Dólar em queda impulsiona moedas da América Latina; peso colombiano lidera valorização

Analistas apontam que o dólar mais fraco, o carry trade e o avanço dos preços da energia favoreceram as moedas da região, com destaque para o peso colombiano e o real brasileiro

A worker counts US dollar banknotes at a currency exchange office in Jakarta, Indonesia, on Monday, June 8, 2026. Indonesia’s finance and central bank officials said over the weekend they will boost efforts to stabilize the currency and attract inflows after the nation’s stocks tumbled at the fastest pace worldwide last week. Photographer: Dimas Ardian/Bloomberg

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Bloomberg Línea — A desvalorização do dólar no final de julho abriu espaço para que a maioria das moedas da América Latina consolidasse ganhos em relação à moeda norte-americana, com o peso colombiano (USDCOP) liderando o ranking regional e outras moedas registrando ganhos ao longo do mês.

A perda de impulso do dólar coincidiu com a decisão do Federal Reserve de manter as taxas de juros inalteradas, uma medida que o mercado interpretou como um sinal menos agressivo do que o esperado e que favoreceu o apetite por ativos de maior rendimento, entre os quais várias moedas latino-americanas.

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Matthew Ryan e Diego Barnuevo, analistas da Ebury, consideram que, embora tenham uma visão menos pessimista em relação ao dólar americano, continuam “otimistas em relação à América Latina”, graças a uma combinação que, juntamente com os elevados rendimentos reais oferecidos por várias economias da região e o apoio de algumas matérias-primas, ajudou a explicar o comportamento das moedas durante o mês de julho.


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Dólar em queda

Os últimos dias do mês foram marcados pela queda do dólar, após o Federal Reserve ter prolongado a pausa em seu ciclo de taxas.

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US dollar production. Photographer: Al Drago/Bloomberg

A BBVA FX Strategy destacou que a decisão pesou sobre o dólar, enquanto o ING indicou que o mercado interpretou que o Fed poderia se apoiar mais no endurecimento das condições financeiras geradas pelos próprios mercados do que em novos aumentos das taxas, reduzindo o atrativo relativo da moeda norte-americana.

Esse contexto permitiu que as moedas latino-americanas apresentassem um desempenho superior ao de outras economias emergentes. O peso colombiano liderou os ganhos mensais com uma valorização de 9,84%, o que também lhe permitiu ser a moeda mais forte do mundo em julho.

No ranking mensal, também se destacou o desempenho do real brasileiro (USDBRL), do guaraní paraguaio (USDPYG), do peso dominicano (USDDOP), do peso mexicano (USDMXN), o colón da Costa Rica e o sol peruano (USDPEN).

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Mais abaixo, ficou o quetzal guatemalteco, praticamente estável, enquanto o peso chileno (USDCLP), o lempira hondurenho (USDHNL), o peso uruguaio (USDUYU) e o peso argentino (USDARS) encerraram julho com variações negativas, mas muito mais moderadas do que as observadas em outros episódios.

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Para a Ebury, parte dessa resistência se deveu a fatores próprios da região.

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“Consideramos que as moedas latino-americanas estão razoavelmente bem posicionadas nesse contexto, uma vez que vários países da região são beneficiários líquidos do novo aumento dos preços do petróleo e oferecem oportunidades atraentes de carry trade devido aos seus elevados rendimentos reais”, disse Ryan.

Veja como se comportaram as moedas da América Latina durante julho — Bloomberg Línea

Mercados

Veja como se comportaram as moedas da América Latina durante julho

Desempenho até 30/07

Peso colombianoPeso colombiano: 9,8%9,8%Real brasileiroReal brasileiro: 2%2%Guaraní paraguaioGuaraní paraguaio: 2%2%Peso dominicanoPeso dominicano: 1,8%1,8%Peso mexicanoPeso mexicano: 0,84%0,8%Colón da Costa RicaColón costarriquenho: 0,67%0,7%Sol peruanoSol peruano: 0,39%0,4%Quetzal guatemaltecoQuetzal guatemalteco: -0,01%-0%Peso uruguaioPeso uruguaio: -0,21%-0,2%Peso chilenoPeso chileno: -0,35%-0,4%Lempira de HondurasLempira de Honduras: -0,36%-0,4%Peso argentinoPeso argentino: -0,37%-0,4%
BloombergLínea

Esse argumento coincide com a análise da Bloomberg Intelligence. O especialista Davison Santana explicou que o real brasileiro e o peso colombiano continuam se destacando entre as moedas emergentes, pois combinam altos rendimentos com uma relação entre retorno e risco que continua sendo uma das mais atraentes do universo emergente, mesmo após os fortes ganhos acumulados.

O carry trade e as commodities

A moeda que mais se valorizou no mês foi o peso colombiano. Além da desvalorização do dólar, os analistas apontam uma combinação de taxas de juros elevadas, melhores perspectivas para o mercado de energia e um posicionamento ainda favorável entre os investidores internacionais.

