Pentágono pressiona América Latina a elevar gastos com defesa contra o crime organizado

Delegação dos EUA na conferência bienal de ministros da Defesa das Américas, realizada nesta semana no Peru, pediu que os países elevem os orçamentos de defesa para cerca de 3,5% do PIB, em linha com o observado em outras regiões do mundo

'É fundamental que vocês invistam mais na própria defesa', afirmou o subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby (Foto: Tom Brenner/Bloomberg)
Por Maya Averbuch - Carla Samon Ros
PUBLICIDADE

Bloomberg — O Departamento de Defesa dos EUA tem pressionado países da América Latina a aumentar os gastos com segurança para combater o crime organizado.

Uma delegação dos EUA na conferência bienal de ministros da Defesa das Américas, realizada nesta semana no Peru, pediu que os países elevem os orçamentos de defesa para cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), em linha com o observado em outras regiões do mundo.

PUBLICIDADE

“É fundamental que vocês invistam mais na própria defesa”, afirmou o subsecretário de Defesa dos EUA, Elbridge Colby, ao defender especialmente que países ameaçados pelo “narcoterrorismo” ampliem seus investimentos. Segundo ele, algumas nações destinam menos de 1% do PIB à defesa. “Isso contraria o bom senso.”

Colby elogiou o Peru, onde a conservadora Keiko Fujimori venceu a eleição presidencial de junho, pela compra de novos caças F-16. Segundo ele, a venda “trará investimentos e atividade econômica” tanto para os EUA quanto para o país sul-americano.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, adotou uma abordagem militarizada para a América Latina, realizando ataques contra lanchas rápidas que, segundo alega, transportam drogas, capturando o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação noturna em janeiro, e oferecendo apoio de inteligência ou militar para eliminar traficantes no México, no Equador e na Venezuela.

A administração também retomou treinamentos militares no Panamá para transformar o país em um posto estratégico na região e ameaçou abertamente intervir no México caso o governo mexicano não intensifique o combate aos cartéis que exportam ilegalmente drogas, entre elas fentanil e metanfetamina, para consumidores nos EUA.

“Somos diretamente afetados pelas escolhas que vocês fazem para a segurança e a defesa de seus países”, afirmou Colby. “Nossa população está morrendo em grande número por causa das drogas que entram em nosso país e da criminalidade que as acompanha.”

PUBLICIDADE

Leia também:‘Negócio da guerra’: conflito com Irã gera US$ 28 bi a bilionários do setor de defesa

Os países da América Latina costumam destinar entre 1,2% e 1,3% do PIB à defesa, segundo um alto funcionário do Departamento de Defesa dos EUA. Esses níveis de gasto só fazem sentido para países que não enfrentam ameaças significativas de gangues ou cartéis, afirmou a autoridade.

Mais de 30 delegações participam da conferência de defesa na cidade andina de Cusco, incluindo representantes de países aliados e não aliados dos EUA.

PUBLICIDADE

Os ministros da Defesa de Brasil, Bolívia, Chile e Equador estão entre os participantes, disse à Bloomberg News o ministro da Defesa do Peru, Amadeo Flores Carcagno, destacando o número incomum de ministros presentes.

Leia também: Tensão geopolítica entre EUA, Venezuela e Groenlândia impulsiona ações de defesa

A principal prioridade, afirmou o ministro, é combater o crime organizado transnacional, além de preparar os países para desastres naturais, como o fenômeno climático El Niño, uma resposta atmosférica ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico que pode provocar secas, enchentes e alterações no regime de chuvas. O fenômeno deve atingir forte intensidade no Peru nos próximos meses.

O país andino espera continuar fortalecendo as capacidades existentes e aumentando a eficiência em parceria com os EUA, afirmou Flores Carcagno, que deixará o cargo em poucas semanas, antes da posse de Fujimori no fim de julho. “Nem tudo necessariamente se resume a aumentar o orçamento.”

Veja mais em bloomberg.com