Spotify aperta o cerco contra fraudes por IA para proteger receita de US$ 11 bilhões

À Bloomberg Línea, diretor de artistas e parcerias, Bryan Johnson, conta que ‘streams artificiais' afetam menos de 1% da plataforma, celebra crescimento de 70% na América Latina e projeta futuro com experiências físicas

Spotify

Bloomberg Línea — Fazendo frente ao otimismo sobre o uso de inteligência artificial (IA), o Spotify tem procurado reforçar a proteção à indústria musical. Com a proliferação de ferramentas de IA generativa, o setor passou a enfrentar uma ameaça sofisticada: os chamados “streams artificiais”.

Robôs e contas automatizadas são programados para reproduzir faixas em massa no serviço — muitas vezes músicas curtas e genéricas geradas por IA —, com o único objetivo de desviar dinheiro do fundo global de royalties.

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“Os artistas sempre abraçaram a tecnologia para impulsionar sua criatividade. Vimos isso ao longo das décadas”, disse Bryan Johnson, diretor de artistas e parcerias da Spotify, em entrevista à Bloomberg Línea, antes de se apresentar no Web Summit Rio.

“Para nós, como empresa, acreditamos que, para realmente liberar o verdadeiro potencial da IA, precisamos nos proteger contra as piores partes dela.”


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Para mitigar os riscos aos investidores e detentores de direitos autorais, o Spotify tem empregado uma série de contra-ataques tecnológicos.

As ações incluem filtros de spam automatizados para identificar e bloquear trilhas criadas artificialmente com o propósito de “vencer o sistema”; créditos e autodeclaração, onde os artistas agora podem autodeclarar o uso de IA em suas obras, e informação que se tornará visível para o usuário final, e política de Personificação, para combater a clonagem não autorizada de vozes de artistas consagrados.

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“O problema não é a IA em si, o problema é o que ela pode acelerar. Se olharmos para spam, streams artificiais, fraudes. Essas são coisas que acontecem na música e também em muitos outros negócios”, afirmou.

Segundo o executivo britânico, atualmente menos de 1% dos streams na plataforma são considerados artificiais.

A plataforma também tem empreendido esforços para educar os artistas, que podem cair em golpes e ser atraído para fazendas de cliques, como essas empresas são conhecidas.

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Johnson disse que há um trabalho de conscientização constante, incluindo em colaboração com a Music Fight Fraud Alliance, organização global com gravadoras e plataformas de streaming para combater fraudes.

No ano passado, o Spotify pagou cerca de US$ 11 bilhões à indústria musical. Aproximadamente metade desse montante foi destinado a artistas independentes e suas gravadoras.

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Efeito Anitta

O executivo também falou sobre a presença na plataforma na América Latina. A região responde por 23% das assinaturas globais e tem apresentado um crescimento de 70% ao ano, um dos maiores ritmos de expansão entre os mercados da empresa.

Maior economia da região, o Brasil é peça central nesse movimento. Desde o lançamento da plataforma no país, em 2014, o Spotify observou ondas sucessivas de exportação cultural — do reggaeton à Anitta, que projetou o país internacionalmente.

O português figura hoje como um dos idiomas de crescimento mais rápido na plataforma. Em 2024, 16 idiomas estiveram presentes no top 50 global do Spotify — mais que o dobro de 2020.

Segundo a plataforma, a receita gerada por músicas em português cresceu 26% em um ano e 51% no intervalo de 24 meses. Em 2025, artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties no Spotify.

“Esses artistas pegaram a cultura desses mercados específicos, desses países específicos como o Brasil, e a levaram para o mundo inteiro”, afirmou. “A América Latina tem sido um ótimo exemplo prático de como a música pode viajar e de como a cultura não precisa ficar trancada dentro das próprias fronteiras.”

Para manter a trajetória de crescimento, o executivo disse que a companhia continua em busca de criar novos atributos de negócios e produtos, como aconteceu com os podcasts em vídeo e audiolivros, disponíveis em alguns mercados.

A novidade em teste nos Estados Unidos agora é o serviço Reserved, anunciado recentemente para assinantes premium. O recurso promete, com base em dados de consumo, reservar dois ingressos para shows de determinados artistas que o usuário mais escuta.

“É apenas um exemplo de como estamos buscando fazer isso e construir conexões na vida real. Fala-se tanto sobre IA na música e na indústria em geral, e nós nos apoiamos nessa tecnologia para melhorar o nosso serviço. Mas também apostamos nesses momentos de impacto real para construir conexões verdadeiras entre artistas e fãs”, afirma.

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