Santana afirma que “o real brasileiro e o peso colombiano continuam sendo as opções mais sólidas por uma ampla margem, tanto em termos de carry quanto de carry ajustado pela volatilidade”, embora alerte que ambas as moedas permanecem expostas a um eventual aumento das taxas de rendimento de longo prazo nos Estados Unidos.

A Goldman Sachs (GS) chega a uma conclusão semelhante. A instituição considera que o Brasil e a Colômbia continuam sendo as moedas emergentes mais atraentes para estratégias de carry e destaca que ambas também são favorecidas pela evolução dos preços da energia, embora reconheça que continuam sensíveis a uma mudança nas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos.

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Na Colômbia, a Ebury atribui grande parte da valorização da moeda à confiança dos investidores na agenda econômica do novo governo, liderado pelo conservador Abelardo de la Espriella, e ao aperto monetário do banco central.

No entanto, ele também apresenta uma nuance.

“Acreditamos que a alta atual possa ser excessiva. A vitória de De la Espriella, sem dúvida, impulsionou a confiança dos investidores, e prevemos que as altas taxas de juros reais ofereçam suporte no curto prazo”, disse Barnuevo. “No entanto, acreditamos que a consolidação fiscal pode não atender às expectativas do mercado, dados os importantes obstáculos políticos existentes, que poderiam pôr fim ao atual período de lua de mel”.

Peso colombiano

O Brasil também manteve uma posição de destaque durante o mês de julho. A Ebury afirma que “o real tem sido apoiado pelas altas taxas de juros e pelos preços do petróleo”, embora ressalte que a incerteza política e fiscal continuará sendo um fator relevante para a evolução da moeda.

Nem todas as moedas valorizaram pelos mesmos motivos

Embora a Colômbia e o Brasil tenham concentrado boa parte da atenção, outras moedas da região também encontraram apoio em fatores internos.

O guaraní paraguaio, a terceira moeda com melhor desempenho mensal, apresentou uma dinâmica diferente.

De acordo, segundo a analista Ingrid Herrera, a política de intervenção cambial do Banco Central do Paraguai reduziu a liquidez em moeda local ao longo do ano, obrigando as instituições financeiras a vender dólares para obter guaranis e, ao mesmo tempo, diminuindo a demanda por moedas estrangeiras — uma combinação que fortaleceu a taxa de câmbio.

O peso dominicano também figurou entre as moedas mais fortes de julho, graças a um fluxo de divisas observado ao longo do ano.

O economista Juan Mejía atribui o desempenho em 2026 ao dinamismo do turismo, às remessas, ao investimento estrangeiro direto, ao aumento do valor das exportações de ouro e a uma política monetária prudente que ajudou a manter a confiança do mercado.

No México, o avanço foi mais moderado. A Ebury espera que o peso continue se beneficiando da redução gradual da incerteza em torno da revisão do tratado comercial com os Estados Unidos e o Canadá, do processo de realocação de empresas e da relativa solidez da economia norte-americana.

Peso mexicano

O Goldman Sachs, por sua vez, mantém uma visão favorável em relação ao carry trade do peso mexicano, embora alerte que ele continua sendo uma das moedas latino-americanas mais sensíveis a um eventual endurecimento da política monetária do Federal Reserve.

O sol peruano também encerrou julho com ganhos. A Ebury considera que a vitória eleitoral de Keiko Fujimori elimina um dos principais riscos políticos para a moeda e mantém uma visão positiva, graças aos sólidos fundamentos macroeconômicos e ao apoio que os altos preços do cobre continuam a oferecer.

O caso do peso chileno foi diferente. Embora tenha encerrado o mês com uma ligeira queda, os analistas consideram que parte dessa desvalorização se deveu à deterioração das expectativas em relação aos diferenciais de taxas em relação aos Estados Unidos e a uma economia que atravessa um período de menor crescimento.

Mesmo assim, Barnuevo afirma que “os altos preços do cobre continuam sendo um fator estrutural de sustentação”, enquanto a BBVA FX Strategy mantém uma preferência pela compra de pesos chilenos quando o dólar registra altas.

As demais moedas latino-americanas apresentaram oscilações mais moderadas. O colón da Costa Rica conseguiu encerrar julho com ganhos, o quetzal da Guatemala ficou praticamente estável, e o lempira de Honduras, o peso uruguaio e o peso argentino registraram recuos limitados, refletindo que o recente enfraquecimento do dólar não teve a mesma intensidade em toda a região.

Além do resultado de julho, os analistas concordam que a evolução das moedas latino-americanas continuará dependendo de duas variáveis principais: a trajetória do dólar após as próximas decisões do Federal Reserve e a capacidade de cada economia de manter os fatores internos que sustentaram suas moedas durante o mês.