteza, e incerteza não combina com o mercado de capitais”.

Venda de carteiras

“A gente não está vendendo carteira ativa com intensidade para melhorar o indicador de atraso”, afirmou, em resposta à Bloomberg Línea. “É um mercado pequeno, já foi maior, ainda tem algum apetite, mas um apetite bem comedido.”

Desenrola 3

“A gente participou de todos os Desenrolas até aqui, não vai ser diferente no Desenrola 3”.

Chile e saída do varejo na Colômbia

“Um bom evento recente para a operação do Chile foi a venda da carteira de varejo na Colômbia, que era uma carteira que gerava resultados negativos”.

Intervenção em emissor de cartões no Paraguai

“Quando o mercado fica mais incerto, em geral a gente percebe um movimento dos clientes para o banco, pensando e procurando um porto seguro em momentos de maiores desafios”.

Tributação de multinacionais

“Sempre abre um espaço, inclusive agora, com o novo ministro da Fazenda, quem quer que seja, para discutir novamente o tema da TBU, Tributação em Bases Universais”.

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